Proposta de TV digital desperta o interesse

Telecomunicações - Diário Catarinense - Geral


Audiência mostra ampliação de serviços quando chegar novo sistema

ARIADNE NIERO

Passados 34 anos da primeira transmissão em cores da televisão, os brasileiros tentam entender a nova proposta tecnológica do governo federal. As dúvidas freqüentes em relação à implantação da TV digital revelam o quanto o tema é pouco dominado.

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Carlos Montez antecipa que a mudança promete mexer com a cultura brasileira. O telespectador ficará ainda mais refém do controle remoto; em compensação, passará a interagir muito mais com a telinha.

Essa é a expectativa dos profissionais que atuam na implantação do sistema. Mesmo que o modelo a ser adotado ainda não tenha sido definido, até o fim do ano começam os primeiros experimentos com a nova tecnologia. A televisão vai passar a ser um guia de programação eletrônico, de acordo com o professor, semelhante a muitos canais por assinatura.

O usuário poderá sair da programação audiovisual e ter na sua tela de TV uma espécie de monitor de computador.

Montez cita o Fantástico, da rede Globo. Ao final do programa, os apresentadores avisam que o conteúdo pode ser acessado no endereço virtual.

- Com a implantação da TV digital será possível fazer tudo a partir do controle remoto, como buscar receitas de culinárias, além de participar de chats - explica.

Para o professor, o sistema digital será um marco na história televisiva. Mas ele prevê no mínimo uns 20 anos para todos os aparelhos analógicos serem aposentados no país.

A dificuldade para entender a novidade pôde ser conferida ontem em uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado. O convite foi estendido a todas as universidades catarinenses para debaterem o assunto.

Controle remoto mais simplificado

Durante a discussão sobre a inclusão digital, houve interesse em saber sobre a possibilidade de conversão dos aparelhos analógicos. Montez diz que um modelo de conversor será comercializado no país. A expectativa é que o aparelho não ultrapasse os R$ 250.

Para facilitar a aceitação no mercado, existem pesquisas para diminuir o número de teclas do controle remoto. Só em Santa Catarina, cientistas desenvolvem uma forma de simplificar o manuseio do controle, além da aplicação de um modelo de canal para a área de saúde.

- Será possível trabalhar com canais de utilidade pública, como marcar consultas pela televisão - afirma.

A única certeza até agora vai ser a febre de vendas no comércio para os próximos natais. Depois dos celulares e digitais fotográficas, a TV Digital será, com certeza, a próxima aposta deste segmento.

Dúvidas

Enquanto o padrão da TV digital ainda não é definido para o Brasil, a professora de mídia eletrônica Graciana Fischer afirma que as atenções devem estar voltadas às dúvidas dos futuros investidores do sistema.

Ela não vê grandes problemas de adaptação já que os brasileiros estão acostumados com a interatividade de bancos e até celulares.

- Com certeza as pessoas vão levantar menos do sofá. Mas contarão com novas interatividades na frente da televisão - calcula.

Ela destaca que o modelo de assinatura não deu certo no Brasil e espera na TV digital uma transmissão aberta com modelo de alta definição de imagem. Coordenadora do curso de comunicação social em mídia eletrônica da Associação de Ensino de Santa Catarina, ela esclarece dúvidas mais freqüentes.

O que é a televisão

O resultado das novas tecnologias como a junção da Internet e telefones celular acoplados na TV. Hoje a TV no Brasil tem o sinal transmitido através de radiofreqüência. A partir da TV digital vamos contar com os sinais digitais que não vão interferir na qualidade da imagem.

Qualidades da TV digital

Vão acabar com os famosos chuviscos, fantasmas ou chiados. A implantação vai oferecer mais serviços pela televisão, como textos, animação e navegação pela Internet e interatividade.

Sistema no Brasil

O Brasil estuda modelos já existentes no Japão, Europa e Estados Unidos. Mas ainda não definiu qual será adaptado ao país.





Informação: Abert/ Telecomunicações - Diário Catarinense - Geral



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