Para darem a partida aos negócios da TV digital, que prometem movimentar R$ 100 bilhões nos próximos 20 anos, fabricantes de eletroeletrônicos dependem ainda da definição de parâmetros técnicos. Inovações como o acesso à Internet por meio dos aparelhos de tevê levarão seis meses para serem detalhadas. Empresas como Philips , Semp Toshiba , Samsung e a RF Telavo asseguram que os frutos da TV digital só virão para a indústria daqui a, pelo menos, dois anos.
Assim que for concluído o detalhamento técnico da TV digital brasileira, o laboratório da Philips em Manaus começará a desenvolver seu set top box, aparelho que será conectado aos televisores para a conversão do sinal digital. Por cerca de 10 anos, o sistema de televisão analógico coexistirá com o digital e, somente após este prazo, é que o uso do conversor será indispensável para assistir à televisão aberta.
De acordo com Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips, a expectativa da companhia é começar a abastecer o mercado de set top box dentro de 1 ano. A empresa fará a distribuição do produto nos mesmos locais em que os transmissores digitais forem instalados pelas emissoras de tevê.
Conforme o executivo, isto deverá acontecer primeiro nas grandes capitais, locais em que o sinal abrange maior quantidade de domicílios. O diretor da Philips diz que ainda é prematuro mensurar o custo final dos set top boxes, mas garante que os planos da empresa incluem produzir vários modelos no Brasil. “Não podemos esquecer que viabilizar um conversor de baixo custo é primordial já que 85% das residências brasileiras têm apenas um televisor de 14 ou 20 polegadas”, salienta Duran.
Nos planos da Semp Toshiba, os conversores chegarão ao mercado dentro de um ano e meio. Segundo informações de Roberto Barbieri, diretor de engenharia da empresa, quanto maior a quantidade de serviços oferecidos pelo conversor, maior o preço do produto ao consumidor. Para Carlos Werner, gerente de marketing de produtos de áudio da Samsung, a decisão da operação brasileira começar a fabricar decodificadores depende da matriz coreana.
Yasutoshi Miyoshi, representante do padrão japonês, diz que as especificações técnicas pendentes devem ser definidas e testadas por um grupo que reúne fabricantes de televisores, de transmissores, emissoras de tevê, membros do governo brasileiro e japonês, além dos desenvolvedores de software. As mudanças devem-se às inovações que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre ( SBRTVD-T) fez sobre as base do padrão japonês ( ISDB-T). Estas inovações incluem a possibilidade de acessar a internet por meio do televisor, por exemplo.
Para a indústria de transmissores, os reflexos da implantação da TV digital no Brasil dependem dos mesmos parâmetros técnicos. De acordo com Jakson Sosa, presidente do grupo RF Telavo , só depois desta definição é que a indústria de transmissores saberá qual tipo de modulador usar em seus transmissores. Sosa conta que o modulador é peça estratégica na transmissão. O setor de transmissão deve gerar 10% do total de R$100 bilhões estimados para o mercado de produtos e serviços voltados para a TV digital dentro de 20 anos.
“O impacto da TV Digital para a nossa indústria será sentido a partir de 2008. Até lá, as trocas de transmissores serão pontuais, concentradas nos grandes centros”, esclarece o executivo. Nos últimos 4 anos, o setor de transmissores brasileiro investiu aproximadamente R$ 14 milhões em pesquisa e desenvolvimento tecnologias digitais.
Segundo Sosa, existem cerca de 540 geradoras de tevê no País. São estas geradoras que, junto com as retransmissoras, irradiam o sinal de tevê pelo território. O presidente do grupo RF Telavo diz que, somadas, as geradoras e retransmissoras são 8.500 no Brasil. O preço dos transmissores pode variar de US$ 15 mil até US$ 500 mil, dependendo da potência. Sosa conta ainda que do parque instalado de transmissores brasileiros, 78% conta com tecnologia nacional. Junto com a RF Telavo, três outras empresas nacionais compõem este mercado no País.
Conversores
Antes de iniciada, a fabricação dos conversores (ou set top boxes) gera polêmica no setor industrial. Isso porque o empresariado se divide entre aqueles que querem a inserção do item nos benefícios da Lei de Informática e os que defendem a inclusão do produto na categoria de áudio e vídeo, beneficiada se produzida em Manaus. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) argumenta que o set top box tem um processador interno, o que o enquadra como item de informática. Fabricantes de Manaus acham que o conversor faz parte da linha de áudio e vídeo e só poderá receber incentivos se fabricado em Manaus. Walter Duran, da Philips, acredita que as facilidades logísticas de Manaus dão vantagem competitiva à produção e consequente redução de preços ao consumidor.
Informação: Abert/Telecomunicações - DCI - Comércio, Indústria e Serviços - SP - Primeira


