O grupo de ministros que estuda a TV digital viajará para o Japão e a Coréia do Sul em, no máximo, duas semanas para discutir a possibilidade de implantação de uma fábrica de semicondutores e de circuitos de televisores de cristal líquido no Brasil.
Deverão participar da viagem a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros das Comunicações, Hélio Costa, e da Fazenda, Antonio Palocci. Também poderá integrar o grupo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.
A fábrica de semicondutores é condição estabelecida pelo governo brasileiro na escolha do padrão (sistemas de transmissão) da TV digital, em disputa por Japão, União Européia e Estados Unidos.
- O governo já tem praticamente todo o subsídio necessário para a tomada de decisão com respeito ao padrão. O que queremos agora é garantir que o Brasil vai ter o apoio do governo japonês, coreano e qualquer um da União Européia para que nós possamos realmente agora dar um passo decisivo na indústria eletrônica brasileira - afirmou Costa.
No Japão, haverá conversas com executivos da Toshiba, da Sony, da Panasonic e da NEC. Na Coréia, com dirigentes da Samsung. Antes da viagem, o ministro se reúne na terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do assunto. Conforme Costa, a decisão sobre a escolha do padrão depende exclusivamente do presidente e pode ser tomada nas "próximas horas" ou nos "próximos dias".
Segundo o ministro, os investimentos para instalar a fábrica de semicondutores deverão ficar entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.
- O que nós estamos vendo é que no ano que vem, se ficarmos dependendo de vender televisores de tubo para a América Latina, o nosso mercado acaba, nós não vamos ter mais para quem vender - afirmou.
O ministro desconversou quando foi questionado se a viagem ao Japão poderia significar que o Brasil já fez sua escolha pelo padrão japonês. E reagiu às declarações do comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, na quarta-feira, de que o Brasil ficaria isolado caso adotasse o padrão japonês:
- Isso é uma balela. É um blefe. É abusar da inteligência dos brasileiros. Eles é que vão acabar ficando isolados, porque estão vendendo um sistema que não funciona nem para eles. Vieram fazer um teste em São Paulo e nem funcionou.
Mandelson tem encontros marcados com Furlan e Palocci no dia 31, e pediu audiência com Lula.
Por que é importante
A instalação de uma fábrica de semicondutores seria o símbolo de que o Brasil entrou realmente na era da nova tecnologia de informação.
Os semicondutores são matéria-prima na produção de microchips, por exemplo, presentes em equipamentos eletrônicos como celulares, TVs e computadores
Como o Brasil não produz microchips, gasta US$ 2,5 bilhões por ano só com a importação desse produto - quase a metade de um total de US$ 5,2 bilhões desembolsados na compra de equipamentos e componentes eletrônicos.
O Ministério da Ciência e Tecnologia calcula que a produção de microchips no país representaria uma economia aproximada de US$ 2,7 bilhões na balança comercial.
Além disso, o Brasil também poderia passar a exportar o produto.
Informação: Zero Hora


