Brasil e Argentina divergem na TV digital

ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO

Argentina e Brasil devem adotar tecnologias distintas de televisão digital. Em novembro do ano passado, os dois países assinaram um acordo de cooperação para desenvolvimento de um sistema único, mas, a partir de janeiro, o governo brasileiro começou a sinalizar a escolha do sistema japonês.
Segundo a Folha apurou, o sistema japonês, conhecido pela sigla ISDB, está praticamente descartado na Argentina. Ele é o preferido dos radiodifusores brasileiros e também do ministro das Comunicações, Hélio Costa -o governo já se definiu pelo sistema japonês, segundo a Folha publicou em março. Só falta o anúncio.
Na Argentina, a situação é diferente: os radiodifusores estão divididos entre o sistema norte-americano, conhecido pela sigla ATSC, e o europeu (DVB).
A Telefe, uma das maiores redes de televisão da Argentina, pertence à subsidiária local do grupo Telefónica de Espanha. Por isso, defende o DVB. O grupo Clarín, dono de outra importante rede de TV, o Canal 13, já está fazendo transmissões experimentais com a tecnologia norte-americana. Em 1998, a Argentina anunciou a escolha do sistema norte-americano. A decisão está suspensa, mas não foi revogada oficialmente.

Fórmula matemática
A Secretaria das Comunicações argentina criou uma comissão, com cinco representantes do governo e dois do setor privado, para escolher a tecnologia a ser adotada pelo país.
O diretor-executivo da Associação de Radiodifusoras Privadas (entidade que representa as emissoras de rádio na Argentina), Hector Parreira, diz que, "lamentavelmente", a tendência é que os dois países adotem tecnologias diferentes.
""Seria melhor que o Mercosul, e dentro do possível, todo o Cone Sul, adotasse o mesmo padrão."
A Argentina escolherá a tecnologia do fornecedores que garantirem maior volume de investimentos no país, maior geração de empregos, diretos e indiretos, menor cobrança de royalties, além de transferência de tecnologia.

Fórmula matemática
Essas contrapartidas também estão sendo negociadas pelo governo brasileiro. A diferença, na Argentina, é que as propostas serão avaliadas seguindo fórmula matemática. Os candidatos apresentarão proposta para cada item (investimento, emprego, economia de royalties). O vencedor será o que tiver o maior número de pontos, como ocorre no exame das propostas técnicas nas licitações públicas brasileiras.
A informação de radiodifusores é que os japoneses não fizeram proposta. Nesse caso, a escolha se dará entre os sistemas norte-americano e europeu. O Ministério das Comunicações informou, por intermédio de sua assessoria, que não tem conhecimento da comissão de estudo da TV digital criada na Argentina e que, para a pasta, continua em vigor o termo de cooperação assinado no final do ano passado.
Um dos objetivos do acordo era conseguir melhores condições para os dois países nas negociações com os fornecedores. Na ocasião, o Ministério das Comunicações divulgou que o objetivo da Argentina, ao optar por uma ação articulada com o Brasil, era reativar sua produção industrial. Anunciou também a possibilidade de todos os países da América do Sul aderirem ao acordo.
O Ministério das Comunicações avaliava que a Argentina acompanharia a decisão que fosse tomada pelo Brasil.
Quem negociou o acordo com o Brasil, pela Argentina, foi o ex-secretário de Comunicações Guilhermo Moreno, que foi substituído por Lisandro Salas, em abril. A primeira decisão política de Salas foi constituir a comissão para a escolha da tecnologia de TV digital.

Uruguai
Que reação esperar dos demais países do Mercosul? O Uruguai só agora começou a discutir internamente a questão da TV digital. Recentemente, o presidente da Ursec (a agência reguladora das telecomunicações), León Lev, disse, em entrevista, que seria conveniente que toda a América Latina elegesse o mesmo sistema.
"Se não houver integração dos mercados, perderemos economia de escala, e as possibilidades de fabricação ficarão substancialmente restritas."





Informação: Abert/ Folha de São Paulo - Dinheiro - TV Digital



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