O senador Hélio Costa (PMDB)parece ter chegado ao Ministério das Comunicações com uma missão: tornar digital a radiodifusão, da forma mais rápida possível, sem permitir que as operadoras de telecomunicações invadam este mercado.
Ele não gosta que sua experiência de radiodifusor seja citada nas reportagens que tratam de sua atuação à frente da pasta, mas é inevitável.
Costa foi repórter do Fantástico, chefe da Sucursal da Rede Globo nos Estados Unidos e hoje é acionista da Rádio Sucesso, em Barbacena (MG), sua cidade natal. “Vamos terminar este ano os estudos da TV digital e começar sua implementação”, afirmou o ministro, na semana passada. Ele prometeu que haverá a transmissão dos jogos da Copa do Mundo da Alemanha em alta definição no ano que vem, pelo menos em São Paulo.
Os radiodifusores defendem a adoção no Brasil do sistema japonês ISDB-T. “Não abrimos mão da mobilidade”, afirmou José Francisco de Araújo Lima, da Globo. A tecnologia permite transmitir um sinal para o aparelho de TV e outro para o celular no mesmo canal, e seria uma arma contra a entrada das operadoras celulares no mercado de TV móvel.
Alguns setores do governo não vêem com bons olhos a alternativa do ISDB-T, sistema adotado por um país só. As negociações estão mais avançadas com os europeus, que aceitaram incorporar aplicativos desenvolvidos pelos centros brasileiros de pesquisa em seu sistema, chamado DVB-T.
Para a televisão em celulares, a Europa tem outra tecnologia, chamada DVB-H, que usa canais separados da televisão convencional. Pelas indicações do governo federal, o sistema norte-americano de TV digital terrestre, conhecido como ATSC, tem pouca chance de ser adotado.
“Investimos R$ 80 milhões e disseram que estávamos jogando dinheiro fora”, afirmou André Barbosa Filho, assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, sobre o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), que reuniu universidades brasileiras para desenvolver uma solução local. Ao que tudo indica, a base dessa solução será o DVB-T.
Mais que a tecnologia, as emissoras temem o modelo europeu de TV digital, que rompeu com a verticalização da indústria. Lá, o produtor do conteúdo não é necessariamente o dono do canal. A Europa viu na digitalização uma oportunidade para aumentar a concorrência na televisão. Aqui, as emissoras querem a digitalização sem mudar o mercado.
Há a previsão de que o estudo sobre o padrão de TV Digital mais adequado para o País esteja concluído no dia 10 de dezembro. O grupo de trabalho do governo federal terá, então, de entregar uma proposta ao presidente Lula até o dia 10 de fevereiro.
Informação: Aesp/ O Estado de S.Paulo


