NOVIDADES MOVEM A INDÚSTRIA

Não é coincidência haver um paralelo entre comprar um computador e uma tela HDTV. Não apenas porque os televisores começam a se parecerem com os computadores. Toda a cadeia produtiva é similar.
A exemplo dos fabricantes de chips de computador e de PCs, a indústria de TVs precisa que algumas pessoas estejam dispostas a pagar caro por um aparelho topo de linha. À medida que a tecnologia e a crescente capacidade de produção em larga escala tornam mais barato fabricar produtos baseados nas velhas especificações, as empresas reduzem os preços dos produtos já existentes, atraindo outro nicho de compradores, ao mesmo tempo em que introduzem novos modelos de melhor performance para seduzir novamente os compradores de tecnologia de ponta, reiniciando o ciclo.
Mas se um consumidor tiver comprado um PC topo de linha com um processador ultraveloz e muita memória por R$ 4 mil ou mais dois ou três anos atrás, esse aparelho hoje talvez não seja capaz de rodar o sistema operacional Windows Vista ou um dos novos programas de editores de vídeo que utilizam grande quantidade de memória. Assim, parece ser mais inteligente comprar uma TV de menor qualidade, mas que atenda às necessidades do usuário, e não tentar antecipar o futuro.
Em vez de gastar R$ 4 mil em um modelo moderninho, ele poderá concluir que é melhor gastar R$ 2 mil na TV e investir os outros R$ 2 mil. Rendendo 5% ao ano, em quatro anos o consumidor terá R$ 2,4 mil para gastar em um aparelho novo, que provavelmente será muito mais avançado que o modelo que hoje custa R$ 4 mil.
Mas isso não significa necessariamente que é um grande erro aderir às novidades. Há momentos na evolução de qualquer tecnologia em que as decisões de compra se tornam um pouco menos arriscadas - quando o ritmo de mudanças diminui ou os mercados amadurecem. A TV de alta definição pode estar se aproximando desse momento.
Em se tratando de resolução, por exemplo, Dale Cripps, fundador e co-editor de revistas sobre HDTV, diz que os consumidores por um bom tempo não terão nada melhor do que o padrão 1.080, com dois milhões de pixels. A maturidade do mercado de HDTV significa que não se deve esperar "um grande avanço num futuro próximo, quando tivermos uma tecnologia revolucionária que mandará tudo isso que temos embora".
Alfred Poor, autor de um guia de orientação para a compra de uma HDTV, aconselha os consumidores a comprar o que eles gostariam de ter hoje. E desfila sua lista de necessidades. Ele acredita ser uma boa idéia comprar um aparelho com resolução 1.080 que tenha pelo menos uma, mas preferencialmente três ou mais saídas HDMI.
Como os consumidores provavelmente têm muitos aparelhos diferentes, como gravadores e tocadores de DVD, vale a pena pagar por uma tela em que possa conectá-los. E a nova interface HDMI 1.3 acrescenta profundidades de cores e qualidade de som, incluindo uma melhor sincronização entre áudio e vídeo para garantir uma precisa sincronia entre a voz e o movimento dos lábios, por exemplo.
Poor gosta das telas de diodos emissores de luz, os LEDs, mas não considera "terrível não ter uma". Os LEDs, diz ele, podem oferecer cores mais ricas e reduzir os borrões causados pelo movimento. Como as lâmpadas não contêm mercúrio, como os tubos fluorescentes que iluminam a maioria das telas de cristal líquido, a tecnologia é também mais ecológica.
Mas tudo isso pode ser muito vago para os amantes dos artigos eletrônicos, para quem aqueles novos modelos de dar inveja nunca serão superados.


Rádio AGERT

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