O novo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que assumiu ontem tendo como uma de suas missões colocar no ar a Rede Pública de Televisão, assegurou que ainda não há um projeto definido sobre como ela funcionará. Mas já elegeu o modelo que deve inspirar o canal estatal do governo federal: a BBC de Londres.
"Ela com certeza será uma grande fonte de inspiração", resumiu Martins, logo depois de ser empossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Planalto. Martins negou que a nova TV estatal represente o fim da Radiobrás.
"Não, o modelo já existente será incorporado àquilo que pretendemos", acrescentou. "A idéia é ser uma emissora pública, com preocupação cultural. A nossa intenção não é competir, mas complementar o que passa na televisão privada".
Martins reiterou as palavras do presidente Lula, ditas durante a cerimônia de posse, sobre a imparcialidade do canal estatal do governo federal: "Não faz sentido ter uma televisão chapa-branca".
Sobre as verbas de publicidade, que desde a demissão do ministro Luiz Gushiken foram centralizadas na Secretaria Geral da Presidência, Martins assegurou que a distribuição dos recursos publicitários respeitará critérios técnicos.
"Queremos que a mídia acompanhe isso de perto. Quanto mais fiscalização, melhor", declarou. À tarde, depois de receber o cargo do então secretário de imprensa, André Singer, Martins disse que pretende promover uma maior interação entre o presidente Lula e os jornalistas.
Segundo ele, a intenção é permitir com que a comunicação "flua de uma maneira mais tranqüila". O novo ministro não descarta a possibilidade de o presidente conceder, neste segundo mandato, entrevistas coletivas formais - durante os primeiros quatro anos isso só aconteceu uma vez.
Mas acha que Lula já conversa mais com a imprensa agora, em cafés da manhã reservados com jornalistas ou após solenidades oficiais, no Planalto ou em viagens nacionais e internacionais.
FONTE: COLETIVA.NET

