De São Paulo
Praticamente todas as empresas que desenvolvem jogos eletrônicos no Brasil guardam algumas características em comum: foram constituídas recentemente, têm faturamento modesto e sócios jovens - em muitos casos, colegas de faculdade que resolveram arriscar a sorte como empreendedores.
Trata-se de um mercado que, embora fascine muitos estudantes de áreas técnicas, ainda é difícil no país. Estima-se que 80% do faturamento do setor seja decorrente da venda de produtos importados. As cerca de 50 companhias nacionais do ramo dividem o restante.
Ninguém duvida que o bolo seria muito maior, porém, se não fosse a proliferação das cópias ilegais. O principal problema do setor - a exemplo do que ocorre com outros tipos de software - é o elevado índice de pirataria, que mina os esforços dos estúdios brasileiros e faz com que as multinacionais desistam de investir no país.
"Sempre imaginei que quando visse cópias piratas dos meus jogos sendo vendidas nas ruas eu estaria tão bem financeiramente que não iria nem ligar", diz Alexandre McHaddo, sócio da produtora de animação 44 Bico Largo. "Isso não é verdade. Mesmo ainda pequena, nossa empresa já era atingida pela pirataria."
A companhia nasceu em 1996, quando um grupo de alunos de artes plásticas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu e lançou o jogo para PC "O Enigma da Esfinge", que vendeu quase 50 mil cópias. Mas logo McHaddo e os demais sócios perceberam que as dificuldades de atuar nesse mercado iam além da pirataria.
Em seus primeiros anos de atividade, a 44 Bico Largo levava diretamente seus CDs às pequenas lojas que revendiam os produtos. Sem o intermédio de distribuidores, conseguia assegurar margens satisfatórias.
Mas, em 2000, quando a empresa lançou "O Monstruário", seu segundo jogo, o mercado havia mudado. As pequenas lojas foram substituídas pelas grandes varejistas. Levar o jogo até essas prateleiras é quase impossível sem distribuidores e editoras - as empresas que compram os direitos dos games e prensam os CDs. As editoras geralmente preferem trabalhar com jogos internacionais, com personagens conhecidos mundialmente, como o Homem-aranha ou estrelas do esporte.
Essas e outras dificuldades fizeram com que a 44 Bico Largo se afastasse cada vez mais da produção de games, que virou uma atividade secundária. A oferta de serviços de produção e animação para filmes e programas de TV é o atual ganha-pão da companhia.
Outras empresas têm insistido nos games. A Oniria surgiu em 2001, em Londrina (PR), e dois anos depois, com apoio da Finep, fechou contrato para desenvolver um jogo para uma editora alemã. O produto estreou no fim de 2004 e ficou em 17º lugar na lista dos mais vendidos da Alemanha.
A Jynx, de Recife, já vendeu três serviços de desenvolvimento para os EUA e negocia mais contratos internacionais para advergames e jogos de entretenimento. A empresa encerrou o ano passado com receita de R$ 600 mil e prevê chegar, em 2006, a algo entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões.
Em muitos casos, a idéia é diversificar. A Devworks, de São Paulo, cria advergames, jogos on-line e para celulares e, mais recentemente, abriu o portal Gametrak. Nos primeiros seis meses de atividade, cerca de 70 mil pessoas cadastraram-se no site.
(RC e JLR)
Informação: Abert/ Valor Econômico - Tecnologia & Telecomunicações - Pirataria
Começa cerimônia de assinatura de decreto para TV digital
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Começou há pouco, no Palácio do Planalto, a cerimônia de assinatura do decreto que vai definir as bases para a implementação da TV digital no Brasil. O decreto será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Participam da cerimônia o ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, e os ministrso brasileiros Hélio Costa (Comunicações), Dilma Russef (Casa Civil), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento e Comércio Exterior). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Cãmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) também estão presentes.
Informação: Agência Brasil
Planalto ignorou Câmara na escolha de TV digital
BRASÍLIA - Parlamentares da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados reclamaram do Palácio do Planalto ter ignorado um pedido da comissão para discutir TV digital.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, informou na semana passada que já foi fechado um acordo técnico com o Japão sobre o padrão de TV digital a ser adotado pelo Brasil, fato que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar amanhã, dia 29.
"Infelizmente, soubemos pela imprensa que será assinado amanhã esse acordo. E não fomos sequer convidados para assistir a assinatura", disse o presidente da comissão, deputado Victor Pires (PFL-BA). "Ficamos a ver navios", resumiu.
Segundo ele, a comissão enviou o pedido de audiência com Lula no dia 26 de abril, sem ter recebido uma resposta. O deputado disse que, por se tratar de matéria que compete à comissão, ela promoveu diversas audiências e seminários sobre TV digital, inclusive com o ministro das Comunicações, em busca da melhor alternativa para o país.
Por isso, segundo ele, deveria ter sido ouvida antes da escolha do padrão. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), integrante da comissão, leu um trecho do artigo 49 da Constituição, lembrando que "é da competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional".
Segundo ela, é obrigatório que o governo submeta ao Congresso a aprovação desse acordo, o que não foi feito.
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) disse que agora o Congresso precisa intensificar o debate sobre a questão. De acordo com ele, mesmo depois de escolhido o modelo, "é preciso discutir a concessão do uso de novos canais e os processos que serão adotados. Deverá haver um debate amplo para a criação de um marco legal".
A comissão deve pedir uma análise jurídica do acordo, assim que for tornado público, mas os deputados descartaram a possibilidade de anulação, o que poderia causar algum problema internacional.
Informação: Agência Brasil
Sob críticas, Lula assina acordo com japoneses para a TV digital
ELVIRA LOBATO
enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília
A escolha do padrão tecnológico japonês, oficializado por decreto do presidente Lula, a ser divulgado hoje, encerra uma discussão que já dura mais de dez anos. Europeus e norte-americanos, que concorreram com os japoneses, reclamam de que o governo rendeu-se ao interesse dos radiodifusores, defensores do padrão japonês.
O ministro das Comunicações japonês, Heizo Takenaka, veio ao Brasil assinar o acordo de cooperação entre os dois países. O decreto de Lula prevê sete anos para implantação do sistema digital em todo o país e dez anos para concluir a migração do sistema atual, analógico, para o digital.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, diz que a implantação dos sistemas de transmissão e de retransmissão exigirá investimentos da ordem de R$ 10 bilhões. Os japoneses ofereceram financiamento às emissoras de televisão.
A assinatura do acordo se dá sob críticas dos representantes dos dois sistemas concorrentes: o europeu (conhecido pela sigla DVB) e o norte-americano, chamado ATSC. O representante do ATSC no Brasil, Sávio Pinheiro, diz que o governo fechou com os japoneses sem obter as contrapartidas de investimentos que tinha anunciado como prioridade.
O governo queria condicionar a escolha do sistema digital a um compromisso dos fornecedores de instalação de uma fábrica de semicondutores no país. "Fizeram um cavalo de batalha em torno da implantação da fábrica de semicondutores no Brasil, e depois deixaram de falar no assunto", diz Pinheiro.
Para os fabricantes europeus, o Brasil optou pelo sistema mais caro, uma vez que o padrão japonês só é adotado no Japão, enquanto o norte-americano foi adotado nos Estados Unidos, no Canadá, no México e na Coréia do Sul, e o europeu, em 99 países. O custo dos produtos, afirmam, será influenciado pela escala de produção.
Compromissos
Os europeus também alegam que fizeram proposta mais concreta de implantação de uma fábrica de semicondutores do que os japoneses e que foram os únicos a se comprometer com a criação de empregos (23 mil) e com o compromisso de exportação (US$ 26 bilhões) num horizonte de dez anos.
Já o representante do ATSC diz que a escolha da tecnologia abriria para o Brasil a oportunidade de exportar televisores digitais para os EUA, que compram 30 milhões de televisores por ano e não fabricam internamente o produto.
Costa rebateu tanto as críticas dos europeus como as dos norte-americanos. Disse que nada garante que o Brasil exportaria televisores digitais para os Estados Unidos.
"Até produzirmos os televisores de plasma em escala para exportação, a China terá ocupado todo o mercado. Dificilmente poderemos produzir mais barato do que os chineses, e os Estados Unidos compram onde for mais barato."
Informação: Folha de São Paulo
O futuro na sua tela
Ao assinar hoje de manhã no Palácio do Planalto o decreto que define o padrão japonês para a TV digital no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializará o início de uma nova era para a televisão no Brasil, comparável à chegada das transmissões em cores ao país. As transmissões digitais, com muito mais qualidade de imagem e áudio, devem começar em cerca de um ano. O decreto fixa também as regras da transição do atual sistema analógico para o digital. Os dois sistemas vão conviver por 10 anos.
Com o novo tipo de transmissão, o telespectador terá, além de mais qualidade, a possibilidade de interagir com a programação, numa revolução de opções e comportamento diante da TV. Pelo padrão japonês, as emissoras poderão transmitir TV em alta definição para receptores móveis e portáteis - será possível, por exemplo, assistir à TV dentro do ônibus ou do carro.
A cerimônia de hoje será acompanhada pelas principais lideranças da comunicação do Brasil, entre elas o diretor-presidente da RBS, Nelson Sirotsky. Na solenidade, o ministro do Interior e das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, e o presidente Lula assinarão um termo de cooperação para desenvolver uma indústria de semicondutores no país.
Apesar de o padrão escolhido ter sido o japonês, o sistema de TV digital terá sotaque brasileiro: no acordo, o governo acertou a inclusão de tecnologia desenvolvida nas universidades do país - inclusive gaúchas - nos últimos dois anos.
A cerimônia vai ser transmitida pela TVCOM a partir das 10h30min
Informação: Zero Hora
TV Digital: cerimônia de anúncio
O Chefe do Cerimonial da Presidência da República, Embaixador Paulo César de Oliveira Campos, confirma para amanhã, às 10h30, a Cerimônia de Anúncio da Implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre e de Assinatura do Termo de Implementação do Acordo Tecnológico entre os Governos do Brasil e do Japão. A cerimônia acontece no Salão Nobre, no 2º andar do Palácio do Planalto.
Informação: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
Processos serão devolvidos ao Minicom
Atendendo à solicitação da ABERT, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, providênciou que a Presidência da República encaminhasse ao Congresso Nacional, Mensagem Presidencial na qual solicita a retirada dos 225 processos, de interesse de emissoras de rádio e de televisão que estavam com a documentação incompleta, correndo o risco de terem suas renovações de outorgas rejeitadas pela CCTCI - Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.
A Mensagem Presidencial, assinada em 23.06, que retirou as renovações de outorga, foi publicada no Diário Oficial da União de ontem, 26.05, e enviada aos nossos associados através do "Clipping ABERT da Radiodifusão".
Com a retirada das Mensagens da Câmara dos Deputados e a devolução dos processos ao Ministério das Comunicações, a tramitação das renovações das outorgas ficará suspensa. Também, não acontecerá mais a reunião agendada, para o dia 05.07, na qual o presidente da CCTCI, deputado Vic Pires Franco iria colocar em votação todos processos, rejeitando os que não cumpriram o prazo para apresentação da documentação exigida, aprovando os que atenderam a determinação da Comissão. A Mensagem está na Mesa da Câmara, aguardando o deferimento do presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo.
Agora, caberá ao Ministério das Comunicações examinar os processos, solicitar as emissoras que enviem a documentação pendente, e, novamente, através de outra Mensagem Presidencial, encaminar ao Congresso Nacional os processos para nova apreciação das renovações de outorgas.
A ABERT continuará acompanhando as providências e as prováveis exigências que o Ministério das Comunicações tomará.
Informação: ABERT
TV Digital oferecerá quatro novos canais
O Sistema Brasileiro de TV Digital prevê a criação de quatro canais públicos, que serão transmitidos por um operador de rede, a ser definido pelo governo.
A digitalização do sinal da TV aberta também deverá permitir a concessão de canais para novas emissoras comerciais, possivelmente dois no caso de São Paulo, segundo um técnico que participa das discussões sobre o SBTVD.
Os novos canais públicos ficarão a cargo do Executivo, para a transmissão de programações alternativas, e voltadas para a educação (viabilizando a educação à distância, por exemplo), a cultura e a cidadania (que poderá veicular programação de Câmaras Municipais).
O Comitê de Desenvolvimento da TV Digital, formado por cerca de dez ministros, aprovou ontem o texto final do decreto que vai definir a escolha do Brasil pelo padrão japonês de TV Digital (ISDB) com inovações brasileiras.
O decreto será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã. Os governos brasileiro e japonês também assinarão um termo de implementação da TV digital no Brasil, com os compromissos dos dois países no desenvolvimento do SBTVD.
O decreto, que terá 15 artigos, prevê um prazo de sete anos para que todo o país tenha cobertura de TV digital, e de dez anos para que o sistema analógico seja desligado. As primeiras transmissões deverão começar por São Paulo.
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Segundo o decreto, sistema analógico deixará de ser usado no país em até sete anos
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Para implementarem a TV digital, as emissoras de TV receberão um novo canal, com 6 MHz (idêntico ao atual), para fazer a migração de um sistema para o outro. Ao final da digitalização, os canais analógicos serão retomados.
Ao receberem o novo canal digital, as redes de TV serão obrigadas a usarem todo o espectro (6 MHz), sob pena de perderem o direito à freqüência, segundo regras que serão definidas pelo Ministério das Comunicações. A idéia é incentivar a multiprogramação (o espectro permite a transmissão de até quatro canais) quando as emissoras não estiverem transmitindo em alta definição.
Depois que solicitarem o novo canal digital, as redes de TV terão um prazo de seis meses para apresentarem ao Ministério das Comunicações um projeto de viabilidade técnica. Após a aprovação desse projeto, elas terão mais 18 meses para iniciar as transmissões, sob pena de perderem o novo canal.
O Ministério das Comunicações vai regulamentar, no prazo de 60 dias, o cronograma de implementação da TV digital, e também vai definir como será a atuação do operador de rede para os canais públicos.
Informação: Jornal do Brasil
Brasileiro ganha novas opções de TV
Brasília - O decreto que cria o Sistema Brasileiro de TV Digital - que adotará tecnologia japonesa com inovações nacionais e será divulgado amanhã - prevê a instalação de quatro novos canais públicos de televisão e a concessão de novos canais privados. Os novos canais públicos ficarão a cargo do Executivo. Serão um espaço garantido para a transmissão de programações alternativas, além da Radiobrás, e voltadas para a educação (educação à distância), a cultura (produções regionais) e a cidadania (transmissão de programas de Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e associações comunitárias).
A idéia é incentivar a multiprogramação quando as emissoras não estiverem transmitindo em alta definição. Cada um desses canais poderá transmitir até quatro programações diferentes ao mesmo tempo, recurso conhecido como multiprogramação. No total, serão 16 programas de interesse público diferentes.
A digitalização do sinal da TV aberta também deverá permitir a concessão de canais para novas emissoras comerciais, possivelmente dois no caso de São Paulo. O decreto, que tem 15 artigos, prevê um prazo de sete anos para que todo o país tenha cobertura de TV digital, e de dez anos para que o atual sistema analógico seja desligado. As primeiras transmissões vão começar por São Paulo, mas o prazo para que isso ocorra vai depender das emissoras. A preocupação do governo em garantir ao mesmo tempo a programação em sinal digital e em analógico deve-se ao fato de mais de 90% dos domicílios no país terem acesso apenas à televisão aberta e gratuita. Passado o período de transição, as emissoras serão obrigadas a devolver o canal analógico para o governo.
Uma das inovações tecnológicas brasileiras que deverá ser implantada com a TV digital é um conversor (que vai possibilitar a recepção dos sinais digitais nos atuais televisores analógicos). O equipamento, que está sendo desenvolvido pela Unisinos, em São Leopoldo, teria baixo custo. Um grupo que terá representantes dos governos brasileiro e japonês irá trabalhar nos projetos de implantação de uma indústria nacional de semicondutores. Segundo fontes do governo, duas empresas, uma japonesa e outra coreana, estariam interessadas em investir no país.
Informação: Correio do Povo
Confira o que estará no decreto de transição
O governo fechou os principais pontos do decreto de transição que deve ser assinado pelo presidente Lula na próxima quinta, 29, estabelecendo a implantação do SBTVD-T (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre). O sistema SBTVD-T será obrigatório às empresas de radiodifusão de sons e imagens (concessionárias e autorizadas).
O governo determinará no decreto o acesso público em geral, de forma livre e gratuita, mediante cumprimento das condições de exploração. O decreto falará explicitamente que será adotado no Brasil a modulação do ISDB-T (sistema japonês), mas não todo o sistema nipônico, e que incorporará as inovações tecnológicas aprovadas pelo Comitê de Desenvolvimento do SBTVD.
O mesmo comitê de desenvolvimento é quem fixará as diretrizes para elaboração das especificações técnicas a serem adotadas no SBTVD-T, com garantias de que padrões internacionais as reconheçam.
O Comitê de Desenvolvimento também estimulará a criação do Fórum do SBTVD-T, que será um organismo que auxiliará nas políticas e assuntos técnicos referentes às inovações, especificações, desenvolvimento e implantação do sistema a ser adotado pelo Brasil.
Segundo apurou este noticiário, o Fórum não necessariamente contemplará setores além do setor de radiodifusão, dos fornecedores de equipamentos e cientistas.
Como características, o SBTV-D adotará a transmissão digital em alta definição (HDTV) e em definição padrão (SDTV), a transmissão simultânea para recepção fixa, móvel e portátil, e a interatividade.
Retransmissoras terão normas adicionais
As concessionárias e autorizadas de radiodifusão de sons e imagens terão, para cada canal, mais 6 MHz para a transição. Mas o governo exigirá que a concessionária ou autorizada esteja em regularidade com a outorga para conceder o canal de transição. Para as autorizadas e permissionárias do serviço de radiodifusão, haverá ainda uma norma específica a ser baixada com as regras de outorga do canal de transição, segundo apurou este noticiário.
O Ministério das Comunicações é quem estabelecerá o cronograma de consignação dos canais de transmissão digital, mas não deverá ser superior a sete anos, com prioridade para capitais dos Estados; geradoras; retransmissoras em capitais e retransmissoras em demais municípios. Haverá um instrumento contratual entre o Minicom e as empresas de radiodifusão, e neste instrumento contratual estarão os prazos para a utilização do canal de transição e as condições técnicas.
Os projetos de instalação para a migração deverão ser entregues em um prazo de seis meses após a celebração do contrato, e após 18 meses de aprovado o projeto deverão ser iniciadas as transmissões sob risco de perda dos 6 MHz de transição.
O prazo máximo para o fim das transmissões analógicas será de 10 anos a partir da publicação do decreto de transição e fica permitida a transmissão simultânea da programação analógica e digital por este período. Após os 10 anos, os canais analógicos voltam para a União.
O decreto reforçará que a outorga para serviços de radiodifusão só será dada mediante processo licitatório. A novidade é que o governo quer que essa obrigação valha inclusive para autorizações e permissões.
Até 2014
A partir de 2014, o Ministério das Comunicações só outorgará o serviço de radiodifusão na tecnologia digital, mas ainda não está claro se o prazo de transição para os que entrarem em tecnologia analógica até lá é o mesmo ou será reduzido na medida em que 2014 se aproxima.
De qualquer forma, o governo pretende rever todos os prazos do decreto a cada três anos. A União terá ainda quatro canais digitais de 6 MHz em cada município para explorar de forma compartilhada, de acordo com norma ainda a ser estabelecida.
A idéia é que nesses canais entrem os canais do Poder Executivo, um canal de educação à distância e capacitação, um de cultura para conteúdos regionais e um canal dedicado às comunidades locais (chamado de Canal da Cidadania) que poderá ser compartilhado pelos poderes Legislativo e Judiciário. O governo quer deixar a cargo do Minicom o estímulo à celebração dos convênios de programação para o Canal da Cidadania, e será também este o canal dedicado aos serviços de governo eletrônico.
Ao fim de seus 18 artigos, o decreto de transição dispõe ainda sobre a possibilidade de que as instituições de pesquisa ligadas ao SBTVD-T recebam recursos públicos e diz que as normas complementares necessárias à viabilização do sistema brasileiro serão baixadas pelo Minicom.
As informações referentes ao decreto de transição a que este noticiário teve acesso podem sofrer algumas alterações até a assinatura do decreto, dia 29. Samuel Possebon
Informação: Tela Viva News
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