OI E BRT FECHAM ACORDO PARA CRIAR TELE NACIONAL

Os acionistas da Oi (ex-Telemar) e da Brasil Telecom (BrT) fecharam ontem os detalhes finais do acordo para a reestruturação societária das duas empresas e a venda do controle da BrT à Oi. O conselho da Brasil Telecom aprovou o fim de vários litígios judiciais com o Opportunity -, passo essencial para a conclusão do negócio. Ontem à noite, os advogados envolvidos na operação trabalhavam na redação dos contratos com o objetivo de que tudo esteja pronto para ser assinado ainda hoje.

A operação envolve duas etapas. Na primeira, os grupos Andrade Gutierrez e Jereissati adquirem a participação dos sócios que sairão definitivamente da estrutura societária da Telemar Participações, controladora indireta da operadora de telefonia Oi. Na prática, isso quer dizer que a Oi, que sempre foi penalizada na bolsa por não ter um grupo de controle coeso, terá agora como donos dois amigos de adolescência, Sérgio Andrade e Carlos Jereissati.

A segunda etapa da operação ocorre simultaneamente e deverá consumir cerca de R$ 5 bilhões. A Oi usará seu caixa para adquirir o controle da BrT, que tem como seus principais donos os fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Petros (dos petroleiros), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Opportunity e CVC (administrado pelo Citi).

Foram quatro meses de longas negociações, especialmente envolvendo os fundos de pensão e o grupo Opportunity. O governo também trabalhou para evitar que, no futuro, a "supertele" possa cair nas mãos de estrangeiros. O BNDES, acionista da empresa, terá direito de preferência sobre a venda de participações. Apenas se ele não exercer esse direito é que a venda poderá ser feita para alguém de fora do quadro de acionistas da holding. O novo grupo que surgirá da união de Oi, Brt e Contax (empresa de call center da Oi) terá 83 mil funcionários e será um dos maiores do país. Considerando apenas as operadoras Oi e BrT, a receita líquida combinada é de R$ 28,64 bilhões. O negócio ainda depende de mudanças na legislação.


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