Primeiro foi a TV, agora também o rádio vai se tornar digital. A nova tecnologia vai possibilitar transmissões de áudio com qualidade de CD, nada de interferências ou chiados, além da transmissão de textos e imagens para o visor do rádio.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou nesta semana que o Brasil deve apresentar ainda neste ano uma decisão definitiva sobre a tecnologia a ser utilizada na digitalização do rádio. O decreto estabelecendo as bases da transição do sistema analógico para o digital pode ser publicado até dezembro. A divulgação foi feita durante a abertura de um evento que reúne radiodifusores de todo o país em São Paulo.
Quinze emissoras comerciais do Brasil já testam há quase um ano o padrão de rádio digital norte-americano e importam equipamentos com a autorização do governo. Mas um levantamento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação aponta que o sistema utilizado pelas emissoras é o mais caro dos quatro disponíveis no mundo. A estimativa do fórum é a de que os custos com a transição podem ultrapassar 17 bilhões de reais, caso o padrão norte-americano seja o escolhido.
Para o secretário-geral da entidade, o jornalista James Görgen, as emissoras pequenas, públicas e comunitárias, estão marginalizadas deste processo. Ele afirma que a maioria delas não sabe como irá financiar sua transição para o mundo digital, se o governo resolver implantar no Brasil a tecnologia norte-americana.
"Não há uma explicação racional para essa escolha ser feita de forma apressada. A gente vem avisando que mais uma vez quem vai pagar a conta são as pequenas emissoras, inclusive as comerciais, porque a grande maioria das rádios brasileiras são pequenas rádios do interior que possuem uma receita cada vez mais limitada, uma vez que o rádio tem 4% da receita publicitária, do bolo publicitário brasileiro, e não teriam condição de fazer essa migração. Então, ou o Estado vai ter que subvencionar tudo isso, mais uma vez, e o cidadão, por tabela, ou vai ser uma decisão que vai demorar muito mais essa transição, uma vez que não vai ter dinheiro pra isso"
O deputado Orlando Fantazzini, do PSOL de São Paulo, coordenador da campanha contra a baixaria na TV, critica a posição do governo. Para ele, é um erro não considerar outras opções antes da decisão. Fantazzini acredita que, a exemplo do que aconteceu no caso da TV Digital, também não houve um debate mais aprofundado sobre o futuro do rádio no país.
"A sociedade deveria ser ouvida, fazer um amplo debate nacional, levar em consideração os custos, favorecer também as pequenas emissoras para que elas tivessem a possibilidade da digitalização, ao invés da forma que o governo tem feito, dando tratamento que favorece as grandes emissoras, porque provavelmente o governo não tem coragem de fazer o enfrentamento a elas e, por isso, tem se curvado sistematicamente. É lamentável, mas a nossa esperança é que o Ministério Público que já ingressou com uma ação contra a digitalização da televisão consiga anular o decreto (da TV) e que, diante disso, o governo fique mais cauteloso e promova o debate junto à sociedade".
Mas os empresários do setor já se organizam para enfrentar o desafio da digitalização. Nesta semana em São Paulo, aconteceu o lançamento da ´Aliança Brasileira para o Rádio Digital´. Promovida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Abert, a iniciativa pretende tornar o rádio digital mais popular. A Aliança é formada por radiodifusores e fabricantes de aparelhos de transmissão e recepção. Eles prometem que até o final do ano já serão 100 emissoras transmitindo digitalmente.
Informação: Abert / Rádio Câmara

