A avalanche de campanhas publicitárias oferecendo crédito fácil para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) despertou, além da atenção do público-alvo, um sinal de alerta no Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar). O órgão instaurou processo para investigar denúncias contra as campanhas desse tipo de produto financeiro e, dentro de uma semana, deve dar o seu parecer sobre o caso - se o mesmo será arquivado ou dará origem a um processo ético.
Segundo o diretor-executivo do órgão, Ednei Narchi, o serviço de monitoria do Conar, responsável por acompanhar diariamente a propaganda brasileira, detectou o aumento expressivo de anúncios publicitários sobre crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) voltado a aposentados e pensionistas. Em seguida, vieram críticas do público contra alguns serviços, que foram acompanhadas pela imprensa, o que levou o Conar a iniciar, há cerca de duas semanas, a investigação.
"Estamos aguardando as manifestações de todas as empresas envolvidas na investigação e acredito que, na próxima semana, teremos um parecer", afirmou Narchi ao Meio & Mensagem Online, ressaltando que não pode dar mais detalhes por conta do sigilo que envolve esse tipo de encaminhamento.
O Conar chegou a receber duas denúncias - do senador José Jorge (PFL- PE) e do deputado estadual Gelson Merísio (PFL-SC) - contra as campanhas. "Mas nós já havíamos aberto processo investigativo quando as queixas chegaram", afirma Narchi. Entre os grandes anunciantes, estão os bancos Pine, Cifra, Panamericano, BGN e Cacique, conforme reportagem de 28 de fevereiro de Meio & Mensagem.
A iniciativa em conceder empréstimo consignado em folha partiu do governo federal que, por meio do INSS, cadastrou instituições financeiras. A celebração de novos convênios, no entanto, ficou suspensa por até 60 dias, desde o dia 27, devido a reclamações enviadas à Ouvidoria-Geral da Previdência contra os empréstimos. Conforme a Agência de Notícias da Previdência Social, os contratos vigentes e os que estão em tramitação continuam valendo, até que mudanças que melhorem a qualidade dos convênios sejam definidas.
Por Daniele do Nascimento Madureira
Informação: Aesp/ Meio & Mensagem Agência & Criação


