O País terá uma participação importante no primeiro ano em que o Festival Internacional de Publicidade de Cannes vai premiar peças criadas exclusivamente para o rádio. Nem era para menos. O Brasil acompanhou a II Guerra Mundial e os discursos dos governantes nos anos 40 e 50 pelas ondas do rádio, que consagrou ídolos da canção e inovou com as radionovelas - o embrião das atuais telenovelas.
O Brasil levará na bagagem 63 peças publicitárias para o rádio, enquanto a Inglaterra, líder no número de inscrições, terá 84 trabalhos. A inclusão da modalidade rádio na premiação foi decorrente exatamente do movimento das agências de publicidade inglesas que, fugindo da concentração dos canais de televisão em poder do milionário das comunicações Rupert Murdoch, buscaram no rádio uma forma de veicular as informações dos clientes.
A Alemanha, onde o rádio também tem grande influência nas decisões de consumo, inscreveu 79 trabalhos. A surpresa ficou por conta da África do Sul, onde o rádio tem grande importância no interior do país, que está levando 81 trabalhos a Cannes.
O grande desafio dos jurados, como o brasileiro Lula Vieira, será entender os efeitos desse tipo de campanha em diferentes línguas e sons. Vieira, que é dono de um vasto acervo da propaganda brasileira, está otimista com a participação do País, que criou slogans e jingles memoráveis para o rádio. Ele reconhece, porém, a dificuldade de entendimento que algumas peças radiofônicas possam ter.
Talvez seja essa preocupação que levou países como o Japão a inscrever apenas 20 peças. Uma situação ainda mais visível no caso de Hong Kong, que inscreveu apenas um trabalho para concorrer na categoria que faz sua estréia no festival, com início marcado para dia 18.
Informação: Aesp/ O Estado de S.Paulo Economia


