Como acompanhei, de 1986 até 1988 a articulação dos radiodifusores gaúchos com os constituintes, na confecção do capitulo que definiu as regras para o setor, fiquei de certa forma surpresa com a falta de sintonia fina entre o parlamento e os congressistas, hoje, na relação institucional.
Radiodifusores e congressistas fizeram "mea" culpa pela falta de dialogo mais produtivo. Há desinformação sobre a realidade da radiodifusão (a maior parte das emissoras é formada por pequenas e médias empresas) e isso compromete as avaliações sobre as dificuldades enfrentadas por radiodifusores, em todo o país.
Gostei de ouvir as noticias sobre o balanço social da radiodifusao gaúcha, pioneiro no país.As empresas gaúchas participaram com um total de R$ 35 milhões de forma direta em campanhas comunitárias em diversos setores: cultura, voluntariado, educação, inclusão social, benemerência, saúde etc.
Traço comum dos depoimentos feitos por radiodifusores da região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) se refere à falta de fiscalização sobre as atividades das emissoras clandestinas (rádios piratas) falta de controle na arrecadação do ECAD e até sobre emissoras estrangeiras. Há uma concorrência desleal nesse processo. Quando se disse que todos estavam com saudades do Dentel, a platéia aplaudiu calorosamente.
Auspicioso foi o anúncio da criação da Frente Parlamentar em Defesa da Radiodifusão. O líder do movimento é Ivan Ranzolin (PP/SC). No dia 15 de junho essa Frente se instala, formalmente no Congresso. Um alívio para radiodifusores. Os riscos de tolhimento à liberdade, sempre existem. Exemplo dessa ameaça foi o natimorto projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo. A Frente Parlamentar pode ser o anteparo às novas tentativas autoritárias.


