O governo tem consciência da necessidade de reduzir tributos para melhorar a competitividade das empresas e ampliar os investimentos. "Estamos cientes de que é imprescindível reduzir os custos dos tributos para a sociedade", afirmou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, a uma platéia repleta de empresários que participaram da entrega dos prêmios "Maiores e Melhores" da revista Exame. Como exemplo de medidas para incentivar o setor produtivo, citou os benefícios concedidos pela "MP do Bem" ao setor industrial.
Convidado de honra da cerimônia de premiação, Palocci ouviu duras críticas. Ao longo de toda a cerimônia, no intervalo entre as premiações, os dois telões do salão do Clube Monte Líbano, onde aconteceu o evento, mostraram depoimentos de empresários renomados, todos criticando indiretamente o governo. Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau, Roberto Giannetti da Fonseca, da Silex Trading, e Afonso Antonio Hennel, da Semp Toshiba, entre outros, atacaram a logística brasileira, a carga tributária, a falta de velocidade das reformas, o crédito reduzido, a burocracia e a informalidade. Palocci, acompanhado do presidente do BNDES, Guido Mantega, tentou rebater os ataques com dados sobre o desempenho da economia no governo Lula.
Sem mencionar diretamente a crise política, disse que as condições para o desenvolvimento do país estão dadas. "A nossa história de instabilidade acabou. Os movimentos de idas e vindas ficaram para trás. Costumo dizer que o sistema imunológico do Brasil está muito mais fortalecido, e ganhamos tecido muscular para fazer frente com muito mais tranqüilidade às oscilações da economia internacional ou de outras frentes", disse Palocci. As palavras "outras frentes" soaram para os empresários como uma tentativa de reiterar que a economia está sólida o suficiente para resistir à crise política.
Informação: Correio do Povo


