Interatividade do SBTVD é mistério até para o governo

A insistência das autoridades do governo em afirmar que a televisão digital vai proporcionar interatividade ao telespectador continua provocando estranheza entre os radiodifusores e pessoas interessadas do setor. No debate sobre TV digital realizado durante o 23º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, José Francisco de Araújo Lima, advogado do Grupo Globo, afirmando que fazia uma pergunta pessoal, como advogado que desconhece os detalhes tecnológicos, perguntou ao responsável pela condução do grupo de trabalho de TV digital do Ministério das Comunicações, Augusto Gadelha, como se daria a interatividade tão falada pelo governo como premissa para o Sistema Brasileiro de TV Digital. Araújo Lima lembrou que, até hoje, o que se conhece de televisão aberta é um sistema unidirecional, ponto-multiponto. Gadelha reagiu dizendo que “perguntas de advogados são as mais difíceis de ser respondidas”, e não conseguiu explicar como é que, através da própria faixa de freqüência do canal digital, seria possível realizar algum tipo de interatividade. Na platéia, um dos radiodifusores ironicamente “ajudou” Gadelha afirmando que “é aquela coisa do DTH, por telefone”.
Ao bater sistematicamente na tecla de que a TV digital vai permitir o acesso à Internet, verificar saldos, pagar contas bancárias e acessar serviços governamentais, o governo está passando uma impressão que horroriza a maioria dos radiodifusores, mesmo aqueles acostumados a lidar com novas tecnologias, que é a possibilidade de perderem o controle de seu negócio, que seria "a oferta de informação, cultura e entretenimento à população", como se ouviu em diversas vezes nesta quarta-feira. Aparentemente, tanto quanto a ameaça das empresas de telecomunicações, especialmente as do serviço móvel, que poderão usar suas redes para serviços de conteúdo (drenando, portanto, verbas do mercado publicitário destinadas à radiodifusão), há também a ameaça de que o serviço de TV seja descaracterizado, e isso assuta os radiodifusores.

Geléia geral
Um radiodifusor que não deseja ser identificado manifestou a este noticiário seu inconformismo com o que chamou de “geléia geral” na qual está se transformando a radiodifusão no Brasil com “estas propostas de convergência que misturam tudo com tudo, fazendo com que nada se pareça com o que realmente é”. As autoridades do governo já perceberam que talvez estejam errando a mão, e em determinados momentos “pisam em ovos” ou então tentam demonstrar seu compromisso com o segmento. Na tarde desta quarta, 18, no debate sobre estratégias de comunicação para o país, tanto André Barbosa, assessor especial da Casa Civil para assuntos de comunicações, como o representante da Secom, Caio Barsotti, foram pródigos em afirmações do tipo “o governo quer trabalhar junto com os radiodifusores que promovem a cultura brasileira” ou “este governo não vai abandonar vocês e vai construir a nova lei de comunicação eletrônica, que vai tratar de todos estes novos assuntos, com a participação dos radiodifusores”. Mas é evidente a falta de uma noção clara, de ambas as partes, sobre o que de fato acontecerá.













Informação: AESP/ Tela Viva News


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