10 de Janeiro de 2006 - Os brasileiros, de uma forma geral, gostam de trocar seus aparelhos de televisão antes de uma Copa do Mundo. Trata-se de evento que, aparentemente, justifica essa substituição para melhor assistir aos jogos. Com efeito, Ruy Salles Cunha, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), prevê que a próxima Copa deverá antecipar as vendas de televisões em torno de 4%.
Não é de se estranhar que o início dos testes da televisão digital terrestre no Brasil esteja agendado, precisamente, para a próxima Copa, com início da comercialização previsto para 7 de setembro de 2006.
Os aparelhos modernos são preparados para o sistema digital, porém, se for considerado o baixo poder aquisitivo do brasileiro, parece despropositado induzir cada telespectador a adquirir um novo e dispendioso televisor apenas para continuar assistindo aos canais de sempre via transmissão digital.
A solução veio na forma de uma "caixa conversora" capaz de reproduzir o sinal digital nos televisores preparados apenas para o sistema analógico. Tais caixas podem chegar ao mercado com preço final entre R$ 60,00 e R$ 70,00, em sua versão mais simples, podendo, os modelos que disponham de ferramentas mais sofisticadas, chegar a R$ 400,00.
A expectativa dos especialistas é de, em setembro, serem utilizadas até 10 mil caixas conversoras, pois o Brasil já detém a tecnologia necessária para sua fabricação e poderá passar a produzi-la localmente em poucos meses, de acordo com Marcelo Zuffo, professor da Universidade de São Paulo (USP) especialista do setor.
Atualmente é aguardada definição quanto ao padrão a ser utilizado, dentre os internacionais existentes: o europeu (DVD), o japonês (IFDB) e o norte-americano (ATSC). A meta do governo é decidir qual será o padrão adotado pelo Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) até fevereiro.
O SBTVD vem sendo estudado por vinte consórcios universitários coordenados por um comitê de pesquisa e desenvolvimento, cujo resultado, até o momento, foi classificado como "muito bom" pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa em divulgação à imprensa.
Com toda sua experiência, adquirida inclusive como repórter e administrador de uma rede televisiva, Hélio Costa vem demonstrando grande preocupação com o tema e indica que não medirá esforços para que o Brasil seja capaz de dominar a tecnologia da televisão digital da maneira mais eficiente e econômica possível.
O SBTVD pretende usar ferramentas de cada um dos três sistemas internacionais para atender à necessidade brasileira. "Nossa decisão não passa pelo que os americanos acham, ou pelo que os europeus querem, ou pelo que os japoneses pretendem", declarou o Ministro em recente encontro na USP.
Durante o evento, no qual foram apresentados os principais resultados das pesquisas até o momento, o Ministro disse que pleiteou a inserção de uma emenda ao orçamento de R$ 200 milhões, provenientes do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico, pela Comissão de Educação da Câmara. O dinheiro seria usado para financiar a continuidade dos estudos, pois após a definição dos padrões de transmissão, faltará ainda resolver questões como a implantação e a parte industrial.
A competição para a produção será intensa no País, onde existem hoje entre 60 e 70 milhões de televisores em funcionamento. Há genuíno interesse em incentivar a indústria regional e local na produção de instrumentos digitais sem que o sistema profundamente estudado e elaborado resulte em uma aberração tecnológica, o que fatalmente inibiria a exportação de televisores digitais brasileiros.
Dificilmente se repetirá o erro cometido com a televisão a cores, quando, no auge do regime militar, foi adotado um sistema próprio de transmissão, o polêmico PAL-M, opção de apenas dois países: Brasil e Laos.
A posição do governo parece estar no sentido de defender a indústria nacional, para que participe positivamente desse desenvolvimento, mas sempre em linha com as tendências internacionais.kicker: Televisores analógicos terão caixa conversora capaz de reproduzir o sinal digital e assim evitar gasto imediato
Informação: Abert/ Gazeta Mercantil - TI & Telecom


