O pólo eletrônico de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, já domina a tecnologia de recepção e transmissão do sinal de TV digital, e se prepara para disputar o mercado bilionário da conversão dos atuais aparelhos analógicos. A fabricante de computadores Phihong, instalada na cidade, anunciou ontem a entrega dos primeiros 75 mil conversores de sinal analógico para digital - chamados de set-top box - à operadora de TV a cabo TVA. Já a Linear se prepara para homologar o transmissor de TV digital no padrão japonês, passo fundamental para o equipamento poder ser comercializado em território nacional.
De acordo com o presidente da Phihong, Luciano Lamoglia, os conversores de recepção produzidos para a TVA foram montados no padrão europeu, utilizado pela empresa de TV a cabo. O lote montado para a TVA serviu de experiência para credenciar a Phihong tecnologicamente para a produção do conversor na configuração escolhida pelo Governo brasileiro, que utiliza o padrão japonês com aprimoramentos nacionais, e que já é chamado de nipo- brasileiro.
Lamoglia analisou que o mercado de conversores é atraente, pois existem 115 milhões de televisores analógicos no Brasil que vão precisar da caixinha para receber o sinal digital. ½É um mercado de R$ 10 bilhões por ano, e queremos participar dele”, afirmou o executivo.
Apesar de a barreira tecnológica estar resolvida, a Phihong precisa superar a diferença de tributação federal, que existe entre Manaus e o restante do país, para produzir conversores competitivos. De acordo com Lamoglia, a produção de conversores em Santa Rita do Sapucaí enfrenta tributos 15% mais altos do que os praticados em Manaus, que goza de incentivos fiscais para o setor eletroeletrônico.
Lamoglia espera que o Governo federal classifique os conversores como bens de informática, o que garantiria sua produção com incentivos fiscais em todo o território nacional, e não apenas em Manaus. ½Como somos uma empresa com 2,5 mil funcionários e faturamento de R$ 200 milhões, temos que trabalhar com este produto”, disse. ½É questão de justiça social.”
Na Linear, a questão fiscal não preocupa a direção da empresa. Conforme Carlos Frutuoso, diretor de Marketing e Exportação da Linear, os transmissores já são classificados como bens de informática. Ele revelou que emissoras de televisão já consultaram a empresa sobre o fornecimento de transmissores digitais, o que sinaliza para o início da movimenta ção que trocará 20 mil destes equipamentos em 10 anos.
A primeira transmissão de TV digital no Brasil está prevista para o final de 2007, em São Paulo. Em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba, o sinal digital chegará no final de 2008.
Informação: ABERT / Telecomunicações - Hoje em Dia - MG - Economia


