A Siemens do Brasil não vai participar do mercado de tevê digital nacional, caso o Brasil adote como padrão a tecnologia japonesa Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (ISDB).
O engenheiro Mário Baumgarten esteve ontem em Porto Alegre, representando a empresa no debate técnico TV Digital – Definição do Padrão a ser Utilizado no Brasil: Desafios e Oportunidades, promovido pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs). Em 13 de abril o governo brasileiro assinou em Tóquio com o chanceler japonês Taro Aso um memorando de entendimento para instalação no Brasil do sistema japonês e uma fábrica de semicondutores. Apesar do documento, o presidente Lula precisa ratificar ainda a decisão.
“A rejeição não é técnica, pois seria uma insanidade acharmos que a tecnologia japonesa não é de qualidade. Muito o contrário”, afirmou Baumgarten. “A questão importante a ser tratada é que este país costuma definir padrões domésticos próprios com o objetivo de proteger sua indústria, cujo resultados são produtos de consumo mais caros”, explicou o representante da Siemens do Brasil. Mesmo assim o ISDB que foi rejeitado em 100 países do mundo nos últimos anos por não quererem pagar o monopólio japonês está em vias de ser adotado no Brasil”, complementou.
Entre os vários sistemas existentes atualmente Baumgarten defende a adoção do Digital Video Broadcast Terrestrial (DVB-T).
Este padrão é o mais popular do mundo atualmente, sendo utilizado nos Estados Unidos, Canadá, México e Coréia do Sul. “É muito mais flexível, existe uma gama enorme de nações que o adotaram desde os mais ricos como mais pobres, inclusive do Brasil”, afirmou. Segundo o representante da Siemens do Brasil os conversores utilizados nesta tecnologia são extremamente mais baratos e permite a reutilização dos televisores que a população já utiliza.
“É tudo uma questão de política, economia e indústria.
O mercado de radio difusão está sob pressão, pois as vendas estão parando por conta da indecisão do governo brasileiro e não haverá tempo hábil para o Brasil desenvolver um sistema próprio puramente nacional, pois dependemos da criação de um chip brasileiro “, afirmou o professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Puc/RS), Fernando de Castro.
Informação: Jornal do Comércio


