Em 1964, ele foi preso por militares, sob a acusação de ter “aberto” os microfones da emissora para que políticos locais se manifestassem pela permanência de João Goulart na Presidência da República, diante da iminência do golpe. Salomoni afirmou que, na época, teve sua casa invadida e vasculhada e que foi torturado por agentes do Departamento de Ordem Política e Social durante os cinco dias em que esteve preso.
Também alegou ter sofrido prejuízos econômicos, já que os anunciantes da rádio, coagidos pelo Dops, teriam cancelado os patrocínios. Com o empreendimento prestes a ir à falência, Salomoni, então acionista majoritário da empresa, foi obrigado a vendê-la por preço abaixo do valor de mercado, passando a trabalhar na emissora como empregado.
Em junho do ano passado, o juízo da segunda Vara Federal de Santa Maria condenou a União a pagar R$ 100 mil pelos danos morais. Segundo a sentença, ficou comprovada a prisão de Salomoni, sob fundamento de “participação em atividades contrárias à segurança nacional”. A sentença dizia que “as declarações do ex-diretor da rádio em nenhum momento foram contestadas, evidenciando a arbitrariedade da prisão, baseada apenas em motivos políticos”. Além disso, determinou que a União deveria ressarcir despesas médicas decorrentes do tratamento psiquiátrico ao qual Salomoni teve que se submeter.
Fonte: Coletiva

