Alto custo pode prejudicar o desenvolvimento dessa alternativa. Preço está ligado à necessidade de uso de freqüências mais altas.
O setor europeu de telecomunicações está procurando novas freqüências, mais altas, para compensar a escassez de espectro reservado ao uso em serviços de TV móvel. É provável que isso resulte em uma alta de custos para os fabricantes de celulares e também para as operadoras de telefonia móvel, o que, por sua vez, representará preços mais altos para os consumidores.
Esse cenário pode prejudicar o desenvolvimento do incipiente setor de TV móvel. Os maiores protagonistas desse setor, liderados pela Nokia, a maior fabricante mundial de celulares, estão apoiando a adoção do padrão DVB-H, que usaria espectro reservado à mídia eletrônica convencional, como por exemplo a banda UHF de televisão, para a televisão móvel.
Mas essas freqüências não estarão disponíveis na Europa até que as transmissões de TV analógicas sejam descontinuadas, o que deve acontecer no continente só em 2012.
Os fabricantes de celulares e as operadoras de telefonia móvel estão ávidos por explorar o mercado de TV móvel, mas até agora apenas alguns países reservaram porções do espectro para essa alternativa. "O espectro é um desastre. Pode demorar anos para que haja freqüências disponíveis para o DVB-H", disse Ben Wood, consultor na CCS Insights.
Apesar disso, os pesquisadores da Strategy Analytics projetam para este ano a venda de 20 milhões de celulares capazes de sintonizar transmissões de TV móvel. As operadoras de telefonia celular esperam que a receita adicional gerada pelos serviços de TV móvel, que poderia representar entre cinco e 10 euros em faturamento mensal por usuário, compensem a queda nas receitas com chamadas de voz.
Muitas operadoras já vendem serviços de TV móvel por meio de suas redes de terceira geração (3G), mas a qualidade de imagem e o número de canais oferecidos são limitados. "Chegará um ponto em que a rede enfrentará limites de capacidade, e então será mais sensato adotar um sistema de transmissão separado para a TV móvel", disse Ham Mannisto, diretor da unidade multimídia da Nokia.
Fusão?
O grupo DVB Project informou em entrevista coletiva organizada na feira 3GSM que aprovou as especificações técnicas para a chamada "banda S", baseada em espectro disponível de alta freqüência, para uso na Europa por transmissões de TV móvel.
Esse novo padrão, DVB-SH, competirá com a tecnologia MediaFLO, da norte-americana Qualcomm; com o MBMS, da sueca Ericsson e que é uma evolução da tecnologia 3G; e com vários outros sistemas. "Fragmentação é um dos problemas para a indústria", disse o analista Neil Mawston da Strategy Analytics.
O padrão DVB-SH usará freqüências de rádio acima das atualmente utilizadas pelas redes 3G, o que permitiria o uso das atuais redes e antenas de terceira geração para o recebimento de transmissões de TV móvel com até 90 canais, informou um representante da Alcatel-Lucent, a maior incentivadora desse formato.
Enquanto isso, a Comissão Européia avalia a possibilidade de abrir parte da banda L para transmissões de TV móvel pela Europa. A comissária européia para Sociedade da Informação, Viviane Reding, deve revelar a decisão da Comissão em março, durante pronunciamento na feira de tecnologia CeBIT, na Alemanha.
A construção de uma rede para a banda L, entretanto, custaria duas a três vezes mais do que uma rede que usasse a banda UHF e aumentaria os custos dos fabricantes de celulares, afirma a indústria.
FONTE: ABERT/ G1/ GLOBO NOTÍCIAS/ TECNOLOGIA/ CONVERGÊNCIA


