A implementação da TV digital no Brasil pode ser precedida de uma ampla mudança no sistema industrial, com convergência de tecnologia e formação de novas cadeias produtivas. A constatação é do coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), jornalista Celso Schröder, que na manhã desta terça-feira participou da audiência pública na Comissão de Serviços Públicos, que tratou dos desafios para implantar a TV digital no País.
Schröder disse que a discussão sobre qual modelo de TV digital deva ser adotado pelo Brasil é "apenas a ponta de um iceberg". O que está em jogo, segundo o jornalista, é a digitalização da indústria nacional e a redistribuição do mercado de comunicação. Atualmente, três padrões de transmissão digital disputam a preferência do governo brasileiro: europeu, americano e japonês.
Para a engenheira do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da PUC-RS, Maria Cristina de Castro, o País poderia escolher um sistema híbrido, mesclando a tecnologia nacional digital com as internacionais. Desde a década de 90, centros de pesquisas nas universidades brasileiras estudam modelos digitais de transmissão e captação. "O pior seria adotar um sistema internacional na íntegra", opinou a pesquisadora.
A opinião é compartilhada pelo engenheiro Fernando Castro, também da PUC-RS, que vê na mudança uma oportunidade histórica de "se livrar da dependência exterior". Castro defende o apoio à rede de pesquisa nacional para contrapor aos padrões internacionais. Seria a tropicalização do sistema. Entretanto, informações extra-oficiais dão conta de que o Ministério das Comunicações teria preferência pelo modelo japonês.
Para Alexandre Kieling, da Associação Brasileira de Televisões Universitárias, o debate não deveria ficar restrito ao governo federal, que erra ao não dialogar com a indústria, e somente com os radiofusores. Kieling teme que as TVs universitárias fiquem à margem do processo de digitalização da TV brasileira.
Proponente do debate, o deputado Raul Pont (PT) disse que o objetivo da audiência foi situar os parlamentares e a sociedade gaúcha acerca do tema, como forma de viabilizar ações. Pont entende que a discussão deva se estender, apesar da pressa do governo em definir o padrão. O anúncio da escolha estava marcado para semana passada, mas foi adiado.
O presidente da Comissão de Serviços Públicos, deputado Luis Fernando Schmidt (PT), considera a TV digital um avanço importante, mas sugere uma fase de transição e cautela quanto ao tempo de implantação. A audiência contou com a presença de Clementino Lopes Santos, da Associação Brasileira de Radiofusão Comunitária.
Saiba mais sobre a TV Digital
1 - Meu televisor será aposentado?
Não. Primeiro, a TV analógica (atual) continuará por mais uns dez anos. Segundo, com um decodificador (que deve custar entre R$ 150 e R$ 600), você já receberá TV digital com melhor qualidade de imagem e som.
2 - Todo televisor "pega" TV digital?
Sim, desde que você acople nele um decodificador.
3 - Televisor de R$ 10 mil já "pega" alta definição?
Já há vários modelos que se anunciam como "prontos para HDTS". Mas nem todos têm monitor de alta definição, não são capazes de exibir imagens em 1.800 linhas. Televisores de R$ 3 mil já oferecerão uma TV muito melhor que a analógica.
4 - O que a TV digital oferece?
Interação com o telespectador, acesso a e-mail, melhor qualidade de imagem e divisão de um canal existente em até quatro, aumentado a quantidade de programas e de competidores.
5 - Quem prefere qual padrão?
Redes de TV: preferem o japonês porque querem transmitir em alta definição e para receptores móveis. A transmissão em alta definição não permite a entrada de novos competidores em grandes centros urbanos.
Operadoras de telefonia: padrão europeu, porque dá mais oportunidade de negócios para que elas entrem no ramo de transmissão de conteúdo.
Fornecedores de equipamentos: padrão europeu, porque dá mais ganho de escala, uma vez que é adotado em 57 países.
6 - Após a decisão do governo, o que muda?
A substituição dos televisores analógicos por digitais pode levar até 15 anos. As redes de televisão existentes receberão emprestado do governo um canal adicional para continuarem transmitindo a programação em sinal analógico.
Fonte: FolhaOnline
Informação: Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul


