Esta semana, mais uma rodada de reuniões aconteceram em Brasília sobre o Sistema Brasileiro de TV Digital. Foi discutido, no âmbito do comitê consultivo, por exemplo, o documento elaborado pelo CPqD referente à cadeia de valor da TV digital. O CPqD havia proposto, para fins analíticos apenas (ou seja, nada ainda em estágio de se tornar uma recomendação política para o Comitê de Desenvolvimento de TV Digital) três cenários possíveis para o desenvolvimento da nova tecnologia no Brasil. O primeiro cenário, mais simples e com menos impactos na indústria, é o cenário incremental, onde haveria apenas a alta-definição, alguma interação e alguma mobilidade. Esse é o único cenário que a Abert (associação dos radiodifusores) aceita, já que os outros dois cenários implicam mudanças mais sensíveis nos modelos de negócios, na lógica econômica do mercado de televisão. Os cenários de diferenciação e o cenário de convergência prevêem multiprogramação, mobilidade, elevado índice de interatividade, entrada de novos players etc. São cenários descartados pelos radiodifusores. A Abert, aliás, já havia pedido que o grupo gestor de TV digital retirasse o documento da cadeia de valor do site, por entender que isso "oficializava" os cenários propostos.
A ABTA, associação que representa os operadores de TV por assinatura, também manifestou restrições em relação ao estudo da cadeia de valor, mas a queixa é bem diferente: os operadores de TV paga querem ser incluídos no desenvolvimento da TV digital terrestre, como uma alternativa de primeiro acesso, de interatividade e de experimentação para a TV digital no Brasil. Alegam, ainda, que a obrigação de must carry, ou seja, de levar os canais abertos, e a possibilidade de interação criada pelas plataformas de TV paga necessariamente incluem o setor na discussão (e na cadeia de valor) do SBTVD.
Informação: AESP/ Tela Viva News


