Dez anos podem ser pouco para implantar TV digital, avalia coordenador de fórum pela democratização da comunicação

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O prazo de dez anos para a implantação da TV digital no Brasil pode ser considerado curto, se comparado com tempo de desenvolvimento dessa tecnologia no mundo. Para o coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Augusto Schröder, o prazo previsto pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, é equivocado.

“Do ponto de vista histórico, da experiência dos países, o prazo que o ministro sinaliza é muito exíguo”, avaliou Celso Schröder. Segundo ele, a TV Globo não pretende fazer a transição em menos de dez anos, porque não teria possibilidades econômicas nem interesse imediato na implementação dessa tecnologia – que poderia abalar a hegemonia do canal.

A escolha do padrão nipo-brasileiro de TV Digital, segundo o coordenador do Fórum, teria sido feita para demarcar espaço e garantir o modelo, evitando assim a entrada de novos atores no processo, principalmente as empresas de telecomunicações que poderiam trazer grandes novidades nesse novo negócio.

Celso Augusto Schröder avalia que o mercado, no fim das contas, é que determinará o prazo para a transição do padrão analógico para o digital. “As novidades tecnológicas têm uma certa velocidade que não se ajusta aos desejos do Estado ou dos próprios agentes”. Ele acredita que o Brasil poderia ter aproveitado um pouco melhor as experiências de fracasso e sucesso dos diversos modelos adotados no mundo para ter a chance de não errar.

O prazo médio de implantação do sistema de TV Digital no mundo tem sido de dez anos, segundo ele, mas ele vai se dilatando de acordo com o modelo de negócio e as exigências tecnológicas, que estão em transformação, esclareceu Schröder. Na Europa, por exemplo, ele informou que o padrão, embora instalado há mais tempo, ainda apresenta problemas graves de fragilidade e de recepção de sinal, com interferência de eletrodomésticos.

Celso Schröder afirmou que a escolha do modelo japonês de TV Digital pelo Brasil foi errada, apesar de sempre haver a possibilidade de uma re-organização e redirecionamento mais livre adiante. O coordenador do FNDC analisou que a opção do governo brasileiro não podia ter ocorrido a partir dos modelos à disposição.

Na avaliação de Schröder, o padrão japonês de TV Digital é fechado, na medida em que impede interface com outros modelos, mantendo o negócio da radiodifusão intocável, pelo menos durante esse período de dez anos de transição.

O cronograma divulgado ontem pelo ministro estabelece que o dia 3 de dezembro de 2007 marcará o início da transmissão da TV Digital no Brasil, na região metropolitana de São Paulo. O sistema se estenderá progressivamente nos anos seguintes às demais cidades brasileiras. A desativação do atual padrão analógico é prevista para ocorrer até 29 de junho de 2016.





Informação: Agência Brasil


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