COMUNICADORES E AUTORIDADES BRASILEIRAS ANALISAM INFRAESTRUTURA NECESSÁRIA PARA A COPA DO MUNDO

Seminário Comunicação Copa 2014 - O Brasil anfitrião da imprensa mundial

A diretoria da Agert reuniu pela primeira vez autoridades ligadas ao Ministério das Comunicações com jornalistas e radiodifusores do RS e de outros Estados para debater o que está sendo feito e o que pode ser realizado em termos de infraestrutura para a Copa em 2014.O encontro foi realizado na sede da entidade na última quinta-feira (17/11). O presidente da Associação, Alexandre Gadret, idealizou o encontro com o secretário executivo do MiniCom, Cezar Alvarez, para viabilizar a troca de informações de profissionais com grande experiência em coberturas internacionais e o governo, com o objetivo de fazer o Brasil o melhor anfitrião possível para a imprensa mundial.

COPALembrando que a realização da Copa é um desafio enorme, Alvarez apresentou alguns dados que mostram porque o país deve se preparar. "O Brasil deve receber aproximadamente 600 mil visitantes estrangeiros, três milhões brasileiros irão assistir aos jogos, que serão vistos por três bilhões de telespectadores em todo mundo". Sobre as demandas de Comunicação e suporte aos eventos, ele informou a necessidade de redundância absoluta nos locais onde acontecerão os jogos e eventos paralelos, bem como a necessidade de 20 Gbps durante as partidas e 10 Gbps em outros momentos. O secretário ressaltou que é necessário garantir a cobertura perfeita dos hotéis credenciados, da sede FIFA, do hotel dos árbitros, dos TBCs ( Team Base Camps), dos Centro de Mídia nos Estados, das Fan Fests e dos locais de venda antecipada de ingressos. Para isso, busca aumentar a infraestrutura nacional, especialmente nas cidades-sede e acelerar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Carlos Eugênio Simon, coordenador estadual da Copa falou que o RS está se preparando e que um dos únicos problemas que vê se localiza no estádio Beira Rio. Falando da relevância das Fan Fests, onde a maioria dos visitantes e da própria população assiste aos jogos em equipamentos instalados pela organização, ele informou que o Largo Glênio Perez, na capital foi indicado para a FIFA . " Está prevista uma Fan Fest por cidade, e nós do governo estamos buscando organizar festas nos mesmos moldes no interior, mas para isso precisamos de transmissão de qualidade", afirmou.

 

Já o secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz, falou que a legislação impede o avanço da capacidade de comunicação na capital gaúcha, fazendo com que mesmo antes do evento se tenha muita dificuldade para completar uma simples ligação telefônica. Ele entende que há todo interesse das empresas operadoras de Telecom em ampliar suas estruturas, entretanto a atual legislação ambiental torna isso inviável. Vaz ressaltou que sem investimentos em telecomunicações "a Copa será um fiasco e que o evento não tem espaço para política ou politicagem".

O engenheiro Yroa Ferreira, da Anatel, informou que a agência está apoiando o Ministério das Comunicações fazendo levantamento da infraestrutura necessária para a Copa. Segundo ele o melhor e mais seguro sistema que deve ser considerado é o cabeado com fibra ótica. No âmbito regulatório, afirmou que estão preparando as novas faixas de freqüência para a canalização ser adequada para o 4G. " Nós buscamos o não direcionamento para determinada tecnologia, simplesmente reservamos o espaço para que o avanço possa ocorrer. Até abril do ano que vem teremos feito as licitações do 450 MHz, do 2,5 GHz e do 3,5 GHz. Vai haver mais 404 MHz de faixa para atender o SMP, Serviço Móvel Pessoal. Isso inclui o planejamento para que exista tecnologia de telefonia 4G em todas as capitais até 2013."

Também chamou a atenção para o grande equívoco que alguns legisladores cometem obrigando a redução do número de ERBs, Estações Radio Base (as torres de teoria celular) , distanciando estas estações dos receptores. Isso faz com que os telefones dos usuários, que ficam praticamente encostados na cabeça dos mesmos, tenham que transmitir com muito mais potência. Esse distanciamento é indesejável, mesmo que nenhum estudo tenha sido conclusivo sobre algum eventual prejuizo que as radiações não ionizantes deste porte possam causar ao ser humano. 

Cláudio Carneiro, vice- presidente da Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, declarou não estar preocupado com a realização dos eventos que são organizados pela Fifa. Por sua experiência, as emissoras detentoras de direitos de transmissão como a sua, dificilmente tem problemas. O que o preocupa no Brasil são os campeonatos regionais, onde muitos estádios estão sem iluminação e onde a tecnologia de telefonia 3G não funciona, "além de o Brasil ter o celular mais caro do planeta", afirmou. Ele narrou as dificuldades que as emissoras de outros estados têm em conseguir um circuito nos estádios e pediu em nome dos radiodifusores, para que o governo olhe a questão da infraestrutura de comunicação de maneira geral, para quaisquer situações, não somente para a Copa.

O gerente de operações da RBS TV e TVCOM, Caio Klein relatou que na África do Sul houve problemas de transporte pessoal e hospedagem. Ele lembrou que os World Broadcaster Meetings acontecerão em duas oportunidades no Brasil,como ocorre em todos os países sede. Nesses eventos as emissoras detentoras de direitos de transmissão fazem todos os ajustes operacionais e logísticos.

César Freitas, gerente executivo na Grupo RBS falou do legado que a Copa pode deixar para o Brasil e lembrou dos problemas nas comunicações e a falta de pessoal que fale outro idioma, além do português. O chefe de Esportes da Rede Record, Luiz Carlos Reche, lembrou que o mais fácil é a transmissão no estádio. "O mais difícil, será o deslocamento, se não houver o uso de tecnologia avançada", afirmou, ressaltando que a Iinha física, por ser muito mais segura vai continuar sendo usada nesta Copa.

Voz do Brasil

A questão da interrupção nas transmissões dos jogos pelas emissoras de rádio em virtude da obrigatoriedade da exibição do programa "A voz do Brasil" foi destacada pelo vice- presidente da Rede Pampa,Paulo Sergio Pinto. Ele indagou das autoridades se durante a Copa será dessa maneira. "A flexibilização do horário de transmissão da "A voz do Brasil" é essencial para o sucesso da Copa. Esse poderia ser um dos legados do evento", afirmou.

Ribeiro Neto, diretor institucional da Rede Bandeirantes - RS lembrou que durante a Copa o Brasil estará vendendo a imagem de um país, não só do futebol. Ele falou da qualidade do serviço de transmissão e lembrou que nos locais FIFA não há problemas. O vice-presidente da Agert, Luiz Cruz , do SBT falou da cobertura que o sistema fará da Copa e das dificuldades que devem ser superadas. Já o vice - presidente da Agert, Carlos Piccoli ( Grupo RSCom) lembrou que a linha física é ideal para dar estabilidade de transmissão.

O encontro restrito a convidados e associados à Agert recebeu também, Dermeval da Silva Junior - diretor do departamento de outorga de serviços de comunicação do Ministério das comunicações, Diego Sangermano, gerente de Jornalismo SBT RS, Luis Eduardo Rezende,chefe de redação SBT RS, Carlos Simonetti, apresentador da Rádio Fandango (Cachoeira do Sul), vice-presidentes e diretores da associaçao.

 



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