LIMITAÇÃO DE PROPAGANDA DE CERVEJA NA TV GERA POLÊMICA

Há mais de seis meses, deu-se início à discussão para limitar a veiculação de propaganda de bebidas em TV e rádio, entre as 6h e 21h. Na Medida Provisória 415, encaminhada esta semana às pressas ao Congresso, o Governo pede a diminuição do teor de 13 graus para 0,5 GayLussac (GL) como classificação de produto alcoólico. Se aprovada, cerveja, coolers e vinho passam a ser considerados impróprios para exibição na mídia durante o dia.

Também está no plano das cervejarias ofuscar a Medida que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas proximidades das rodovias. Diante da intenção, há um movimento de mais de meio milhão de assinaturas que já foi enviado ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e ao presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP). Entidades como a Unidade de Pesquisa em Álcool e drogas (Uniad) e o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) são a favor das restrições e devem desembarcar amanhã em Brasília para discutir o assunto.

O tema propõe discursos variados. Para o superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, (Sindicerv), Marcos Mesquita, as discussões devem se resumir à seguinte questão: "quais as vantagens para a sociedade brasileira ao proibir ou reduzir a exibição de propaganda na mídia?". Mesquita pondera que a publicidade serve para distinguir marcas frente ao consumidor, e a idéia que está sendo vendida é "falsa". "A propaganda não afeta o consumo e nem põe o dinheiro no bolso do consumidor. O problema está na educação e fiscalização por parte do Governo", afirma.

Quanto às mortes no trânsito, Mesquita alerta que grande parte delas não tem relação direta com o abusivo consumo de bebidas. "Há muitas mortes em decorrência de pedestres, ciclistas, motoqueiros. Não adianta somente proibir o comércio nas rodovias". Segundo ele, a solução, portanto, é focar ações educativas para coibir acidentes e mortes, e não restringir a veiculação na mídia.

É nesse ponto que Ronaldo Laranjeira, coordenador da Uniad, contraria o Sindicerv. "Por ano morrem quase 40 mil pessoas e cerca de 50% dessas mortes estão relacionadas ao álcool. São praticamente 60 pessoas morrendo por dia, só nas estradas, em decorrência do consumo do álcool", disse em entrevista ao Jornal do Brasil.

O estímulo ao consumo precoce da bebida também é criticado por Laranjeira. De acordo com ele, a restrição do horário "é o mínimo que a gente pode esperar de um país que se preocupa com suas crianças". Já para Mesquita, a limitação não surtirá efeito. Documento enviado por ele ao Adnews mostra dados do Ibope e emissoras que comprovam alto índice de crianças, de 4 a 17 anos, ligadas na programação entre 20h e 23h.

Fonte: Marcelo Gripa - ADNews


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