BRASÍLIA. Depois de 83 anos em funcionamento no Brasil, está começando uma “Nova Era do Rádio” para as 4.500 emissoras do país. A partir de hoje, terão início as transmissões em fase de testes da rádio digital no país. Até agora, o sistema usado é o analógico, que tem recursos e qualidade de som limitados.
Já o início da TV digital no país vai demorar um pouco mais, porque somente em fevereiro do próximo ano o governo vai definir o padrão que será implantado: americano, europeu ou japonês. Mas as transmissões da TV digital podem começar já na Copa do Mundo de futebol de 2006.
As quatro emissoras que já pediram autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para realizar os testes foram a Rádio Tiradentes AM, de Belo Horizonte; a Rádio Eldorado FM, de São Paulo; as rádios Itapema FM e Gaúcha AM, ambas de Porto Alegre.
Para o consumidor, a grande diferença será o som do rádio digital, semelhante ao do CD. No caso do radiodifusor, se a rádio for FM, dependendo do modelo de negócios pelo qual optar, poderá na mesma freqüência ter até três canais: um com esporte, outro com notícias e outro com música, por exemplo. Mas neste caso sacrifica-se um pouco o som.
Primeiros receptores serão para automóveis
O assessor técnico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Ronald Barbosa, disse que os primeiros receptores digitais deverão ser para carro. Eles chegarão ao mercado no fim do mês com preços entre US$ 250 e US$ 300. Os receptores comuns custam mais caro, entre US$ 400 e US$ 500.
A rádio digital, segundo o superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian, terá um impacto econômico, pois será importante para revitalizar as rádios AM, que perderam espaço para as FM. As emissoras de rádio terão de fazer investimentos de até US$ 100 mil para digitalizar seus equipamentos.
Ouvinte poderá usar receptores tradicionais
BRASÍLIA. A aposentadoria dos aparelhos de rádio analógicos ainda vai demorar cerca de dez anos. Mas se o ouvinte tem um rádio analógico poderá continuar usando o seu receptor mesmo com o início das transmissões digitais. A tecnologia Iboc (In-band on channel), que será usada pelas emissoras, permite que os atuais aparelhos de rádio continuem recebendo os dois sinais normalmente.
As rádios usarão os dois recursos na mesma freqüência. No entanto, os ouvintes não vão se beneficiar da qualidade de som do sistema digital. Para isso, será preciso comprar o aparelho moderno. Desse modo, o consumidor se beneficiará principalmente quando sintonizar uma estação AM. Isso porque, com a tecnologia digital, o som passará a ser estéreo como o da FM, com maior clareza nos sons.
Segundo os técnicos, o meio analógico, usado atualmente, é sensível a ruídos e interferências na comunicação. Na rádio digital, o sistema “apaga” quando há interrupção brusca. Mas isso é muito mais difícil de ocorrer devido à qualidade da transmissão. Como comparação, há menos de dez anos, as ligações do celular analógico caíam constantemente, além de sofrerem interferências.
Ainda não há decisão sobre tecnologia de TV digital
No caso da TV digital, o governo ainda não definiu qual tecnologia será implantada no Brasil. Segundo o superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian, independentemente da tecnologia escolhida, os princípios previstos na Constituição para a radiodifusão serão mantidos, entre eles a gratuidade do serviço para o consumidor.
Alguns pontos do funcionamento do sistema digital de TV já estão acertados. Sabe-se que será usado um conversor para permitir que o consumidor use a sua TV analógica para receber as transmissões digitais. O aparelho custaria hoje entre US$ 80 e US$ 100. As emissoras vão receber um segundo canal para transmitir os sinais analógicos e digitais ao mesmo tempo, o que vai ocorrer durante 15 a 20 anos.
A alta definição, com imagem de cinema e som de CD, é apenas uma das vantagens da TV digital. Ela também deverá proporcionar a interatividade: o usuário, por meio do controle remoto, pode ter, por exemplo, mais informações sobre o programa que estiver sendo exibido.
Também poderá ser oferecido ao consumidor a portabilidade, onde se assiste à TV em um aparelho de mão, movido a bateria. A mobilidade — o televisor é instalado em um táxi, por exemplo — é outra vantagem da tecnologia digital.
Informação: Mônica Tavares/ Abert/ O Globo


