Padrão de TV digital recebe críticas

Brasília e São Paulo, 27 de Junho de 2006 - A escolha pela tecnologia japonesa foi considerada pela Siemens como uma escolha errada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina depois de amanhã o decreto que prevê as regras de implantação da TV digital no Brasil.

Segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o modelo escolhido será o japonês, que concorreu com os modelos europeu e norte-americano. O porta-voz da Presidência, André Singer, confirmou ontem a cerimônia de assinatura do decreto, que será realizada no Palácio do Planalto às 10h30 de quinta-feira, e da qual participará o ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka.

"O que iremos assinar é um documento criando as condições jurídicas para a implantação do modelo brasileiro de TV digital", disse Hélio Costa.

O desfecho do caso representa uma vitória pessoal do ministro das Comunicações, que sempre defendeu o modelo japonês. Ganham ainda os radiodifusores, que, depois de lobby no Executivo e no Legislativo, garantem a escolha do modelo que traz menor impacto para suas empresas e não depende de telefonia para a transmissão do sinal.

Apesar de o padrão escolhido ser o japonês, o governo venderá o modelo como padrão brasileiro, já que poderá integrar tecnologias produzidas no País, como o middleware (sistema operacional da TV digital) e aplicativos.

Na semana passada, técnicos japoneses se reuniram com representantes do governo brasileiro para discutir os últimos detalhes do acordo.

Os brasileiros tentavam arrancar a promessa de construção de uma indústria de semicondutores. Até agora, entretanto, o Japão prometeu apenas ajudar a formar mão-de-obra especializada no Brasil e a criar condições para a implantação da indústria.

A migração completa para o sistema digital de televisão levará 10 anos. Segundo Costa, as primeiras transmissões serão feitas no Rio e em São Paulo.

Siemens: escolha errada
A decisão foi considerada péssima por Mário Baungarten, especialista em tecnologia da Siemens, de capital alemão e defensora do padrão europeu de TV digital.

"O padrão japonês ou nipo-brasileiro é um dilema por ser o mais caro do planeta", afirmou Baungarten, referindo-se à baixa renda per capita e à má distribuição de renda do Brasil. "Advogamos que um país como o nosso, que enveredou por um caminho global de telecomunicações com GSM, deveria preferir o padrão igualmente mundial de TV digital", disse.

"A decisão é péssima e o sistema é intrinsicamente caro. Somos um país que comete muitos erros", acrescentou. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Lorenna Rodrigues e Thaís Costa)






Informação: Abert/ Gazeta Mercantil - TI & Telecom - TV Digital


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