Mesmo com a proibição, um estudo feito pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) de Porto Alegre em 2005 indica que 77 parlamentares na época eram concessionários de rádio ou tevê.
Essa situação é considerada um dos fatores para a absolvição do senador Renan Calheiros no processo em que era acusado de ter adquirido por meio de laranjas duas emissoras de rádio em Alagoas. “Sem dúvida houve um coorporativismo na absolvição de Calheiros”, diz a professora de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Suzy dos Santos.
O consultor jurídico da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado, explica que a legislação “veda que o parlamentar exerça cargo de gerência ou direção, mas permite mais de uma leitura sobre a propriedade”. Para o especialista em Comunicação Social da Universidade de São Paulo (USP), Laurindo Leal Filho, mesmo que a propriedade seja considerada legal, a relação entre políticos e radiodifusão é um problema sério. “Quando donos de canais de radiodifusão se lançam em uma campanha eleitoral, eles são privilegiados. Enquanto isso não for resolvido, ainda teremos uma democracia capenga.” (CO)
Fonte: Gazeta do Povo


