O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, afirmou há pouco que se reunirá amanhã com os líderes partidários amanhã, às 14 horas, para discutir o projeto da Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa (Projeto de Lei Complementar 123/04 e outros), que cria o Supersimples e estimula o desenvolvimento da atividade empresarial no País. O projeto deve ser votado nesta semana pelo Plenário.
Aldo afirmou também que os líderes vão pedir urgência para o Projeto de Lei 5855/05, que reduz os gastos das campanhas eleitorais. Segundo o presidente da Câmara, os deputados deverão fixar um teto para os gastos eleitorais, de modo a equilibrar os custos das campanhas de candidatos ricos e pobres.
Sobre a possibilidade de votação de pedidos de cassação durante o período de autoconvocação do Congresso, Aldo afirmou que incluirá os processos na Ordem do Dia à medida que chegarem à Mesa.
Informação: Agência Câmara
Projeto estabelece princípios da TV digital no Brasil
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6525/06, do deputado Walter Pinheiro (PT- BA), que estabelece princípios para a instalação da TV digital no Brasil. A proposta delineia os preceitos básicos para a modificação da tecnologia da geração e da transmissão de imagens audiovisuais no País. Uma das diretrizes é a "prioridade ao uso de padrões abertos, livres de restrições proprietárias quanto à sua cessão, alteração ou distribuição", argumenta o autor.
Aumento de prestadoras
De acordo com o projeto, a tecnologia precisa ser escolhida de modo a "aumentar o número de prestadoras por localidade, maximizar a criação de novos postos de trabalho e contribuir para o desenvolvimento da indústria cultural e de produção de equipamentos no Brasil".
Além disso, nenhuma tecnologia digital poderá provocar aumento no espaço ocupado no espectro eletromagnético por uma empresa outorgada, ou seja, as atuais emissoras continuam com o mesmo número de canais.
Transição
Como os sistemas de transmissão analógico e digital não são compatíveis, durante a transição entre os dois modos, a Anatel poderá conceder um canal adicional para a concessionária rádio. Já as emissoras de televisão deverão receber canalização necessária e suficiente para efetuar a transmissão de sinais em forma digital com imagem de definição padrão ou de alta definição conforme disponibilidade de espectro. Esse canal adicional deverá ser devolvido à Anatel no final do processo.
O governo definirá em regulamento o período de transição no qual todas as transmissões deverão ser feitas de modo a serem adequadamente reproduzidas em um receptor com capacidade de receber imagens de definição padrão. Além disso, todos os receptores terão a capacidade de prover mecanismos de interatividade para os usuários.
Motivações econômicas
Depois de traçar um panorama do desenvolvimento da TV digital em todo o mundo, o deputado salientou que as estratégias adotadas por Estados Unidos, Japão e Europa para escolha e produção da tecnologia envolvida na radiodifusão obedeceram a três motivações: o fomento à indústria eletrônica local; o fomento à indústria cultural; e a busca explícita da convergência tecnológica.
O parlamentar ressaltou que, segundo especialistas, "os produtos culturais, especialmente os programas multimídia interativos, serão a mercadoria por excelência desse novo milênio". Entretanto, Pinheiro explicou que não é tecnicamente possível para o País adotar um dos sistemas já desenvolvidos por outras Nações sem adaptações.
A "posição bastante favorecida do Brasil" - povo artisticamente criativo, rica diversidade regional, mescla de culturas autóctones e provenientes de diversas partes do mundo - foi destacada pelo deputado. Pinheiro sublinhou "a experiência brasileira em produção de software" como outro dos "ingredientes básicos necessários para a Nação destacar-se como um grande centro produtor do novo milênio".
Inclusão digital
Para alcançar esse patamar, contudo, o deputado acredita que seja necessário para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) garantir "a interatividade entre usuários e um sistema de sustentação de serviços e aplicações", para servir como "agente de inclusões digital e social". O parlamentar esclarece que a grande questão a ser respondida não é tecnológica, mas de "custo e abrangência da solução".
"Para a efetivação das inclusões digital e social no País, será necessário que o canal de interatividade esteja disponível a um baixo custo para a maior parte da população, inclusive nas regiões onde não existem, atualmente, nem os meios de comunicação mais básicos, como a telefonia fixa", concluiu Pinheiro.
O constante déficit na balança comercial do complexo eletrônico brasileiro é um argumento a favor do desenvolvimento de uma tecnologia que contemple a inclusão digital e que permita ao Brasil "ser um grande produtor mundial de programas interativos multimídia - unindo suas habilidades em áudio/vídeo e software, gerando divisas e propiciando um novo e inexplorado mercado de trabalho".
A produção de um terminal de acesso de baixo custo e o planejamento de canais de forma a permitir novos empreendimentos no mercado da radiodifusão são outros aspectos que o SBTVD precisa levar em conta, segundo Pinheiro.
O projeto ainda será distribuído pelas comissões técnicas.
Informação: Agência Câmara
Estrangeiros reforçam apostas na televisão digital brasileira
Renato Cruz
Trata-se de um mercado para lá de promissor, que pode movimentar US$ 100 bilhões em 10 anos. Com o governo próximo de tomar uma decisão, os interesses internacionais se voltam a Brasília e a administração federal se vê obrigada a administrar interesses e visões conflitantes, entre emissoras, fabricantes e entre os próprios ministros, ao tratar de uma questão politicamente delicada - a televisão - num ano eleitoral.
Terça-feira, chega a Brasília uma missão liderada pela comissária para a Sociedade da Informação e Mídia da Comunidade Européia, Viviane Reding, que inclui dirigentes de grandes indústrias do Continente, para defender a adoção de sua tecnologia para a TV digital brasileira. A visita dura dois dias. Na semana passada, passaram por lá os representantes do Fórum ATSC, sistema americano. Os japoneses também estão para desembarcar no País, apesar de o Ministério das Comunicações afirmar que ainda não há nenhuma reunião marcada.
O Brasil estuda três opções tecnológicas: o sistema japonês ISDB, o europeu DVB e o americano ATSC. Além disso, existe todo o trabalho feito por consórcios locais de pesquisa para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Na negociação internacional, o trabalho dos pesquisadores brasileiros será jogado fora? O governo (ou pelo menos parte dele) diz que não: os estrangeiros que aceitarem incorporar a maior parte da pesquisa local a seu padrão, e garantir a sua continuidade, terão mais chance de levar. O Ministério das Comunicações não chegou a elencar o fator como determinante.
Uma parte importante das emissoras brasileiras defende o ISDB japonês, o único sistema preparado para fazer a transmissão de sinais de vídeo para celulares no mesmo canal que atende aos televisores. A adoção do sistema reduziria a possibilidade de as operadoras de telecomunicações competirem com as emissoras, no atual cenário de convergência tecnológica. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, não esconde sua preferência pelos japoneses. Ele é festejado entre os radiodifusores como alguém que entende de televisão. Acionista de uma rádio em Barbacena (MG), sua cidade natal, Costa foi repórter do "Fantástico" e chefe da Sucursal da Rede Globo nos Estados Unidos.
Para fazer contraponto à posição de Hélio Costa e de grandes redes de televisão, fabricantes e grupos interessados na TV digital têm procurado outras lideranças dentro do governo, como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, além de parlamentares. O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) afirmou que o Congresso irá sugerir ao governo adiar a decisão de fevereiro para junho.
Na terça, haverá uma reunião ministerial para discutir a TV digital. Está marcada para 10 do mês que vem a entrega de um relatório elaborado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), sob encomenda do Ministério das Comunicações, com os subsídios necessários para a escolha. Daí, a decisão passa para as mãos do presidente Lula que, se confirmado candidato, teria de ter muita coragem para contrariar as grandes redes de TV.
Informação: Abert/ O Estado de S.Paulo - Economia
Empresas procuram influenciar a escolha
São Paulo, 30 de Janeiro de 2006 - O executivo Roberto Graves, presidente do ATSC Forum, instituição americana que traz o nome do padrão de TV digital dos Estados Unidos, está passando uma semana no Brasil com o propósito de convencer o governo federal de que o sistema de seu país é o melhor caminho para o Brasil, tecnológica, social e economicamente.
Até o dia 10 de fevereiro, conforme previu o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o governo deve definir detalhes dos sistemas que suportarão a TV digital no País.
"A escolha do padrão americano é mais importante para o Brasil do que para os EUA", disse Graves. "Em termos de economia de escala, inclusão social e exportação, o padrão ATSC é de longe a melhor opção", afirmou.
Os defensores do padrão europeu têm, naturalmente, visão diametralmente oposta. Defendem que o DVB, padrão europeu e global, é o mais adequado ao mercado brasileiro por contemplar o conceito da convergência, permitindo a recepção de sinais por meio do par de cobre, da antena de satélite e da antena terrestre. "Além disso, o padrão americano não tem ainda casos para mostrar, enquanto o DVB teve a adesão de mais de 50 países", afirma o chefe de tecnologia da Siemens, Mário Baumgarten, em nome da Coalizão DVB Brasil, recém-constituída por Nokia, Philips, Rohde&Schwartz, STMicroeletronics e Thales e Siemens.
A recém-constituída coalizão tem por meta auxiliar o governo brasileiro nessa discussão, mas Baungarten ressalta que o âmbito não pode ficar restrito ao fator técnico. "Diante da importância do tema, as discussões têm de ser ampliadas para a Casa Civil e o Congresso", afirmou.
Segundo ele, as questões devem começar pelo que há de mais básico: por que a TV digital é adequada para nós e de que forma fortalecer o papel da mídia no mundo cada vez mais convergente. Somente com essas respostas será possível definir qual é o padrão adequado.(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(André Borges e Thaís Costa)
Informação: Aesp/ Gazeta Mercantil - TI & Telecom
Rigotto destaca em Encontro da AGERT papel das emissoras para o desenvolvimento do país
O primeiro Encontro Regional de Rádio e Televisão, promovido pela AGERT, na última sexta-feira (27/01), em Osório, contou com mais de cem participantes, entre radiodifusores, profissionais da área da comunicação e parlamentares para debater “Os Políticos e a Radiodifusão”.
A abertura do evento teve a presença do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que destacou o papel das emissoras de rádio e televisão para o desenvolvimento do Estado e do país. “Devemos democratizar a informação, priorizando e valorizando as nossas rádios do interior, distribuindo bem as publicidades”, destacou.
O presidente da AGERT, Roberto Cervo “Melão”, ressaltou a importância de uma melhor distribuição da mídia governamental. “As nossas emissoras do interior nunca passaram por momentos tão difíceis causados pela estiagem prolongada, ou pelas comunitárias que comercializam de forma desleal, sem falar da pirataria tão prejudicial ao nosso setor”, frisou Melão. “O número de emissoras ilegais é cinco vezes maior do que as legais. Isso reflete em uma competição desleal com as rádios comerciais e legalizadas”, informou o secretário estadual da Justiça e Segurança, José Otávio Germano.
Para o coordenador do evento e vice-presidente Regional Litoral Norte da AGERT, Pedro Edir Farias, as emissoras comerciais prestam um grande serviço para a sociedade brasileira. “Através do Balanço Social da Radiodifusão implantado em 2004, pelo ex-presidente da instituição, Afonso Antunes da Motta, divulgamos o trabalho social e comunitário realizado pelas nossas emissoras”, destacou.
O encontro contou com as palestras dos deputados federais Eliseu Padilha, Pompeo de Mattos, Nelson Proença, secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Alceu Moreira e do subsecretário de Publicidade da Subsecretaria da Comunicação Institucional (Secom), Expedito Carlos Barsotti.
Estiveram presentes ao encontro o vice-governador Antônio Hohlfeldt, o deputado federal Alceu Collares, o chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, o secretário estadual de Educação, José Fortunati, o diretor-presidente da CEEE, Antônio Carlos Brites Jaques, o coordenador de Comunicação Social do Palácio Piratini, Celito De Grandi e demais autoridades políticas.
Informação: AGERT
Encontro Regional de Rádio e Televisão em Osório será amanhã
O primeiro Encontro Regional de Rádio e Televisão de 2006, promovido pela AGERT, terá a presença do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto e do vice Antonio Hohlfeldt. O evento será realizado nesta sexta-feira (27/01), na cidade de Osório, litoral norte do Estado, no auditório do Fórum, Av. Jorge Dariva, 1211, a partir das 15h.
O encontro contará com a palestra do secretário estadual da Justiça e Segurança, José Otávio Germano, que falará sobre a “A Proliferação das Rádios Piratas”. A coordenação será do vice-presidente Jurídico da AGERT, Cláudio Brito. Após a palestra, ocorrerá o primeiro painel da tarde, que debaterá “Projetos que Interferem na Radiodifusão”, apresentados pelos deputados federais, Eliseu Padilha, Pompeo de Mattos, Nelson Proença e do secretário estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Alceu Moreira. A coordenação será do vice-presidente de Finanças da AGERT, Wanderley Ruivo.
O último painel “O Governo Federal e a Regionalização da Mídia”, terá como painelista o subsecretário de Publicidade da Subsecretaria de Comunicação Institucional (Secom), Expedito Carlos Barsotti. A coordenação ficará a cargo do presidente da AGERT, Roberto Cervo “Melão”.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do e-mail This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. ou pelo telefone 3212-2200.
Os radiodifusores que participarem do evento estarão concorrendo ao sorteio de uma televisão de 29 polegadas. No término do encontro, os participantes poderão conhecer as obras do maior Parque Eólico da América Latina, situado em Osório.
Informação: AGERT
Parlamentares querem debate imediato, mas cuidadoso
A reunião desta quarta, 25, em que os deputados pretendiam precisar melhor as iniciativas já acertadas com a presidência da casa para subsidiar a discussão do modelo de televisão digital no país, serviu, basicamente, para aumentar a mobilização e o consenso em relação à impossibilidade política do Executivo tomar uma decisão apenas tecnológica no começo de fevereiro próximo. A reunião, contudo, não se caracterizou pelo detalhamento das iniciativas nem sobre o calendário, como pretendido.
Qualidade da mobilização
Foram convidados e efetivamente compareceram à reunião senadores, deputados de diversos partidos e representantes de algumas entidades que discutem a questão da televisão digital. Estiveram presentes os deputados Jandira Feghalli (PCdoB/RJ), Nárcio Rodrigues (PSDB/MG), Luiza Erundina (PSB/SP), Walter Pinheiro (PT/BA), Orlando Fantazini (Psol/SP), Júlio Semeghini (PSDB/SP), Renato Casagrande (PSB/ES), Jorge Bittar (PT/RJ); o senador Roberto Saturnino (PT/RJ) e a senadora Ideli Salvatti (PT/SC); e ainda representantes do Coletivo Intervozes, Gustavo Gindre; Federação Nacional de Empresas de Informática - Fenainfo, Maurício Laval Mugnaine; e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC, José Guilherme Castro. Todos elogiam a iniciativa do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB/SP) no sentido de ter provocado a discussão.
Debate
Durante as discussões, os presentes voltaram a dizer que a iniciativa não tinha o objetivo de frear a discussão e o processo de tomada de decisão do governo: "Ao contrário, queremos que as discussões continuem. Mas queremos também evitar que o governo tome uma decisão açodada", lembrou Jandira Feghalli. O deputado Jorge Bittar lembrou que o ministro Hélio Costa teve o grande mérito de tirar a discussão do marasmo em que ela tinha sido colocada nos últimos tempos, e que a atitude da Câmara ia no mesmo sentido. Bittar disse ainda que as discussões e as negociações devem encontrar um novo patamar porque de 1998 para cá, quando esta discussão começou ainda na Anatel, muito coisa mudou, inclusive em termos tecnológicos: "a tendência dos padrões internacionais, inclusive, é de aproximação", lembrou. Já o deputado Walter Pinheiro tomou o cuidado de dizer que "não estamos puxando o freio de mão, como até pode parecer, mas apenas pedindo mais cautela na decisão", disse.
Os representantes da sociedade civil foram na mesma linha, levantando, inclusive, a hipótese de adiar a decisão sobre tecnologia por mais um ano, "o que não seria nenhuma tragédia para o país, ao contrário do que querem fazer crer alguns", de acordo com o professor da Universidade de Brasília, Murilo César Ramos. Reforçando o posicionamento do professor da UnB, o deputado Jorge Bittar disse que a meta de assistir TV digital na Copa do Mundo de Futebol é mais uma colocação retórica, sem significado prático algum: "reconheço que isso tem um apelo eleitoral forte, e que o governo gostaria de poder dizer que resolveu a questão da TV digital, mas isso é o mais importante?", questionou.
A entrada do argumento político-eleitoral na discussão foi considerada inadequada pelo deputado Walter Pinheiro: "não podemos justificar o adiamento da decisão com o fato de ser um ano eleitoral. Porque é ano eleitoral, o país para de discutir? Além disso, se pararmos a discussão agora, no próximo ano começa tudo do zero, e não podemos nos dar o luxo de perder este tempo", lembrou Pinheiro. A deputada Luiza Erundina fechou este ponto do debate considerando que se deve "estabelecer um calendário de decisões de forma a manter a possibilidade da Câmara dos Deputados continuar a influir nas decisões".
Cobrança
O deputado Julio Semeghini considera que o Ministério das Comunicações cometeu uma falha grave ao não divulgar para o conhecimento da sociedade o resultado dos testes e experimentos realizados pela comunidade científica brasileira sobre a televisão digital: "nós temos o direito de conhecer o resultado destes testes, que foram pagos com o nosso dinheiro, antes que o governo tome qualquer decisão de caráter tecnológico". O deputado paulista lembrou que o ministro Hélio Costa havia se comprometido com ele e com outros deputados e representantes da sociedade civil em uma reunião realizada no próprio Minicom a discutir os resultados destes testes em duas reuniões no mês de dezembro. "As reuniões foram canceladas pelo ministro e agora ele anuncia a decisão final para o dia 10 de fevereiro sem que a sociedade tomasse conhecimento do resultado dos experimentos. Queremos conhecer estes documentos, e vamos pedir isso ao ministro na reunião que ele terá conosco na Comissão de Ciência e Tecnologia na próxima terça, dia 7", afirmou.
Bancadas diferentes
Ainda que grande parte dos participantes da reunião de parlamentares tradicionalmente acompanhe a questão das comunicações no Congresso, nenhum deles pode ser, tipicamente, identificado como a bancada da radiodifusão (exceção ao deputado Nárcio Rodrigues). Não estiveram presentes, por exemplo, deputados e senadores proprietários de emissoras e, portanto, vinculados aos radiodifusores, nem os deputados e senadores ligados às bancadas religiosas, setor que hoje tem forte presença no mercado de radiodifusão. Um observador que não pode ser identificado lembra que esses parlamentares certamente terão uma visão mais alinhada com as emissoras e com o ministro Hélio Costa.
Compromissos
Em relação às tarefas específicas que os deputados deveriam encaminhar na reunião desta quarta, as decisões foram as seguintes:
* A Comissão Geral foi confirmada para 8 de fevereiro pela manhã. A deputada Jandira Feghalli lembrou que o objetivo da atividade não é aprofundar temas, mas provocar sua discussão de forma mais ampla possível. O deputado Walter Pinheiro lembrou que formalmente os partidos é que indicam os nomes dos não-deputados que falarão na sessão da Comissão Geral. Pinheiro lembrou ainda às entidades sobre a necessidade de ser feita a articulação com a presidência da casa sobre os nomes a serem chamados.
* Sobre os seminários temáticos, existe uma dúvida em relação à data de sua realização. Fazê-lo entre o final da convocação extraordinária e o início da sessão legislativa normal e antes do Carnaval é considerado um risco pelo pouco tempo que resta para prepará-lo. Esta preparação cuidadosa é importante, de acordo com Jandira Feghalli, porque é no seminário que os temas serão aprofundados. Por outro lado, também considera-se importante manter acesa a discussão para evitar que o tema possa cair no esquecimento ou voltar ao marasmo anterior. De qualquer forma, começa a se firmar a idéia de realizar o seminário na primeira semana de março, já com a Câmara em pleno funcionamento.
* Sobre a exposição técnica, também é necessário que haja um tempo suficiente para a preparação dos pesquisadores interessados em expor seus trabalhos na Câmara dos Deputados. O ideal para alguns é que esta exposição pudesse ser realizada entre a Comissão Geral e o seminário, mas há dúvidas sobre a possibilidade concreta de ser feito nesta data. Carlos Eduardo Zanatta e Samuel Possebon
Informação: TELA VIVA News
Jandira quer que regionalização pegue carona na TV digital
Um dos temas tratados por parlamentares e entidades civis reunidas na Câmara dos Deputados para discutir TV digital é o projeto sobre regionalização da produção de rádio e televisão de autoria da deputado Jandira Feghalli (PCdoB/RJ), aprovado na Câmara e atualmente "estacionado" na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. A deputada considera que a discussão sobre TV digital é uma excelente oportunidade para descongelar a discussão sobre o projeto: "tem tudo a ver uma coisa com outra. Nós queremos que a TV digital seja formatada de tal maneira que viabilize o aumento da produção regional. Neste sentido, recuperar a discussão é também uma tarefa deste momento". Por esta razão, começou-se uma articulação para re-introduzir o debate no Senado realizando algumas atividades sobre a regionalização, como exibição de programação produzida regionalmente e debates. Os senadores Saturnino Braga (PT/RJ) e Ideli Salvatti (PT/SC) se comprometeram em encontrar a melhor forma de recuperar esta discussão.
Informação: TELA VIVA News
Caos urbano favorece o rádio
Inacreditável o que está acontecendo com consumo de mídia, causado pelo novo comportamento social, que está levando o tradicional meio de comunicação rádio novamente à liderança.
Nas chamadas décadas perdidas, 80 e 90, por exemplo, as mulheres tinham difícil acesso ao mercado de trabalho. Também os jovens, tinham enormes dificuldades em freqüentar escolas. Hoje o que percebemos é um cenário completamente diferente. As mulheres batem o recorde nas carteiras de trabalho assinadas, chegando a 50%, como também o Brasil bate recorde de jovens freqüentando as salas de aula.
Evidentemente o que percebemos é um inexorável crescimento de atividades nas diversas culturas do mundo. Hoje acordamos mais cedo e dormimos mais tarde. Ocupamos nosso tempo, com uma infinidade de tarefas, que seriam absurdas comparadas há 20 anos.
Desde os princípios das análises de hábitos de mídia, jamais nos deparamos com tamanha revolução. Nossas rotinas diárias permitiam identificar as probabilidades no comportamento de consumo de mídia. A Televisão, por exemplo, que tinha uma performance impressionante, até porque havia pessoas sem atividade nas residências. O horário nobre da TV, naquela época, hoje parece ridículo; acontecia às 18h. Depois foi migrando para às 19h, às 20h e hoje se encontra na faixa horária das 21h às 22h. A propósito, horário da principal novela do país.
Evidente que com mais atividade, as pessoas passam muito mais tempo fora de casa. O interessante é notar, que os meios de comunicação, disputam nossa atenção e competem com nossas diversas atividades. Neste contexto, TV, Jornal, Revista e mesmo a Internet, exigem nossa atenção total, fato escasso hoje.
Portanto como temos um tempo previsto para consumo de mídia, a realidade é que ele está recuando. Por mais inacreditável que pareça, o único meio que leva enorme vantagem com este fator, é o meio Rádio. O Rádio é o único meio que pode ser consumido, viabilizando atividades paralelas e por isto mesmo, já é identificado no mundo todo, como o meio do futuro.
Quando analisamos os Estudos Ipsos/ Marplan, sobre hábitos de consumo de mídia, percebemos que o Rádio é líder absoluto entre os horários das 5h às 18h. Também pelo estudo do Ibope, constatamos esta liderança em termos de horas consumidas.
É interessante notar que hoje o Rádio é muito mais qualificado do que a TV. Sua penetração, de acordo com os estudos Ipsos/Marplan, ocorre com mais propriedade, nas classes A,B e C, perdendo desempenho nas classes D e E. O mesmo não ocorre com a TV, que mantém alta penetração também nas classes baixas.
A razão maior, é que o ouvinte hoje é uma pessoa ativa e com renda. Já quem fica em casa, principalmente no horário da tarde, provavelmente é inativo e conseqüentemente, tem menor renda.
Quando se trata de faixa etária, diferentemente do que muitos ainda imaginam, o meio Rádio detém sua maior penetração junto aos jovens, principalmente entre 15 a 29 anos. Nem precisamos explicar o porquê, pois sabemos que são os mais ativos entre todos.
Este movimento não é apenas nacional, é uma realidade muito mais destacada nos paises desenvolvidos. O Festival Mundial de Publicidade de Cannes deste ano referendou o que defendemos, pois eles esperaram exatos 52 anos, para incluir pela primeira vez, as peças criativas de Rádio, para julgamento. Foi um enorme sucesso.
Também em publicidade, o Radio Advertising Bureau (RAB) identifica forte crescimento nos Estados Unidos e na Europa, superando inclusive o crescimento de diversos meios.
O desejo em consumir o Rádio é tamanho, que nos EUA há cinco anos surgiram duas empresas que oferecem Rádio por satélite diretamente para automóveis; A XM Radio e a Sirius Radio. Ambas operam com mais de cem canais de áudio, cobrindo o mercado americano de costa a costa. O interessante é que o consumidor aceita pagar por este serviço, exatamente U$ 12,95 por mês, caracterizando a importância do meio nos dias atuais.
Empresas montadoras americanas de automóveis, como GM e Ford, entre outras, já instalam gratuitamente os aparelhos com acesso ao satélite, caracterizando como vantagem competitiva das montadoras, cabendo ao comprador do automóvel, assinar ou não o serviço. Ambas já conquistaram 6 milhões de assinantes.
Quem desejar adquirir um novo aparelho, quer seja para ouvir XM Radio ou Sirius Radio, o valor unitário do equipamento é de apenas US$ 50,00.
Recentemente, estimulada pelo grande sucesso, a XM Radio lançou o MyFi, o XM2go, que é um aparelho portátil, produzido pela Delphi e pela Pionner, do tamanho de um celular, pelo valor de US$ 225,00. Com ele, os ouvintes podem ouvir diretamente do satélite ou ouvir emissoras FMs terrestres. Também neste caso, os proprietários precisam pagar US$ 12,95 por mês.
Outra realidade diferenciada do meio no Brasil, foi a decisão das empresas em digitalizar os sinais das emissoras AMs e FMs. Fomos os terceiros no mundo e decidimos pelo padrão IBoc, "In Band On Channel" que viabiliza o envio de sinais analógicos e digitais, sem qualquer mudança nas freqüências e permitindo aos ouvintes, manter seus aparelhos atuais, e migrando gradativamente para os digitais.
Com a digitalização, as emissoras AMs ganham qualidade sonora das FMs e as FMs ganham qualidade de CDs. Nesta nova era, o rádio ganha característica de meio multimídia. Além do som sem chiados, as emissoras poderão, em breve, enviar aos ouvintes, por exemplo, mensagens de texto, imagens das músicas, shows, etc.
Antonio Rosa Neto é presidente da Dainet e do GPR – Grupo dos Profissionais do Rádio e diretor da AESP – Associação das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo.
Sugestões e comentários podem ser enviados para o e-mail This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it..
Câmara entra na discussão sobre SBTVD
O principal resultado de uma longa reunião (mais de duas horas) do deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), presidente da Câmara, com um grupo de deputados interessados na discussão sobre televisão digital realizada na tarde desta terça, 24, foi a decisão de entrar com força na discussão sobre o tema, especialmente no que ainda não foi discutido pelo governo e que, na visão dos deputados, é o mais importante: o modelo de negócios do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Para fomentar esta discussão, as três decisões imediatas (que serão melhor detalhadas em uma outra reunião nesta quarta, 25) os deputados vão realizar:
* Uma Comissão Geral, possivelmente na manhã do dia 8 de fevereiro próximo (uma quarta-feira). De acordo com o Regimento Interno da Câmara, Comissão Geral é o nome que se dá à sessão plenária da Câmara dos Deputados quando interrompe seus trabalhos ordinários para debater um assunto muito relevante. Além dos deputados, podem ser convidados para participar da Comissão Geral outros cidadãos que terão a palavra no plenário da Câmara.
* Um seminário técnico, possivelmente uma semana após a realização da Comissão Geral. Neste seminário, pretende-se aprofundar as propostas levantadas na Comissão Geral, entre outras, para subsidiar os deputados no sentido de encontrarem a melhor forma de participar do debate sobre o modelo de televisão digital no País.
* Uma exposição e demonstração dos resultados obtidos pelos pesquisadores brasileiros que participaram dos consórcios de desenvolvimento do SBTVD.
Proposta da Câmara
De acordo com o deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP), ainda não foi decidido se a Câmara terá ou não uma proposta própria para encaminhar a discussão do modelo depois destas primeiras iniciativas. Para os deputados, agora é hora de voltar a levantar os temas que já foram abordados de forma dispersa em ocasiões diversas, de forma organizada.
"A Câmara não tem a mínima pretensão de decidir o padrão tecnológico de TV digital", disse Semeghini. "Esta discussão já vem sendo muito bem conduzida pelo governo. O que o governo não fez ainda e que precisa ser feito por toda a sociedade, até mesmo antes de se decidir pelo padrão técnico, é decidir sobre o modelo de negócio da TV digital".
Para a deputada Jandira Feghalli (PC do B/RJ), esse modelo deve incluir especificamente a questão da democratização das comunicações no País e a capilaridade da televisão, de forma a permitir que não apenas os 7% de brasileiros que hoje têm acesso à televisão por assinatura possam receber televisão de alta qualidade em seus domicílios.
Já o deputado Walter Pinheiro (PT/BA), que na semana passada apresentou um projeto de lei para disparar esta discussão, considera que caberá ao Parlamento proporcionar à sociedade a oportunidade de fazer esta discussão de forma mais aprofundada: "Não podemos perder de forma alguma o que já foi discutido em todos os fóruns, inclusive técnicos".
Para o deputado Aldo Rebelo, destes primeiros movimentos da Câmara pode não surgir ainda um projeto de lei que modifique a atual legislação, mas as bases para isso já poderão ser colocadas. O presidente da Câmara observa ainda que não se trata de uma iniciativa para confrontar o governo e muito menos o setor privado. Ao contrário: "Nosso objetivo é contribuir para uma discussão que ainda não foi feita", afirmou.
Além dos deputados já citados participaram da reunião na presidência da Câmara a deputada Luiza Erundina (PSB/SP) e o deputado Miro Teixeira (PT/RJ). Carlos Eduardo Zanatta
Informação: TELA VIVA News
-
2006-01-24 22:00Ministros e Congresso devem adiar decisão
-
2006-01-24 22:00Comissão vota autorizações para serviços de radiodifusão
-
2006-01-24 22:00TV Câmara faz convênio com Assembléia do Rio Grande do Sul
-
2006-01-24 22:00Câmara terá comissão geral sobre TV digital
-
2006-01-24 22:00Seminário na Câmara estudará TV digital
-
2006-01-23 22:00Governador Rigotto participará de Encontro Regional de Rádio e Televisão
-
2006-01-23 22:00EUA prometem vantagens na TV digital
-
2006-01-23 22:00EUA ainda tentam vender sua TV digital
-
2006-01-23 22:00ATSC não tem propostas novas para oferecer
-
2006-01-22 22:00Abert denuncia rádio comunitária em Buritama por irregularidades
