Carlos Franco
A Copa 2006 entra em contagem regressiva e, com ela, vários atrativos online para ver, ouvir e ler sobre os jogos, especialmente sobre as chances de o Brasil conquistar mais uma estrela no torneio mundial de futebol, tornando-se hexacampeão. Na mídia, a grande novidade desta Copa são os aparelhos celulares, que permitem tirar e enviar imagens ao vivo dos jogos e, em alguns países, se transformarem em aparelhos de televisão, permitindo ao público acompanhar individualmente a transmissão integral das partidas, reter imagens de gols e acoplar este serviço ao já tradicional envio de e-mails, com imagem e textos, e mesmo pequenos filmes, espécie de curtas-metragens não editados.
É essa mudança que está transformando a finlandesa Nokia no maior produtor mundial de câmeras digitais. Foram 100 milhões de celulares com câmera produzidos no ano passado, mais 40 milhões de celulares com Music Player e 25 milhões de celulares tipo SmartPhone, o modelo tradicional que vai perdendo mercado para os mais sofisticados.
No mundo, a estimativa é de que, no ano passado, 740 milhões de celulares foram vendidos globalmente. Não há dúvidas, porém, que são os que possuem câmeras e agora telas mais potentes os preferidos do consumidor, diz Fiori Mangoni, gerente de produtos da Nokia Brasil. A empresa já está produzindo em escala industrial na Europa aparelhos com o sistema de TV digital europeu, de olho na transmissão de jogos. “Isso será possível por meio de acordos com as concessionárias das imagens”, diz Mangoni.
Ele põe o dedo numa ferida que hoje faz movimentar poderosos grupos de pressão sobre o padrão de TV digital a ser adotado pelo País. Essa convergência de mídias que permite o padrão europeu assusta emissoras, que preferem o modelo japonês, que obriga as operadoras de celulares a terem que realizar processo de convergência apenas com autorização. Já o padrão americano, menos disseminado que o europeu, também está na mesa de discussão do governo e do Congresso.
De qualquer forma, fabricantes e operadoras têm pressa nessa corrida, e o celular que hoje ganhou múltiplas funções também está prestes a se transformar em veículo de mídia, para a difusão de publicidade. Neste caso, o assunto também é polêmico, porque as operadoras teriam de abrir a anunciantes dados do perfil de seus clientes e estes podem reclamar da invasão de privacidade.
Há quem defenda que aqueles que permitirem o envio de publicidade sejam beneficiados de alguma forma por tarifas, que seriam pagas pelos anunciantes.
A operadora italiana de telefonia celular TIM, por exemplo, já se prepara até para oferecer filmes para celulares. “Na Europa, já começam a surgir locadoras de filmes por sistema de cartão para serem veiculados no celular”, diz Stefano Melucci, gerente de Desenvolvimento de Produtos e Serviços de Valor Agregado da TIM. A aposta mais firme da operadora, porém, é exatamente a transmissão de programas de televisão pelo celular. No Brasil, três modelos da Nokia (6681, 6600 e 3650) já permitem esse uso. É o serviço TIM TV Access, que permite que esses aparelhos sejam ativados para a captação da programação da Band e, via TVA, de BandSports, BandNews, Bloomberg e TVA no Ar, além de Climatempo, TV Câmara, TV Senado e SAT 2000 (canal do Vaticano).
“Essa é uma realidade e deve provocar o surgimento de empresas como aconteceu com o ring tones (os sons musicais dos aparelhos), os games e, agora, videoclips e filmes. A Copa da Alemanha promete ser o campo de teste da transmissão em tempo real (broadcasting).
Informação: Aesp/ O Estado de S.Paulo - Economia


