O espetáculo do futebol em imagens digitais, mais bonitas e atraentes, foi oficialmente adiado. Previsto para começar a funcionar em caráter experimental na Copa do Mundo deste ano, a partir de junho, a TV digital brasileira vai demorar um pouco mais para chegar.
A intenção de realizar as primeiras transmissões na Copa da Alemanha foi anunciada em dezembro, pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Na ocasião, ele anunciou também a digitalização da programação completa das principais redes televisivas do Brasil até setembro.
Na semana passada, no entanto, ele reconheceu que os sucessivos atrasos na escolha do padrão de modulação que o Brasil adotará, inviabilizou o cronograma previsto.
- A nossa previsão, em janeiro, era para setembro. Como estamos em abril, então nós empurramos esse cronograma para, no mínimo, novembro, ou começo de dezembro - afirmou Costa.
Fontes ligadas ao ministério afirmam, no entanto, que a previsão para dezembro só será efetivada se a escolha do padrão for feita até o fim de abril. Concorrem os modelos japonês (ISDB) e europeu (DVB).
Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com os ministros envolvidos no trabalho, mas ainda não há uma estimativa de quando a decisão será tomada. Especula-se que o relatório oficial dos ministros só será entregue ao presidente após a viagem ao Japão, onde serão negociadas contrapartidas pela escolha do padrão japonês, como a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil.
Representantes do padrão europeu solicitaram ao governo que a comitiva brasileira passe também pela Europa. O roteiro, no entanto, ainda não foi definido.
Em visita ao Brasil, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, solicitou que a escolha seja baseada em critérios técnicos.
O representante europeu fez uma crítica sutil à postura que Costa adotou no processo de escolha, já que o ministro posicionou-se abertamente a favor do modelo japonês.
- Espero que os ministros não tomem partido nessa decisão - afirmou Mandelson.
O comissário afirmou que o Brasil pode ficar isolado caso escolha o ISDB japonês, que só é adotado até agora no Japão.
Informação: Aesp/ Jornal do Brasil Internet - TV Digital


