TV vive a revolução do sinal digital

Roger Santana

A transição da TV do sistema analógico para o digital provocará uma grande revolução no cenário da radiodifusão e só não será um fenômeno maior do que a criação da própria televisão. É assim que o diretor da Central Globo de Engenharia e coordenador do grupo técnico de TV Digital da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Fernando Bittencourt, avalia a implantação da TV digital no país.

Em sua palestra sobre TV Digital e Novas Mídias, na semana passada, no auditório da Rede Gazeta, Bittencourt recordou que a televisão brasileira hoje se encontra no mesmo formato de quando chegou ao país, em 1950, sendo a transformação da TV em preto e branco para a TV em cores a única grande mudança até agora.

Fernando Bittencourt, que participou ativamente de todo o processo de discussão para a implantação da televisão digital no país, defende a escolha do padrão japonês. Para ele, o país precisava escolher a melhor tecnologia possível, já que o modelo que adotado agora deve perdurar por até quatro décadas.

"O Brasil não vai simplesmente adotar o padrão japonês. O nosso padrão de TV digital será baseado no japonês, mas serão implantadas as novidades que considerarmos necessárias, para que não tenhamos um sistema deficiente em pouco tempo".

A tecnologia utilizada no padrão japonês de TV e rádio digital é o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial ou Serviço Integrado de Transmissão Digital Terrestre). A grande vantagem desse para os padrões americano e europeu é a versatilidade, segundo Bittencourt.

Além de enviar os sinais da televisão digital, ele pode ser empregado em diversas atividades, como transmissão de dados, receptor para telefone celular, recepção com a utilização de um computador ou servidor doméstico, acesso aos sites dos programas de televisão, serviços de atualização do receptor por download, entre outros.

"Com o padrão adotado, o brasileiro poderá assistir a televisão no meio da estrada durante uma viagem e até pelo telefone celular, sem o problema de perder o sinal. Além disso, poderá acessar a Internet pela televisão, através do conteúdo interativo", explica Bittencourt.

A palestra de Fernando Bittencourt em Vitória faz parte do projeto O Futuro da TV, uma realização da TV GAZETA com o patrocínio da UVV.

Prazos para a implantação

A implantação da TV digital no Brasil começa no fim deste mês, quando emissoras das maiores cidades brasileiras receberão um outro canal, para que possam iniciar os testes. A transição será feita em dez anos e neste período as transmissões deverão ser mantidas nos dois padrões (analógico e digital). Quando a migração estiver concluída, em 2016, as emissoras terão que devolver os canais de transmissão analógica para o Governo, que deverá dar nova destinação a eles. As transmissões em TV digital em São Paulo devem começar no próximo ano, e devem ser estendidas para todo o Brasil somente em 2008. Os aparelhos de TV digital , assim como os receptores (para quem optar uma solução mais barata), devem chegar em breve ao mercado.

Conteúdo associado à Internet

Fernando Bittencourt define a interatividade como a palavra-chave da TV do futuro, além da melhor qualidade de som e imagem, através da HDTV, a TV de alta definição.

"De início, o que vai chamar mais a atenção do telespectador é a ótima qualidade de som e imagem, totalmente livre de chuviscos, fantasmas, imagens ruins em qualquer lugar. Hoje podemos ter uma sintonia ruim de um canal, mas no plano digital, ou pega bem ou não pega. Posteriormente, o grande charme da TV digital será a interatividade. Poder armazenar programas para assisti-los depois, escolher qual filme assistir, e acessar os conteúdos interativos dos programas".

Essa interatividade poderá acontecer de duas formas. Sem retorno, quando o telespectador acessa os conteúdos interativos disponibilizados pelas emissoras (é assim que deve acontecer logo no início da implantação desse sistema). E mais à frente com retorno, quando o telespectador poderá procurar pelos conteúdos relacionados ao programa, não havendo limite para a quantidade de informações que irá encontrar. É como se fosse um sistema de busca pela televisão, e que acontecerá quando a TV for associada à Internet. Fernando Bittencourt lembra que esse conteúdo interativo será um fator decisivo no que se refere à audiência no futuro.

Múltipla programação ou qualidade da imagem

A TV digital vai permitir que tanto as emissoras quanto os telespectadores possam fazer algumas escolhas. As empresas donas de canais de televisão, por exemplo, poderão escolher se vão transmitir mais de uma programação, simultaneamente, ou apenas uma grade. Porém, quanto mais programas elas optarem por transmitir ao mesmo tempo, menor a qualidade da transmissão.

"A transmissão em alta definição, com o máximo de sua qualidade e que é o grande charme da TV digital, só é possível com a exibição de apenas uma programação. É o que a Rede Globo de Televisão vai adotar. Mas cada emissora vai tomar sua decisão", lembra Bittencourt.

O telespectador também poderá decidir a forma como assistir. Pode ser através de um receptor de sinal digital, em que ele recebe o sinal, mas este é convertido em analógico para a tela da TV. Outra opção é a TV com display digital, com o receptor de sinal embutido no aparelho de televisão, porém, sem a alta definição. E finalmente a forma mais cara hoje, que é através do aparelho de HDTV, em que o usuário vai dispor de toda a qualidade de recepção e imagem.







Informação: Abert - A Gazeta - ES


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