O Brasil perdeu pontos no relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado na semana passada, caindo da 57ª para a 66ª colocação. Mas em um aspecto o País saiu-se muito bem: se fosse avaliado apenas pelo critério de prontidão para tecnologia, um dos quesitos do levantamento global, o resultado teria sido muito diferente e a avaliação não teria piorado.
Prontidão para tecnologia significa o quanto o país está atualizado em relação às mais novas tecnologias mundiais - dentre elas as de telecomunicações -, o quanto investe no setor e a rapidez com que absorve novidades.
"No Brasil, as empresas utilizam o que há de mais moderno no mundo e isso contribui para a competitividade", diz o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral - um dos responsáveis pelos dados do Brasil no relatório do Fórum. "O acesso à telefonia celular é muito grande no Brasil e isso influenciou o resultado. A internet está em crescimento constante. Tudo isso conta pontos para a competitividade do País."
O Brasil fechou o mês de agosto com 94,9 milhões de celulares, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A consultoria The Yankee Group projeta 100,8 milhões de celulares para o fim deste ano. Isso significa que há 50,8 celulares para cada 100 habitantes, ou seja, que um em cada dois brasileiros possui celular.
O Brasil também tem 14,1 milhões de usuários de internet entre seus 182 milhões de habitantes (cerca de 8% da população). Na China, são 74,7 milhões de internautas em 1,3 bilhões de habitantes (pouco mais de 5% da população).
"Essas características não nos colocam entre os top ten do mundo, mas, certamente, nos dão uma posição de destaque em relação aos países emergentes com situação econômica semelhante", diz Arruda. "O País foi muito bem nos critérios mais sofisticados de competitividade, ficando à frente dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China)."
Nos subquesitos absorção de tecnologia pelas empresas e legislação relacionada à tecnologia, o Brasil foi o 47º e 48º colocado, respectivamente. Em investimentos, foi o 38º dentre os 125 países. "Ao longo dos últimos 20 anos, o Brasil desenvolveu uma infra-estrutura muito boa para tecnologia e telecomunicações", afirma José Fernando Mattos, diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo. "Não temos problemas com internet, redes de comunicação ou telefonia. Mas , infelizmente, esta é uma das ilhas de excelência do País. Foram outros problemas que puxaram o Brasil para baixo no ranking de competitividade do Fórum."
Apesar de ter ido bem em tecnologia e nos critérios que avaliavam inovação e sofisticação dos negócios, o Brasil ficou em posições ruins em macroeconomia e instituições públicas. O País foi o penúltimo colocado no subcritério peso da máquina corporativa e o último em juros.
"Temos de continuar bem nos pontos fortes e melhorar nos fracos. Assim, certamente nos colocaremos entre os mais competitivos do mundo", diz Mattos.
Informação: ABERT / O Estado de São Paulo - Economia & Negócios – Telecomunicações


