Cientistas, pesquisadores, professores universitários e técnicos de telecomunicações reuniram-se ontem, para discutir as aplicações e debater a importância da adoção do modelo brasileiro de TV Digital (SBTVD) e a relação deste com outros sistemas — japonês, europeu e americano —, também disponíveis no mercado internacional. O encontro ocorre em momento de apreensão do setor de pesquisa e de ciência e tecnologia do País, diante de rumores de que o governo brasileiro estaria disposto a abrir mão do modelo próprio, para adotar o japonês.
“Estamos apreensivos porque o governo iria anunciar no dia 10, o modelo de TV digital a ser implantado no País, e não o fez. Não queremos ser surpreendidos com a adoção de um modelo japonês”, ressaltou o ex-secretário Nacional de Telecomunicações e professor de Informática do Cefet-CE, Mauro Oliveira. Reunido no Instituto Atlântico com outros pesquisadores, Oliveira desabafou: “não acreditamos que o governo vá agora, abortar um projeto de Estado”.
O novo modelo SBTVD viria a substituir o atual sistema convencional de TV, permitindo maior interatividade do usuário com o meio televiso, garantindo a inclusão social digital. Para o professor do Departamento de Computação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando de Carvalho Gomes, a opção pelo modelo brasileiro extrapola as questões técnicas.
Apesar de não garantir definição de imagem igual a do japonês, o SBTVD é próprio para as características do povo brasileiro — carente de interatividade e excluído do mundo tecnológico digital.
Ressalta no entanto, que se o governo optar pelo modelo japonês, apenas 5% da população brasileira terá acesso à nova tecnologia, já que ele exige a aquisição de televisores de alta definição, com preços inacessíveis a grande parcela da sociedade.
ÍCONE — Para Mauro Oliveira, porém, as questões técnicas que mais se adequam à realidade do brasileira ou a opção de escolha entre sistemas A, B ou C, não é mais importante a ser discutido nesse momento. Para ele, é a possibilidade do País de dotar-se em uma tecnologia própria, a exemplo do que fez com os aviões produzidos pela Embraer e com as tecnologias de prospecção de petróleo, desenvolvidas pela Petrobras.
Informação: Abert/ Telecomunicações - Diário do Nordeste - Negócios


