Emissoras regionais querem mais autonomia

Produção regional para televisão sempre foi um tema polêmico. Mas durante o VI Fórum Brasil de Programação e Produção, que terminou nesta quarta, 1º, em São Paulo, o tema foi dos mais quentes. Representantes da TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas, e da RBS, afiliada da Globo no Sul do Brasil, mostraram desempenhos altamente positivos do ponto de vista comercial de suas respectivas iniciativas de produção local. Da platéia, Carlos Eduardo Marques, diretor comercial da TV Atalaia (afiliada do SBT em Sergipe), também relatou sua experiência, positiva, de produção e comercialização deste conteúdo regionalmente.

A polêmica surgiu com o jornalista Paulo Markun, que lembrou que os casos de sucesso em experiências regionais só são possíveis às emissoras porque elas são as detentoras dos meios. "A produção regional independente é algo que não tem condições de se viabilizar e não vai ter enquanto não houver uma regulamentação específica", disse, citando o projeto da deputada Jandira Feghali que, segundo ele, foi aprovado com grandes dificuldades e resistência dos radiodifusores na Câmara, depois de mais de uma década de tramitação, e está no rumo de ser enterrado pelo Senado Federal. "O interesse dos radiodifusores está prevalecendo. Com isso, a produção regional independente perde sua melhor chance".

Enquanto isso, para os radiodifusores, o problema é outro. Eles querem (pelo menos nos casos relatados), mais espaço para o conteúdo local. Rodrigo Scoralick Pinto, da TV Alterosa, disse que hoje os programas regionais, apesar de representarem apenas 20% da grade, já são mais de 50% das receitas da emissora. A experiência de Sergipe não é muito diferente. "Hoje vendemos cotas comerciais para programas regionais por valores maiores do que muitas emissoras afiliadas em outros estados", disse Carlos Marques, da TV Atalaia, que defendeu ainda o movimento dos afiliados do SBT no Nordeste para a criação de uma rede regional durante o período diurno. "A rede Nordeste é algo que traria ainda mais receitas para nós, e convidamos as emissoras em Minas a participarem do movimento". Mas não é unânime a posição entre as emissoras regionais sobre mudanças nas regras de afiliação.

Afonso Antunes da Motta, da RBS, defendeu o acordo com a TV Globo, disse que ele é absolutamente transparente, que as necessidades de espaço local para a RBS são negociadas tranquilamente e que a rede nacional é importante para a venda de publicidade local também. Já Rodrigo Pinto e Carlos Marques defenderam que novas regras, eventualmente em uma Lei de Comunicação, abram mais espaço para a produção regional, o que muitas vezes é impedido pelos contratos de afiliação.









Informação: Aesp/ Tela Viva News


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