BRASÍLIA - A acirrada disputa entre europeus e japoneses pelo mercado brasileiro de TV Digital ganhou um novo e inesperado concorrente. O Brasil recebeu uma proposta da China para desenvolver, junto com a Índia e a Rússia, um protocolo de televisão digital próprio, alternativo às tecnologias disponíveis.
A China conta com um protocolo próprio, que adotará para assegurar sua independência nesta nova tecnologia e manter o controle direto sobre todos os aspectos de sua indústria de produção de conteúdos.
A proposta foi apresentada pelo governo chinês ao secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, que demonstrou entusiasmo. Ele se encontra na China com a delegação do vice-presidente, José Alencar.
- Seria aberto um grande mercado, assim como seriam ampliadas todas as possibilidades tecnológicas de superar limitações de padrões já existentes - afirmou.
Ele também acredita que um modelo desenvolvido pelas quatro potências emergentes juntas (às quais tornou-se comum referir-se como Bric) ""permitiria controlar a cadeia de negócios do setor, inclusive a produção de conteúdo"".
- Se a proposta não for adiante, ao menos permitirá que tenhamos mais vantagens nas negociações em andamento.
A chegada do novo concorrente deverá deixar em polvorosa representantes das tecnologias japonesa (ISDB) e européia (DVB), que acenam com a possibilidade de apoio à instalação de uma indústria de semicondutores como incentivo à decisão do governo brasileiro.
No Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a decisão sobre o padrão de TV digital está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será anunciada em breve. No início do mês, interlocutores do governo davam como certa a opção pelo padrão japonês. Os rumores levaram o lobby europeu a oferecer uma série de contrapartidas, e o governo acabou por adiar a decisão.
- Tenho certeza que teremos em breve a decisão com a incorporação de tecnologia, investimentos e o melhor serviço - disse Furlan, após participar de audiência pública na Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara.
Furlan declarou ainda que a possibilidade de instalação de uma fábrica de semicondutores, que seria na região metropolitana de Minas Gerais, não altera as negociações para a escolha do padrão de TV digital.
- As unidades de produção de semicondutores não são necessariamente para a montagem de aparelhos de TV digital - disse o ministro, ao comentar informação publicada pela Gazeta Mercantil há uma semana.
Furlan comentou que o projeto para criação da Companhia Brasileira de Semicondutores (CBS) poderá atingir outros setores produtivos e não necessariamente apenas os fabricantes de TV.
Informação: Abert/ Jornal do Brasil - Economia


