O vice-presidente de Relações Governamentais / Mercado da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão - AGERT, Afonso Antunes da Motta, disse, em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no último fim de semana, temer que a TV Brasil, nova emissora pública de televisão criada pelo presidente Lula através de Medida Provisória, vire instrumento do governo. Segundo ele, a boa intenção de produzir conteúdo de qualidade, diferente das emissoras comerciais, vai esbarrar em dois problemas: falta de dinheiro e de audiência. “Não adianta, pode ter a boa intenção de mostrar, mas não vai ter audiência. Quem é que vai assistir? A audiência está com a televisão comercial. Com todo o respeito, sem desmerecer, a emissora vai poder mostrar o conteúdo para meia dúzia de pessoas”, disse Motta.
O também vice-presidente do Canal Rural ainda questiona: “Será que essa televisão pública, mesmo com essas limitações, vai ser pública efetivamente, não vai estar vinculada ao governo, não vai servir de instrumento? Há que se duvidar. Essa televisão pode ser utilizada para fins de valorizar ações de governo”. Motta considera que o orçamento de R$ 350 milhões iniciais é insuficiente para atingir minimamente os objetivos propostos, mas que apesar da quantia ser grande, é insuficiente para o investimento necessários em equipamentos, tecnologia e na própria produção de conteúdo.
“Acho que a TV pública poderia ser utilizada, ao menos parte de seu conteúdo, para dar transparência à atividade pública. Essa é uma excelente idéia para conteúdo. Apesar de tudo isso, é pouco provável que a audiência saia do traço. Esse é o grande desafio", completa Motta.

