O Congresso da Radiodifusão serviu para confirmar o que já se sabia: somos todos movidos pela paixão. Mais ou menos tomados pela emoção e pelo encantamento com o que fazemos, somos todos iguais na dedicação e no amor pela atividade que abraçamos. Radialistas ou radiodifusores, não importa. Há sempre um microfone a nos chamar. Reveja a programação de nosso encontro de Canela. Relembre nas próximas páginas os diversos painéis e debates. Os discursos motivacionais, as informações técnicas mais detalhistas e mesmo as conversas dos intervalos. Digital ou analógico, em AM ou em FM, o rádio se sintoniza com a alma. Vale o mesmo para nossa pretensiosa irmã, a televisão. Não é por nada, mas temos o rádio na origem, tanto quanto a TV também o tem.
Foram momentos inolvidáveis os que vivemos naqueles dias, no Laje de Pedra. Comovente a cerimônia de despedida de Afonso Motta e de posse de Roberto Cervo. Ambos cumpriam metas que decididamente traçaram um dia. Afonso chegava ao fim de uma gestão marcada pela presença institucional muito forte, em que a Agert ocupou, como nunca, posição de prestígio entre as demais entidades associativas, organizações não governamentais e poderes públicos constituídos. O combate à pirataria, a luta indormida pela fixação de marcos regulatórios compatíveis com a modernidade e o balanço social da radiodifusão, entre outras, foram realizações bem lembradas por todos que aplaudiram e homenagearam o homem simples da fronteira que chegara à condição de líder de uma atividade tão importante, essencial até: a radiodifusão. Outra das diretrizes que Afonso traçara estava sendo alcançada naquela noite. Sempre fora seu propósito dar posse a um sucessor do interior, não apenas pela origem, mas pela base de sua atuação profissional. Era também a legítima aspiração de um dedicado radialista e radiodifusor: Roberto Cervo, o Melão, o indicado. Acolhido pelos demais integrantes da Diretoria, conduziu-se a sucessão marcada pelo consenso, situação ideal para o momento histórico que enfrentamos, quando a unidade é absolutamente indispensável. Unidade que temos experimentado plenamente, como se constata na relação de autêntica e inteira parceria com o SindiRadio, por exemplo.
As noites e madrugadas de convívio social, no restaurante, nos salões e no bar mais aproximaram todos os congressistas e nas conversas que muitos embalaram até o amanhecer ainda se reafirmou o que está alinhado desde o começo deste recado: a paixão é nossa mola propulsora e disso tivemos certeza com a aventura da Rádio Agert, cujos detalhes são contados ao longo da presente edição de nosso jornal.
Se é verdade que as horas diante do microfone de nossas exclusivas emissoras em AM e FM foram de puro prazer, também é correto revelar que se percebia o brilho nos olhos de todos os entrevistados, fosse no estúdio ou nos corredores, a começar pelo Governador Rigotto, que até pediu que a rádio fosse sua depois do evento. Todos vibravam com a experiência e falavam disso no último jantar, quando o bingo destinou um Fox zero quilômetro a um jovem serrano.
Nas brincadeiras que o Paulo Boa Nova conduzia durante a premiação, todos entraram. Cada número cantado pelo Melão merecia uma paródia do Paulinho, saudando um colega, provocando uma intriga de mentirinha, mas sempre seguida de um desejo sincero. Era quando ele gritava: “fulano...tomara que tu ganhes!”
E todos ganhamos, sem dúvida. Cada um com o que lhe coube e o rádio com o que ganhou de todos que estavam lá: o amor de todos nós. Da área de conteúdo ou de gestão, das mesas técnicas ou de produção, todos vivemos horas sagradas de paixão pelo rádio naqueles dias. E, realimentados pela emoção multiplicada, seguimos nossos caminhos. No mesmo rumo de sempre em nossas vidas: a busca dos melhores caminhos para a grande vitória do rádio. E para tanto contamos com inestimáveis parceiros, nossos vitoriosos expositores, patrocinadores e colaboradores, que se buscam resultados de produção, também apostam de olhos vendados do mesmo jeito que os radiodifusores. É porque apostamos e vivemos sempre movidos pela paixão. Na volta, descendo a tortuosa estrada serrana, todos ainda faziam um pouco mais, ouvindo rádio, com certeza.


