ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA AGERT, ROBERTO CERVO MELÃO

Clique para ampliarO presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), Roberto Cervo Melão, afirma que o padrão analógico está com os dias contados. Nesta entrevista à Abert, ele fala de sua atuação à frente da entidade, dos desafios da radiodifusão brasileira, da atuação do Ministério das Comunicações. Ele aborda, ainda, os temas previstos para debate no 20º Congresso da Radiodifusão Gaúcha, que começa no próximo dia 20 e segue até o dia 22, em Canela, Rio Grande do Sul. Leia a íntegra da entrevista.


1 – Como o senhor vê a radiodifusão no país diante da tendência de digitalização do rádio? Acredita que essa mudança implica em uma reestruturação do papel do rádio, como da TV, na vida das pessoas?
O rádio é diferente da televisão. Ele está dentro da residência, na lavoura e até nos tratores. Quando se fala em digitalização do rádio, num primeiro momento, tem gente que acha que já está tudo resolvido, mas nós estamos apenas no início. Teremos que saber como trabalhar, como chegar aos nossos ouvintes com a nova tecnologia. É preciso aprofundar essas análises.

 

2- O senhor conclui um mandato à frente da Agert. Qual é a situação da radiodifusão no Rio Grande do Sul?
O rádio gaúcho é um dos melhores que se faz no Brasil. No Rio Grande do Sul, o sistema AM é diuturno e o conteúdo é trabalhado como o grande diferencial. Há problemas como em qualquer outro Estado, mas buscamos enfrentá-los com trabalho e aperfeiçoamento do setor.
É bom lembrar e parabenizar a Abert pelo posicionamento diferenciado em relação ao rádio, mas principalmente com os pequenos. O atual presidente, Daniel Slaviero, ouve as associações estaduais e suas principais reivindicações. A garantia do ressarcimento fiscal, uma reivindicação antiga dos pequenos radiodifusores, é um exemplo desse trabalho.
No Rio Grande do Sul, na atual gestão, nenhuma emissora de rádio foi multada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), resultado de um trabalho que começou na Abert. Ainda temos o problema do ECAD e tenho certeza de que Slaviero, antes de deixar a presidência, conseguirá resolver. E nós temos que estar juntos e apoiar o trabalho que é feito pela Abert.

3 – O ministro das Comunicações Hélio Costa comemorou em julho o quarto ano à frente do ministério. Qual a sua avaliação sobre gestão de Hélio Costa? O senhor acha que ele conseguiu resolver ou amenizar alguns dos problemas crônicos da radiodifusão brasileira?
Na atual gestão do Minicom melhorou muito a relação com o setor de radiodifusão. O ministro Hélio Costa sempre esteve aberto aos nossos pleitos. Como radiodifusor, ele sabe do nosso trabalho e das nossas reivindicações.
Antes, era lamentável. Na gestão anterior do Ministério, quarenta mil processos se acumularam. Hoje, por exemplo, o Minicom tem sido muito importante no Rio Grande do Sul para a abertura de emissoras de rádio, o aumento de potências, nomeações, transferências diretas e indiretas, renovação de outorgas. O ministério hoje é o nosso parceiro.

 

4- Qual seria o grande desafio a ser vencido pelo ministro Hélio Costa ainda nesta gestão?
A digitalização do rádio. Engana-se quem sonha com a continuidade do analógico. O analógico tem os dias contatos.

 

5 – Não estaria faltando ao rádio brasileiro um debate sobre um novo modelo de negócios para este meio?
É o momento da Abert e das associações estaduais fazerem uma análise sobre o assunto para que a digitalização seja acompanhada de um novo modo de fazer negócios, atrair anunciantes e gerar renda para as empresas de comunicação.

 

6 – Na próxima semana, acontece o 20º Congresso da Radiodifusão gaúcha. O que dominará os debates?
O 20º Congresso debaterá inovação, sucessão familiar, tecnologia, gestão nas empresas familiares, modelo de negócios e regulação. Contaremos com palestrantes que são referência nesses temas, o que antecipa o sucesso do evento.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação da Abert

 


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