Chefes da indústria da televisão estão nervosos e de olho em dois escandinavos com reputações bastante problemáticas. Em anos recentes, Niklas Zennström, sueco, e Janus Friis, dinamarquês, assustaram a indústria fonográfica com a invenção do KaZaA, programa de compartilhamento de arquivos usado para downloads de músicas gratuitas.
Depois, horrorizaram a grande indústria de telecomunicações com o lançamento do Skype. O próximo passo promete mudar o jeito das pessoas assistirem televisão, afirma a revista britânica "The Economist".
O novo serviço, chamado Joost, é baseado em um software peer-to-peer, assim como Skype e KaZaA. A invenção promete combinar a experiência de assistir televisão com as excitantes possibilidades oferecidas pela internet. Porém, ao contrário do KaZaa e Skype, o Joost não "atrapalha" a indústria.
Isto acontece porque a equipe do Joost ignorou corajosamente os pilares do boom dos vídeos da internet. O serviço atual permite que os usuários enviem arquivos de vídeos pessoais ou vídeos pirateados de outras fontes. O mais famoso exemplo desta iniciativa é o YouTube, agora parte do Google. Seu grande problema, entretanto, é o risco de ser ilegal e difícil de comercializar.
O Joost não exigirá que os usuários paguem por cada programa ou filme baixado, estratégia escolhida pela Apple na venda de seus vídeos no iTunes. A razão pela qual ignora tais métodos, segundo Wahl, é porque nenhum tem muito a ver com a experiência de simplesmente assistir televisão. Ao contrário dos dowloads e streamings, a "TV não significa comprar hoje o que irá assistir amanhã, e sim ligar o aparelho e assistir na hora", uma experiência mais relaxada e espontânea.
A nova televisão será gratuita, com comerciais de três minutos a cada hora antes, durante ou após o programa, dependendo do público atingido. Os americanos, segundo Dahl, são mais tolerantes à interrupções.
O Joost tem "canais" como a televisão comum, mas em formato de playlists de vídeos que podem ser assistidos quando for mais conveniente ao espectador. Os espectadores poderão importar suas listas de contatos e bater papo online com amigos enquanto assistem o mesmo programa.
O que falta nesta nova visão de televisão, entretanto, é o aparelho em si. Importar vídeos de um computador para a televisão é possível: a Apple e outras empresas já disponibilizam as ferramentas necessárias. Mas até que fique mais comum a conexão de aparelhos de TV à internet, as grandes empresas preferem esperar até assumirem um compromisso com o Joost.
Ainda não existe um consenso sobre a melhor maneira de combinar televisão e internet. Joost, YouTube, iTunes e Netflix não necessitam de redes próprias para fornecer seus serviços de vídeo: podem pegar carona nos rápidos links da internet fornecidos por terceiros.
Segundo a empresa de pesquisa de mercado iSuppli, downloads da internet contabilizarão mais de um terço do mercado de vídeos até 2010. Portanto, assim como a telefonia na internet têm sido ruim para empresas de telefonia tradicionais, este "atalho online" poderia ser prejudicial para os serviços de vídeos "on demand" oferecidos pelas redes de TV a cabo e empresas de telecom.
Porém, ao levar a televisão a mais lares em contextos mais sociais, tudo isso poderia fornecer novos modelos para programadores financiarem suas produções e oferecerem aos anunciantes novas maneiras de atingir os consumidores, além do rejuvenescimento de uma mídia com mais de 75 anos.
FONTE: ABERT/ JORNAL DE ITUPEVA ONLINE/


