Apesar de todas as conversas sobre a tecnologia sem fio, muitos produtos eletrônicos continuam ligados a cabos. Há mudanças à vista. Em 2006, uma tecnologia destinada a operar em curta distância chamada Ultra Wide Band (UWB) proporcionará aos consumidores grande impulso em matéria de velocidade e capacidade de transmissão de dados, além de conforto.
No próximo Natal, os primeiros produtos com UWB chegam às lojas. Inicialmente, eles serão adaptadores que se ligam aos atuais eletrônicos e os conectam sem uso de fio. Tais adaptadores serão conectados a um conversor, televisor de tela plana, câmera digital ou laptop. A tecnologia será gradualmente incorporada aos eletrônicos a partir de 2006, ano previsto pelos analistas para a disseminação do UWB. Até 2007, celulares sofisticados e tocadores de música MP3 contarão com a tecnologia e permitirão a transmissão de música e vídeo de PCs sem a necessidade de adaptadores.
A UWB não é uma nova tecnologia. Usada durante muito tempo para aplicações militares e de radar, a tecnologia do rádio está sendo adaptada aos eletroeletrônicos devido à sua capacidade de transferir grandes arquivos digitais rapidamente com baixo consumo de energia. Ela é 100 vezes mais rápida do que a Bluetooth, outra tecnologia sem fio para curta distância, e se destina a distâncias de 9,1 metros. A UWB vem sendo desenvolvida nos últimos sete anos e finalmente amadureceu, disse Stephen Wood, estrategista da Intel, uma das fabricantes de semicondutores que a utilizam. "No início, periféricos para PCs e aparelhos móveis em que o cabo seria inconveniente chegarão ao mercado." Wood disse que os produtos serão fabricados inicialmente por companhias de pequeno porte, antecipando uma grande onda de fabricantes que virá logo depois.
A UWB será integrada aos produtos mais sofisticados, a começar pelos celulares, em que a incorporação de um adaptador é incômodo, disse Joyce Putsche, diretora da In-Stat, empresa de pesquisa de mercado. Portáteis como câmeras de vídeo se habilitarão a operar com a UWB antes das TVs e impressoras.
Apesar do esforço dos fornecedores, a UWB tem obstáculos a superar, como a aprovação regulatória global e a definição de um padrão comum para o setor. A UWB foi liberada em 2002 pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) nos Estados Unidos. Para Michael Rofheart, diretor da Freescale Semiconductor, os principais países da Europa e alguns da Ásia terão a aprovação no primeiro trimestre de 2006. Até o início de 2007, ele espera que 90% dos países em condições de comportar o UWB aprovem o seu uso.
Os adaptadores com chips da Freescale que chegarão ao varejo no Natal vão contar com transmissor e receptor que podem ser incorporados a quaisquer dos dois aparelhos que enviam sinais digitais entre si. O preço previsto é de US$ 200, valor que deverá cair rapidamente em 2006 à medida que os custos dos chips declinarem para a indústria. Atualmente custa menos de US$ 20 aos fabricantes de aparelhos usar chipsets de UWB e até janeiro os preços serão inferiores a US$ 10.
A Alereon estima quase uma explosão de vendas. Segundo a fabricante de chips para UWB, o número de produtos habilitados chegará a 2,4 milhões em 2006 e a 15 milhões em 2007. Até 2009, estão previstos 140,2 milhões eletroeletrônicos.
Um estudo da Parks Associates mostra que a receita anual com chipsets para UWB deverá atingir US$ 1,2 bilhão em 2009, ante os US$ 100 milhões previstos para este ano. kicker: Usada durante muito tempo para aplicações militares e de radar, a UWB é adaptada aos eletroeletrônicos de forma acelerada.
Informação: Aesp/ Gazeta Mercantil Telecomunicações & Informática


