Participantes de bate-papo promovido ontem pela Agência Câmara se mostraram preocupados com as despesas que os consumidores terão com a implantação da TV digital.
"Inicialmente, o usuário vai ter que gastar algo em torno de R$ 200 a R$ 300 em um conversor e, no futuro, talvez umas cinco ou seis vezes mais esse valor para adquirir um aparelho", calculou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), autor do Projeto de Lei 6525/06, sobre TV digital.
O tempo de transição estimado para a cobertura total pela TV digital no Brasil varia de 10 a 15 anos. Até lá, Pinheiro acredita que a produção de aparelhos analógicos diminua, com aumento na venda de novos aparelhos e a conseqüente redução de preços desses novos televisores. No período de transição, no entanto, o usuário pode usar um conversor na sua TV, desde que ela tenha mais de 20 polegadas.
Inclusão social
Walter Pinheiro reafirmou que, mais importante do que o debate sobre modelos e padrões tecnológicos, é a inclusão digital que o novo modelo pode proporcionar à população brasileira.
Ele lembrou que quase 95% dos lares brasileiros usam TV aberta, e a maioria não tem acesso à internet, nem mesmo à telefonia. "Daí a necessidade de definir os modelos de negócio, visando à democratização da informação, com a multiplicação dos canais, e preparando terreno para que a convergência tecnológica chegue ao cidadão no ponto mais distante e de baixa renda", declarou, em resposta ao participante Eduardo.
Padrão
A indefinição brasileira na escolha do padrão de TV digital a ser adotado pelo Brasil foi um dos assuntos mais abordados.
O debate está dividido entre os que defendem a adoção de um modelo brasileiro e os que optam por um dos padrões já desenvolvidos: o norte-americano, o europeu e o japonês. No chat, não foi diferente. Alguns participantes defenderam a adoção de um sistema brasileiro. "Adotar um padrão estrangeiro não seria uma temeridade, considerando-se que nenhum deles atingiu o ponto de consolidação", questionou o participante identificado como Negreiros.
O internauta João mostrou-se a favor do modelo europeu. "O sistema DVB [europeu] seria a melhor opção para o País. Deveríamos seguir o modelo que atualmente é o mais usado no mundo, onde obteremos melhores ofertas de produtos e serviços", disse.
Walter Pinheiro lembrou que o governo ainda não escolheu o modelo a ser implantado. Na opinião do parlamentar, o padrão, seja ele qual for, precisará ser adaptado às necessidades brasileiras.
"Nosso principal objetivo é criar um sistema que se adapte às peculiaridades nacionais, contemplando nossos desenvolvimentos tecnológicos. Estamos em negociação com os padrões estrangeiros de forma a contemplar esses objetivos", disse Pinheiro, em resposta a João.
Por outro lado, o deputado argumentou que o Brasil entrará nessa nova tecnologia ao mesmo tempo que todo o mundo. "Não há consolidação em lugar nenhum. O mundo vive um cenário de testes", disse.
Tramitação
O PL 6525/06 tramita pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. Na primeira comissão, foi designado relator o deputado Murilo Zauith (PFL-MS).
Depois de votada nas comissões, a proposta irá ao Senado.
Informação: Agência Câmara


