O conceito não é dos mais simples. “A televisão digital é um sistema de transmissão e recepção que usa um código digital para enviar imagem, áudio e dados aos aparelhos compatíveis com a tecnologia (o que não ocorre no sistema atual, analógico). Isso proporciona uma transmissão com maior quantidade de conteúdo por uma mesma freqüência”, define o professor Jorge Fernandes, do Departamento de Ciência da Computação, da Universidade de Brasília (UnB). Na prática, significa um salto em qualidade de imagem e som e a possibilidade de assistir a programas de televisão de telefones celulares, por exemplo, e ainda interagir com as emissoras.
O governo brasileiro estabeleceu um prazo de sete anos para a total substituição das plataformas analógicas pela tecnologia digital. Há três padrões diferentes em operação no mundo: o americano, o europeu e o japonês — esse último, eleito pelo presidente Lula como a opção mais adequada para o país. Os três diferem, sobretudo, quanto à transmissão de dados para celulares. “O modelo japonês é mais flexível”, explica Jorge Fernandes.
Tanto na tecnologia analógica quanto na digital, a emissora transmite pelo ar, de uma torre para a casa do telespectador, através de ondas eletromagnéticas. No modelo digital, numa mesma faixa de transmissão cabem 10 vezes mais informações. Para aproveitar as vantagens, o brasileiro terá que adquirir um decodificador, que vai atuar na descompactação das informações. Especula-se que o modelo mais simples custe cerca de R$ 100.
Para você
Imagem: Um monitor analógico de boa qualidade apresenta entre 525 e 625 linhas. Na televisão digital de alta definição, chega-se a 1.080 linhas. A nitidez pode ser até 12 vezes superior.
Som: A televisão iniciou com som mono (um canal de áudio) e evoluiu para o estéreo (dois canais). Com a TV digital, passará para seis canais.
Formato de imagem: A tela dos monitores digitais passará do formato 4:3, típico da TV analógica, para 16:9, mais próximo do formato panorâmico de uma tela de cinema.
Para o país
O governo precisará investir em novas antenas e em mão-de-obra especializada para a conversão, criar financiamentos para que as emissoras comprem equipamentos de captação e transmissão de imagens nesse formato e, finalmente, elaborar campanhas para convencer o telespectador a adquirir o equipamento doméstico. Já as emissoras terão que investir também na produção de conteúdo de interesse público e redobrar os cuidados com a produção, pois a maior nitidez vai deixar à mostra pequenos truques de hoje, como maquiagem, cenário, etc. Estima-se que o aumento do custo das novelas, por exemplo, chegue a 20%.
Informação: Abert/ Telecomunicações - Correio Braziliense - DF - Revista do Correio

