Mônica Tavares
BRASÍLIA. O governo decidiu reabrir as negociações comerciais com representantes dos três padrões de TV digital — japonês (ISDB), europeu (DVB) e americano (ATSC) — um dia depois de técnicos terem descartado o sistema dos Estados Unidos e indicado que o melhor era o do Japão. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que o governo retomou as negociações, para verificar quais são as contrapartidas que poderão ser oferecidas.
Costa admitiu, contudo, que existem limitações para alguns sistemas. Ele disse que o governo brasileiro não descartou qualquer dos padrões de TV digital e que o momento é de negociação direta com japoneses, europeus e americanos:
— Se nós decidirmos o que está descartado e o que não está, prejudicamos a negociação. Foi uma posição que nós assumimos hoje (ontem), de voltar com todas as opções, para que todos possam oferecer uma contrapartida.
O ministro disse que o padrão de TV digital que será escolhido é aquele que estiver contido em 6 megahertz (MHz, faixa de freqüência), que possa fornecer a imagem com alta definição e, ao mesmo tempo, fornecer definição standard (vários canais na mesma faixa), portabilidade e mobilidade.
— O padrão que oferecer isso em 6 MHz pode ser considerado e aceito por todas as redes de televisão. Se você perguntar a um técnico, a um engenheiro, e eu não sou engenheiro, é possível que ele lhe diga que o padrão japonês neste momento atende a todas essas especificidades — afirmou Costa.
Emissoras pedem uma TV aberta a todos
Os representantes das emissoras de TV entregaram ontem à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma carta destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, segundo Costa, especifica que é importante que a TV digital seja uma TV aberta, destinada a todos os brasileiros, que comporte a alta definição, permita o sistema standard , a portabilidade e a mobilidade. Ele contou que todos os radiodifusores estão unidos nesse posicionamento e que todas as redes brasileiras assinaram o documento.
Entre os modelos em discussão, uma das vantagens apontadas no sistema japonês de TV digital é que ele permite fazer interatividade por meio do canal de radiodifusão. Nos outros padrões, a interatividade é feita somente por meio da linha telefônica. O modelo de negócios brasileiro considera fundamental a interatividade por meio da TV aberta, por ela estar presente em mais de 90% dos lares brasileiros, o que permite a universalização do serviço.
O conversor que será usado para que os aparelhos de TV analógicos recebam as transmissões digitais ( set-up box ) está custando atualmente R$ 220. Mas o ministro acredita que, nos próximos seis meses, o preço possa cair significativamente. Ele defendeu ainda a criação de linhas de crédito do Banco Popular, para que o produto seja parcelado em 30, 40 ou 50 vezes.
Prazo para definição é 10 de fevereiro
O fim do prazo previsto para a escolha do padrão de TV digital a ser implantado no país é o próximo dia 10 de fevereiro. Embora o ministro reconheça que poderá haver algum atraso na conclusão do trabalho, ele disse que é importante que na primeira quinzena de fevereiro o sistema de modulação da TV digital seja decidido, porque são necessários de seis a oito meses para fazer um transmissor de TV digital.
As primeiras transmissões experimentais serão feitas em junho, na Região Metropolitana de São Paulo. Já as operações comerciais devem começar em 7 de setembro de 2006.
O ministro acrescentou ter apresentado aos técnicos do governo argentino, que estão acompanhando o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, em sua visita ao Brasil, as propostas brasileiras.
— Eles querem saber como estamos agindo e temos interesse em saber o que eles estão pensando — disse Costa.
Informação: Abert/ O Globo - Economia


