Japão aposta ser "o escolhido" para a TV Digital

São Paulo, 6 de Março de 2006 - No próximo dia 10, o governo federal promete dar fim ao capítulo de uma novela iniciada há seis anos, quando já titubeava quanto aos rumos que tomaria para a chegada da TV digital no Brasil. Em dias de reta final, os japoneses acreditam que seu padrão (ISDB) tem a preferência frente aos sistemas americano (ATSC) e europeu (DVB).

Mesmo após abrirem mão dos royalties de patentes, apoiarem a colaboração tecnológica e permitirem que o Brasil inserisse aplicações desenvolvidas localmente em seu padrão, os japoneses continuaram a receber críticas de que seu padrão peca pela falta de interatividade. Mas segundo o executivo Murilo Henrique Filho, diretor da MP Consulting, que dá consultoria ao padrão digital japonês no País há seis anos, não há qualquer barreira para interação entre usuário e tecnologia. "Isso não é verdade. E dou um exemplo bem claro. A partir do dia 1 de abril, toda a programação da TV aberta do Japão estará disponível para usuários de celulares. As pessoas poderão assistir a TV como se estivessem em casa, e não terão que pagar um centavo por isso. Além disso, poderão interagir com a programação", diz Henrique, destacando que os canais estarão disponíveis para qualquer celular com antena para receber os sinais de TV.

"Esse é o modelo que se pretende implementar no País", diz o executivo, destacando que, na atual legislação brasileira, não há restrições para veiculação de TV aberta em celulares.

Segundo o executivo, a chegada da programação aberta aos celulares não depende das redes 3G, que darão acesso à web. No entanto, o interesse de emissoras e teles em distribuir o conteúdo da TV digital aberta está diretamente relacionado à internet, já que o acesso permitirá a interação com a programação.

Mas a possibilidade de se ver TV no celular não deve ser realidade no Brasil antes de 2008. Ainda há muitas dúvidas por parte das emissoras de TV sobre o modelo de receita que se aplicaria na rede móvel, o que já não acontece com as teles, que ganhariam em tráfego de dados com as ações de interatividade.

E se o padrão japonês não for escolhido? "Todos nós vamos perder", declara o executivo Yasutoshi Miyoshi, presidente da Primotech 21, que representa no Brasil quatro fabricantes japonesas, algumas especializadas em componentes para TV digital.

Segundo o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpQD), a transição para o padrão digital deverá movimentar R$ 7 bilhões. Além de um mercado representativo na América do Sul, a escolha do sistema oriental tiraria o Japão de um "isolamento" mundial, já que apenas a ilha é a única usuária de seu padrão.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 2)(André Borges)





Informação: Abert/ Gazeta Mercantil - TI & Telecom - TV Digital


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