Por Carlos Vasconcellos
A Secretaria Nacional de Segurança Pública está coordenando uma ofensiva das polícias estaduais contra a pirataria e a venda de produtos contrabandeados. Segundo o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, do Ministério da Justiça, as operações repressivas já começaram em quatro estados. O plano é tornar mensais essas operações coordenadas nos estados. De acordo com o secretário-executivo do conselho, Márcio Gonçalves, isso abre uma nova frente de combate a esse crime.
— Também é necessário reprimir a venda ao consumidor, o que depende das polícias estaduais — diz Gonçalves.
O conselho ainda não tem o resultado das primeiras operações, iniciadas este mês. Mas Gonçalves acredita que elas serão complementares às investigações da Polícia Federal e da Receita Federal, pois vão permitir cruzar informações.
Campanha ‘Eu quero o original’ nas escolas
Segundo Gonçalves, em outubro, devem ser deflagradas operações em mais quatro estados. Até a conclusão dos trabalhos, o secretário não divulgará os locais das operações, para não atrapalhar a polícia.
Para o delegado especial de Defesa do Consumidor de Mato Grosso, Márcio Pieroni, é necessário estender o trabalho para além das capitais, pois muitas vezes as quadrilhas montam seus negócios no interior. Ele compara as máfias da pirataria às quadrilhas que controlam o mercado de caça-níqueis.
— Depois que o mercado de caça-níqueis foi dividido, começaram os assassinatos — diz. — Estamos perto disso com a pirataria. Vários membros da minha equipe já foram ameaçados de morte.
A guerra contra os piratas também chega à educação. A Federação das Indústrias de Brasília (Fibra) lançou recentemente a cartilha “Eu quero o original”, com 10 mil exemplares, para distribuir em escolas.
— As pessoas têm de ver os riscos que correm com produtos falsos — diz Antônio Rocha, presidente da Fibra.
Na segunda-feira, o Paraguai lançou um plano para formalizar o comércio em Ciudad del Este, o maior entreposto de pirataria do país, na fronteira com Brasil e Argentina.
— A pirataria é crime internacional e o governo paraguaio está comprometido a combatê-lo — diz Gonçalves, do Conselho de Combate à Pirataria.
Informação: Abert/ O Globo


