Seminário Esso-IETV: jornalismo investigativo em debate

O primeiro dia do Seminário Esso-IETV de Telejornalismo também foi dedicado ao debate do jornalismo investigativo. No primeiro vídeo apresentado, "Falsos Dentistas", Francis Silvy (na época na RBS-SC) registrou a ação dos "práticos", pessoas sem formação que trabalham ilegalmente como dentistas em Santa Catarina. A matéria mostra as precárias condições de higiene desses consultórios e a situação de quem fez tratamento com falsos dentistas. Em seguida, a matéria "Tele-lavagem", também de Silvy, mostra como casas de câmbio driblam as leis para fazer remessas ilegais de dinheiro para o exterior. Pela primeira vez uma equipe de TV registrou o esquema, chamado pelos cambistas de "cabo dólar" e pelo ministério público federal de "tele-lavagem".

Na seqüência, César Tralli, na matéria "Prisão de Chinês", acompanha a operação que resultou na prisão do comerciante chinês Law Kin Chang. Com negócios e ramificações em quase todos os estados brasileiros e influência em diversas páreas do Poder Público, Law é considerado o maior contrabandista do país. Com uma câmera escondida, o jornalista revela diversas etapas de investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal.

No último vídeo, "Máfia das Vans", o repórter investigativo Eduardo Faustini, da TV Globo, apura o esquema de corrupção e propina que envolve motoristas de vans, cooperativas de transporte alternativo e o comando do 15º Batalhão de Polícia Militar de Duque de Caxias, município do Rio de Janeiro.

Foram debatidos temas como questões éticas ligadas à câmera oculta, confiança das fontes e os riscos da profissão.

Francis disse que a idéia do vídeo dos falsos dentistas surgiu a partir de um folder do Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina sobre uma fiscalização feita em falsos consultórios dentários.

Tralli acredita que as pessoas são presas por sua ganância. Além disso, o jornalista disse que o mais interessante na sua reportagem foi o fato do próprio Law negociar pessoalmente. "Ele sempre negociava através de terceiros, mas quando se trata de uma quantia muito grande era ele quem estava lá."

Faustini disse que o que mais chamou sua atenção na reportagem foi o fato de comandantes e subcomandantes estarem envolvidos no esquema da máfia das vans.

Tralli e Faustini dividem a mesma opinião, a de que o jornalismo investigativo é uma profissão muito solitária e nem um pouco romântica. Além disso, comentaram que o número de jornalistas investigativos diminuiu após a morte de Tim Lopes. "Porém não diminuiu o número de reportagens na área", observou Faustini. "Poucos têm a dedicação, amor e coragem para trabalhar na área", completou Tralli.

Nas considerações finais, Faustini declarou mais uma vez sua paixão pela profissão. "Jornalismo investigativo é importante, mas tem dificuldades. Faço isso, gosto e acredito que posso contribuir. Busco o jornalismo investigativo com responsabilidade social".

Tralli finalizou dizendo que é necessário pé no chão para seguir essa área e que sabe muito bem quais são os riscos que ela envolve, embora valha a pena, principalmente quando se tem um grande furo. "O furo de reportagem é o grande tesão do jornalista".

O último debate contou com a presença do presidente da allTV, Alberto Luchetti, que falou sobre o "Telejornalismo e novas mídias". Ele explicou o que é a allTV e como ela funciona. "Estamos no ar há três anos, ao vivo, levando informação sobre todos os assuntos. Foi uma maluquice que está dando certo. Pra colocar isso no ar, só sendo sonho mesmo".

O presidente da allTV falou ainda da importância de se ter um veículo que reúne as quatro mídias (jornal, TV, Internet e rádio) e alfinetou as TVs abertas: "Televisão não dá certo na mão de herdeiros. Se fosse assim a Record teria dados certo. Lá todos são filhos de Deus".

Como dica para os futuros profissionais e os recém-formados, Luchetti afirmou que "o mercado não suporta profissional que não seja multimídia".

Paralelamente ao II Seminário, nesta sexta-feira (06/05), das 10h às 13h, 20 editores de telejornalismo participarão do workshop "Elementos e critérios de avaliação no telejornalismo". O objetivo é identificar os elementos que caracterizam uma boa reportagem de TV, levantar questões e encontrar formas consensuais de avaliação do trabalho jornalístico neste setor.












Informação: Sulrádio/ Tela Viva News


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