O grupo Bandeirantes lança, nesta sexta-feira, dia 20, a primeira ofensiva de fato à posição hegemônica que a CBN, do Sistema Globo de Rádio, mantém desde 1996 na transmissão de notícias no FM. A Band News, em referência ao canal de mesmo nome da TV fechada, oferecerá radiojornalismo nas 24 horas do dia em sinal de FM para as praças de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Ao longo dos próximos meses, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba, Campinas e Santos integrarão a rede, totalizando dez emissoras.
De acordo com o presidente do grupo Bandeirantes, João Carlos Saad, o "Johnny", o lançamento do Band News surgiu da necessidade de modernização que o rádio brasileiro tem carecido nos últimos anos. "O fato é que o meio não se modernizou, o público envelheceu e não conseguimos montar estruturas de rede que atendessem à demanda do mercado publicitário", afirma o empresário. O foco da programação é claro: atrair jovens e mulheres, que não são atendidos hoje pela maior parte das emissoras do segmento. No AM, a Rádio Bandeirantes continuará a atender o já cativo público masculino "sênior", como define Johnny, em competição com outras emissoras tradicionais, como a Jovem Pan.
De acordo com as previsões do presidente do grupo Bandeirantes, a revitalização da programação deve aumentar a participação do meio rádio do patamar atual de 20% para 30% do volume de negócios dentro da companhia. "Vamos trazer dinheiro novo para o rádio", garante Johnny.
Vinte minutos
Em termos de conteúdo editorial, o conceito do Band News será o de mesclar um modelo de rede nacional com forte conteúdo local. "Os contratos com os afiliados são bem duros: quem quiser entrar precisa de uma quantidade mínima de repórteres e estrutura editorial. Se quiser continuar tocando música, que procure outra rede", avisa Johnny.
O Band News também rompe alguns tabus que resistem há décadas no rádio. "Pesquisas atestaram que o tempo médio disponível pelo espectador para o rádio é de 20 minutos, padrão que delineará toda a programação", explica Marcelo D"Angelo, diretor geral do Band News. À exceção do horário nobre - das 6h às 10h e o período de final de tarde - haverá rodízio de âncoras sempre a cada 20 minutos, que cumprirão a apresentarão de um noticiário completo no período. Tradicionalmente, as rádios de notícias trabalham com blocos de 30 minutos ou uma hora.
Nas manhãs, o destaque fica para o âncora Carlos Nascimento. O time será fechado pelo próprio D"Angelo, André Luiz Costa, Chiara Luzzati, Priscilla de Paula, Ana Lúcia Moretto, Eduardo Barão, Flávia Cavalcante, Patrícia Figueiredo e Márcio Fernandes.
A programação contará ainda com uma extensa lista de colunistas de peso, como Dora Kramer (política), Ângela Bittencourt (economia), Roberto Avallone e Tostão (esportes) e Ana Paula Sousa (artes e espetáculos), entre muitos outros.
Mais cotas
Beneficiado pelo padrão mais enxuto de programação, o departamento comercial do Band News pôde abrir ao mercado novos formatos comerciais. A primeira vantagem é um número maior de cotas de patrocínio, rotativas a cada 20 vinte minutos no horário nobre, totalizando 12 pacotes. A grade será montada de forma a incluir os colunistas entre os noticiários, abrindo espaço para patrocínios específicos. Os intervalos comerciais avulsos serão de um a dois minutos apenas, o que dá mais ritmo à programação e evita as longas interrupções para veiculação de publicidade. "Breaks" comerciais longos sempre oferecem risco de perder parte da audiência para outra emissora.
"Sem dúvida, o anunciante terá sua marca mais destacada nesse novo formato", afirma afirma o diretor comercial da rede, Nilo Frateschi Júnior. Foram abertos ao mercado três pacotes, o Master (R$ 100 mil mensais), que dá direito ao patrocínio exclusivo de 20 minutos no horário nobre, o Ouro (R$ 56 mil), para a seção de colunistas, e o Prata (R$ 40 mil), de inserções avulsas. O preços são válidos para contratos de um ano junto aos anunciantes fundadores. De acordo com Frateschi Jr., Petrobras, Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil já compraram cotas Master. A emissora está agora negociando, na esfera privada, com Bradesco, Itaú, Ponto Frio, Vivo e Nextel, entre outros. A expectativa é a de atingir, em poucos meses, o volume de R$ 1,5 milhão de comercialização mensal de espaço.
Informação: Meio & Mensagem


