DANIEL CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA
A movimentação em Brasília na última semana de representantes dos três sistemas de TV digital escondeu a verdadeira "guerra" que está sendo travada nos bastidores: a disputa entre as redes de TV e as empresas de telefonia pelo modelo econômico que será adotado no país com a nova tecnologia.
Hoje, na TV analógica, para transmitir um único sinal as redes precisam de uma freqüência com a largura de 6 MHz. Com a digitalização e a compressão dos sinais, caberá muito mais informação (vídeo, áudio, dados) nesses mesmos 6 MHz. Assim, em vez de um só sinal, as emissoras poderão irradiar quatro simultaneamente. Em outras palavras, uma emissora pode virar quatro.
As teles não querem o "monopólio" das TVs sobre o espectro de UHF e VHF e travam uma guerra para tirar um pedaço dele, que usariam para explorar internet de banda larga, telefonia e venda de vídeo sob demanda. O modelo econômico é que definiria se as TVs manterão seus 6 MHz ou se perderão parte deles para novas emissoras e para as teles, na chamada convergência. Dependendo do modelo, a TV digital poderá movimentar no Brasil até R$ 100 bilhões nos próximos anos, segundo empresários. TVs e teles são as grandes forças no tabuleiro da TV digital.
As primeiras têm poder político. As segundas, poder econômico (faturaram R$ 100 bilhões em 2004, 14 vezes mais que as redes, e são grandes financiadoras de campanhas eleitorais). Fornecedores de tecnologia (japoneses, americanos e europeus) e fabricantes de equipamentos são atores secundários nessa questão, que começa a ser concluída na próxima sexta-feira, quando o governo federal deverá divulgar relatório final com estudos sobre TV digital.
Além de aspectos econômicos e tecnológicos, a definição da TV digital tem implicações político-eleitorais. Está em jogo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo analistas ouvidos pela Folha, se Lula fizer o que as TVs querem -ou seja, optar já pelo padrão japonês e limitar o acesso das teles ao espectro de TV digital-, ele terá a gratidão das emissoras, que retribuirão com uma cobertura generosa na campanha.
"O governo se move no sentido de que uma aliança com a Globo significa uma campanha mais tranqüila. De outro lado, isso pode ter conseqüências terríveis", afirma Celso Schröder, coordenador-geral do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações), entidade que faz parte do conselho consultivo do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital) e que defende o compartilhamento do espectro por canais públicos (como TV Senado), comunitários e universitários.
A TV digital provocou um racha no governo. De um lado, está o ministro Hélio Costa (Comunicações), que defende abertamente o padrão japonês, em oposição às teles. "O sistema japonês é o melhor para a TV aberta brasileira. O modelo de negócios da TV digital será o mesmo do da analógica. Não estamos discutindo telefonia digital, mas televisão digital", disse Costa em entrevista à Folha.
O grande "rival" de Costa entre os quatro ministros que mais têm poder de influenciar Lula nessa decisão é Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) -os outros são Antonio Palocci Filho (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Furlan é visto pelos donos de TVs como aliado das teles e defensor do padrão europeu ou americano. Furlan não quis dar entrevista.
A forma como o governo vem conduzindo as discussões sobre TV digital é criticada por quase todos os "atores" envolvidos na questão -menos as redes. "A maneira como o Ministério das Comunicações foca a discussão está equivocada. A discussão sobre tecnologia no momento é irrelevante", afirma Marcos Magalhães, presidente da Philips para a América Latina. Para Magalhães e Schröder, antes de discutir qual o padrão, o país deveria definir o modelo econômico (quais serviços terá, qual será o modelo de negócios, qual a inserção global?).
A opção por definir antes o padrão tecnológico pode favorecer as TVs. A decisão agora (o governo promete a definição para este mês) daria vantagem ao padrão japonês, porque ele, segundo as redes e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que fez testes nos três padrões, seria o único que oferece alta definição e recepção em veículos e celulares na mesma faixa de 6 MHz das emissoras de TV. Mas, em pouco tempo, todos os padrões deverão ser equivalentes. Por que não adiar? "Se a decisão for adiada para o ano que vem, as TVs terão muito menos poder", esclarece João Carlos Saad, presidente da Bandeirantes.
Por 2006 ser ano de eleições, parte do governo (e todas as redes) tem pressa em definir a tecnologia. Articula-se um grande espetáculo para inaugurar a TV digital em 7 de setembro: um jogo da seleção brasileira de futebol transmitido em alta definição para telões instalados nas maiores cidades do país. Um gol de placa.
Para redes de televisão, só padrão japonês impede avanço das teles
DO COLUNISTA DA FOLHA
Para as redes de TV, somente o padrão de modulação do sistema de TV digital japonês (o BST-COFDM) proporciona hoje as funcionalidades que lhes assegurarão sobrevivência nos próximos dez anos. Essa tecnologia lhes permitiria bloquear o acesso das teles e de novas emissoras ao espectro da TV digital, mantendo o "monopólio" do ar.
Um sistema de TV digital completo inclui o padrão de modulação (seu "coração"), o padrão de codificação (as redes querem o MPEG-4) e o "middleware" (algo como um Windows do sistema, que "roda" os aplicativos). As TVs entregaram ao presidente Lula, no último dia 18, uma carta em que pedem a adoção do BST-COFDM, a possibilidade de elas transmitirem em alta definição (HDTV) e em definição standard (SDTV), com recepção simultaneamente em televisores fixos, móveis (em veículos) e portáteis (celulares) usando 6 MHz.
Segundo as TVs, só o padrão japonês permite isso -o que os outros sistemas negam. Assim, elas poderão transmitir para telefones celulares (desde que o aparelho seja de terceira geração e tenha um chip especial) sem passar pelo tráfego das operadoras de telefonia móvel. As teles, que querem gerar receitas com o tráfego de vídeo, obviamente são contra.
Para as emissoras, principalmente a Globo, o padrão americano não é interessante porque ele ainda não é robusto o suficiente. Testes da Universidade Mackenzie em São Paulo mostraram que o padrão, desenvolvido para um país quase todo cabeado, não funciona numa nação em que 93% da população só vê TV pelo sinal aberto, pelo ar. Os televisores não "pegariam" seu sinal.
Já o europeu também não interessa porque, apesar de permitir alta definição, foi desenvolvido e seria direcionado para um modelo em que as teles são dominantes.
Na Globo, o padrão japonês é visto como a única forma de assegurar um diferencial de qualidade para a TV aberta (a alta definição) e de impedir o avanço das teles.
Apesar de o sistema permitir a multiprogramação (quatro canais simultâneos), a idéia é transmitir o máximo em HDTV. A definição standard só seria usada em ocasiões especiais, como numa Olimpíada: a emissora se dividiria em dois canais quando o Brasil estivesse simultaneamente disputando uma medalha na natação e outra no vôlei, por exemplo. Dividir seus 6 MHz em quatro não interessa às redes: encarece custos (terão que produzir ou comprar mais conteúdo), pulveriza a audiência e não necessariamente atrai mais verba publicitária.
"A alta definição é a única chance de a TV aberta se manter competitiva", diz um alto executivo da rede. Na alta definição, a imagem é melhor do que a do DVD. Há uma sensação de profundidade muito maior. A funcionalidade, no entanto, encarece a produção, porque capta detalhes que a TV standard oculta, como fissuras em cenários. Devem-se gastar 25% a mais em produção. No raciocínio da Globo, as teles querem forçar as TVs a serem clientes delas ou impedir seu avanço de qualidade, pela tecnologia ou pelo modelo econômico.
Para a Globo, se escolher o padrão americano, o Brasil criará uma "reserva de mercado" para as teles. Isso porque o modelo dos EUA ainda não permite transmitir para televisores fixos e celulares usando a faixa de 6 MHz das TVs. É necessário uma freqüência extra, a ser operada por uma tele.
Diz a Globo ainda que o padrão europeu já transmite para televisores e celulares, mas, quando isso ocorre, o sinal do aparelho fixo perde qualidade. Representantes do consórcio europeu negam. Além disso, as TVs abertas da Europa não têm alta definição, o que cria um filão para as teles distribuírem conteúdo em HDTV via internet de banda larga.
Informação: Abert/ Folha de São Paulo - Dinheiro
TV pode ter classificação 10 anos
Keila Jimenez
O público quer classificar a programação da TV para as crianças de 10 anos. Isso é o que aponta uma pesquisa sobre classificação indicativa na TV realizada pelo Ministério da Justiça. A pesquisa tem base em uma consulta pública realizada entre os dias 19 de setembro e 20 dezembro do ano passado em Brasília, Acre, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
A classificação de programação em vigor atualmente tem como idade-limite (a menor) 12 anos. Para filmes e DVDs já existe uma portaria que inclui a faixa dos 10 anos. Segundo pesquisa da Ministério, o público quer uma classificação específica para esse target: 95% dos participantes falaram sobre a importância dessa faixa.
A consulta pública foi dividida em nove perguntas sobre o que a população pensa a respeito de classificação indicativa na TV. Foram distribuídos 12.660 questionários a respeito do assunto. Segundo os resultados, 56,5% dos entrevistados consideram a classificação de programas um serviço de proteção a crianças e adolescentes e mais de 25% vêem esse trabalho como um instrumento de defesa dos direitos humanos.
Já quanto aos horários da classificação indicativa, há controvérsias entre os entrevistados. Mais de 35% deles disseram que não há necessidade de mudar o horário compreendido como livre para a programação, que é das 6 às 20 horas. Mas, 22% dos participantes da consulta pública acham que esse horário "livre" poderia ser esticado até as 22 horas.
A questão dos fusos horários também foi alvo de consulta. Mais de 85% dos participantes acham que o Ministério da Justiça deve encontrar uma solução para a classificação onde há fusos horários diferentes.
Informação: Abert/ O Estado de S.Paulo - Caderno 2
Corrida pela TV digital
Marcela Canavarro
O ministro das Comunicações, Helio Costa, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem os elementos necessários para escolher o padrão da TV digital brasileira. A afirmação é uma resposta a um movimento do Congresso Nacional que visa postergar a decisão.
Os estudos técnicos foram concluídos em dezembro do ano passado, quando os 22 consórcios formados por universidades e instituições de pesquisa entregaram os relatórios conclusivos. De acordo com o cronograma, o presidente deve anunciar sua decisão nesta sexta-feira. Concorrem os padrões americano (ATSC), japonês (ISDB) e europeu (DVB).
- Vamos insistir para que o prazo seja dilatado. Essa é uma decisão tão importante quanto o desarmamento e poderia ser caso até de um referendo - afirma o deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP).
Insatisfeitos com a pouca participação do Congresso, os deputados querem a ampliação do prazo em até cinco meses.
Hélio Costa afirmou que gostaria que, pelo menos a escolha do tipo de modulação, definido pelo padrão, seja anunciada em fevereiro. A intenção é iniciar as transmissões na Copa do Mundo da Alemanha, em junho. Em setembro, a idéia é ter seis emissoras com a programação completa em sinal digital. Após a definição do padrão, as emissoras precisarão de oito meses para se adequar.
- A bola está na marca do pênalti para o presidente Lula fazer um gol de placa. Ou ele chuta e marca, ou chuta devagar e a bola entra de mansinho, ou joga para fora. Mas a decisão é dele - afirmou. ]
Uma comissão formada pela Casa Civil e os ministérios da Fazenda, Desenvolvimento e Comunicações recebeu representantes dos padrões europeu e japonês. O encontro com os americanos será amanhã. Um fator importante para a decisão do presidente são as ofertas e os incentivos feitos por cada padrão, alinhando-os à política industrial brasileira.
- O principal é como o Brasil vai introduzir suas contribuições e não ser só um importador de tecnologia - enfatizou o deputado Jorge Bittar (PS-RJ).
O Fórum DVB ofereceu poder de voto no Steering Committee, o comitê oficial do padrão, que decide como será evolução do sistema. A União Européia disponibilizou uma linha de financiamento de 400 milhões de euros.
- Essa é a chance do Brasil se inserir no mercado global. O DVB inclui o país em um modelo que permite exportar - afirma o diretor de tecnologia da Siemens, Mario Baumgarten.
A empresa participa de uma coalizão para estimular a adoção do padrão europeu no país. Integram o grupo Nokia, Philips, Siemens, Rohde&Schwarz, STMicroeletronics e Thales, todas com matriz européia.
De acordo com a coalizão, o ISDB é adotado por países que detêm 2% da população mundial, o ATSC, por 8% e o DVB estaria caminhando para 50%.
- Os recursos para a evolução vão para onde há mais mercado. O DVB é um padrão aberto, o que automaticamente gera mais competição e beneficia o usuário - enfatiza a diretora de Assuntos Governamentais da Nokia, Cláudia Paludo.
Para conquistar o mercado brasileiro, os japoneses se comprometeram a direcionar recursos mais vultosos que a oferta européia. Sem especificar o valor, ele seria suficiente para financiar toda a infra-estrutura para a implantação da TV digital no Brasil, inclusive para radiodifusores. Outra proposta foi a isenção total de royalties para facilitar a produção do conversor do sinal.
Informação: Abert/ Jornal do Brasil - Internet
Impacto econômico explica preferência pelo padrão japonês
Juliano Basile e Arnaldo Galvão De Brasília
O governo está preocupado com os impactos econômicos da TV digital e essa foi a razão que levou o padrão japonês a sair na frente na disputa com relação aos modelos europeu e americano.
A equipe econômica defende a implantação de um sistema de TV digital que permita a ampliação da concorrência entre as empresas que irão atuar neste setor no Brasil. O objetivo é fazer com que um número maior de empresas possa atuar no mercado de interatividade que irá vigorar no país com o novo modelo. Assim, acredita-se que os serviços terão um custo menor e, em conseqüência, os consumidores pagarão menos pela TV digital.
O modelo japonês foi considerado até aqui como o mais eficiente por razões técnicas e de propriedade intelectual. O governo entende que este modelo é mais avançado e, dessa forma, trará maior economia no uso dos recursos técnicos necessários para o funcionamento do sistema. E, num outro plano, os representantes do consórcio japonês de TV digital já se dispuseram a dispensar a cobrança de royalties na venda de aparelhos e a abrir mão das patentes, o que permitirá o desenvolvimento de serviços no país em torno da nova TV.
No fundo, as razões da predileção pelo modelo japonês são econômicas. Tanto o sistema técnico, considerado como o mais avançado, quanto a liberação de pagamentos de direitos de propriedade industrial trarão economia de custos às empresas que forem atuar neste mercado no Brasil.
Como a equipe econômica está avaliando o impacto de cada um dos modelos no mercado brasileiro?
Cada padrão de TV digital representa um modelo de escolha em quatro dimensões diferentes. São: modulação, transmissão, "middleware" e aplicativos. Cada uma dessas dimensões são relativamente independentes entre si. Elas podem ser avaliadas individualmente, mas também se inter-relacionam.
Modulação é a capacidade de transmissão de dados por ondas de rádio. Neste quesito, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fez testes de campo e concluiu que o melhor modelo seria o japonês. Por quê?
A análise da Anatel foi eminentemente técnica. A agência explicou, em seu relatório, que uma modulação mais eficiente põe mais informação nos 6 MHz (megahertz) de potência de cada canal a ser utilizado na TV digital. Ou seja, o padrão japonês consegue, segundo a Anatel, comprimir mais dados e transmiti-los usando menos espectro.
Essa capacidade terá impactos econômicos importantes, no futuro, pois, com mais eficiência no espectro, haverá a possibilidade de uso de um maior número de canais. "É preciso avaliar o custo do espectro", explicou um técnico do governo que participou das análises sobre os três modelos em discussão.
Já a escolha de um padrão de transmissão terá impactos nos equipamentos a serem utilizados pelo futuro modelo de TV digital. Os três consórcios usam o formato MPEG2 - um sistema utilizado para a compressão de informação digital. Os três prometeram incorporar um sistema mais avançado - o MPEG4, que permite comprimir mais dados usando menos espectro.
A equipe econômica acredita que essa "compressão do espectro" terá um impacto econômico importante no futuro. E é sobre ela que o governo está preocupado, pois, com mais custos para as empresas operarem o sistema, são maiores as chances de os consumidores pagarem mais pela TV digital.
O problema é que, até aqui, todos os consórcios que disputam o modelo de TV digital no Brasil - o japonês, o americano e o europeu - apenas prometeram incorporar o padrão MPEG4, mas nenhum deles ofereceu este padrão mais avançado ao país.
Um terceiro componente importante é o middleware. Cada um dos padrões tem um middleware que funciona como uma espécie de "caixa-preta da TV digital".
O middleware é um sistema operacional que dá suporte para o desenvolvimento de diferentes aplicativos dentro da TV digital. Mal comparando, é como o sistema Windows da Microsoft. Ou seja, é um sistema que permite diferentes funcionalidades.
Na TV interativa, o padrão de middleware definirá, por exemplo, se o consumidor poderá assistir a um jogo com o ruído da torcida que preferir.
Assim, a decisão sobre o tipo de middleware irá abranger, por conseqüência, os tipos de serviço que o mercado brasileiro demandará em TV interativa.
A pergunta que o Ministério da Fazenda está fazendo aos consórcios é: Qual o tipo de middleware que trará menos custos ao país?
O maior problema nessa definição está na propriedade industrial. O middleware é protegido pela legislação de patentes. Por isso, a equipe econômica batizou o middleware de "caixa-preta da TV digital".
Este sistema será colocado num chip que irá para dentro do aparelho televisor.
O ponto crítico, segundo a equipe econômica, é ter acesso sobre esse sistema, já que ele dará suporte aos demais aplicativos. É, dessa forma, um problema sério de direito, com um forte impacto econômico.
O Brasil terá de escolher um modelo de caixa-preta para a TV digital sobre o qual o consórcio dono deste modelo terá propriedade sobre ele. E, ao mesmo tempo, o país quer permitir que a partir deste modelo, haja a possibilidade de as empresas competirem por novos serviços em interatividade. Como contornar este problema?
A equipe econômica avaliou que os três padrões estariam praticamente empatados nessa disputa com relação ao middleware, pois todos mantêm a proteção à patente. Os europeus chegaram a sinalizar ao Brasil que poderiam dar um assento ao país no consórcio, especificamente para o desenvolvimento de um middleware a ser utilizado no mercado nacional.
Essa era a maior sinalização de abertura em termos de patentes que o Ministério da Fazenda tinha recebido até o último dia 2. Mas, naquele dia, os japoneses informaram ao governo brasileiro que estariam dispostos a dispensar totalmente a cobrança de royalties dos aparelhos a serem utilizados na TV digital. Com isso, o consórcio japonês se colocou à frente dos demais também do ponto de vista de propriedade intelectual.
Essa definição será importante para o último componente, entre os quatro considerados pela equipe econômica para a TV digital: os aplicativos que serão rodados no middleware. A Fazenda quer que haja ampla liberdade para o desenvolvimento desses aplicativos. Dessa definição, as empresas, e até pessoas físicas, poderão desenvolver programas para serem rodados no middleware. Dela dependerá o tamanho do mercado e o seu grau de abertura no Brasil.
São, portanto, três decisões básicas a serem tomadas pelo governo brasileiro - do ponto de vista da competitividade -, antes de escolher entre um ou outro padrão: qual o padrão de modulação, quais as regras de acesso às estradas de transmissão e qual a liberdade para empresas e pessoas desenvolverem aplicativos que serão usados no middleware da futura TV digital.
Um técnico do governo resumiu ao Valor o que está em jogo nessa discussão: "Parece uma questão de interesses privados, mas é, no fundo, uma definição de políticas públicas importantes no país".
Informação: Abert/ Valor Econômico Tecnologia & Telecomunicações
Câmara aprova 20 concessões de radiodifusão
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na última terça-feira (31) 20 projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados. As propostas, da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, serão agora analisadas pelo Senado. As concessões são as seguintes:
BAHIA
Associação de Assistência aos Menores Carentes de Barra do Mendes - Barra do Mendes
CEARÁ
Fundação José Possidônio Peixoto - Caucaia
Fundação Educativa e Cultural José Onilson Lima - Parambu
Rádio FM Serrote Ltda. - Ubajara
Rádio FM Caxitoré LTDA. - Pentecoste
GOIÁS
Fundação Educativa e Cultural Goiás Vivo - Caldas Novas
MATO GROSSO
Associação Comunitária Paranaitense para o Desenvolvimento Artístico e Cultural - Paranaíta
Associação "Marechal Rondon" de Campinápolis - Campinápolis
MINAS GERAIS
Associação dos Moradores do Centro de Borda da Mata - Borda da Mata
Associação Comunitária, Cultural e Educativa de Rádio Difusão - Itumirim
Associação de Radiodifusão Comunitária "Pérola do Triângulo" - Iturama
PARANÁ
Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Santa Fé - Santa Fé
Fundação Canal Vinte e Um - Cascavel
RIO GRANDE DO SUL
Associação Rádio Comunitária Atalaia de Bagé - Bagé
Rádio Marajá Ltda. - Rosário do Sul
Radiofônica.com Marketing LTDA. - Santo Cristo
RONDÔNIA
Rádio Tiradentes Ltda. - Porto Velho
SANTA CATARINA
Associação Comunitária João Kominek - Itaiópolis
SÃO PAULO
Associação Comunitária para o Desenvolvimento de Guaraci - Guaraci
Fundação Ernesto Benedito de Camargo - Cotia
Informação: Agência Câmara
Câmara aprova urgência no projeto de reforma eleitoral
André Silveira, de Brasília
Os deputados federais aprovaram nesta quarta-feira, dia 1º de fevereiro, no plenário da Câmara, pedido de urgência para a tramitação do Projeto de Lei 5855/05, de autoria do senador Jorge Bornhausen (PFL/SC). Entre outras coisas, a proposta proíbe a autorização de publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, nos seis meses anteriores às eleições. Atualmente, esse prazo é de três meses antes do pleito.
No entanto, essa proibição de publicidade governamental não atinge os produtos e serviços que tenham concorrência no mercado. Se o Projeto de Lei for aprovado, a maioria da propaganda oficial realizada no País poderá ser veiculada apenas até abril, e não até julho, como ocorre atualmente.
O projeto também altera o prazo para divulgação de pesquisas e propaganda eleitoral na imprensa escrita e no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Conforme a proposta, é permitida até a antevéspera das eleições a divulgação de propaganda eleitoral paga na mídia impressa, no espaço máximo para cada candidato, partido ou coligação, de um oitavo de página de jornal padrão e um quarto de página de revista ou tablóide por edição.
A proposta também estabelece que serão vedadas as gravações externas, montagens com efeitos especiais, computação gráfica, desenhos animados e recursos cinematográficos nas propagandas eleitorais. Os infratores poderão ser punidos com a suspensão do acesso ao horário eleitoral gratuito por 10 dias seguidos. O projeto também estende a propaganda política aos canais de TV por assinatura e às rádios comunitárias e proíbe os showmícios.
Em função da aprovação, os parlamentares fecharam acordo e já agendaram a votação do projeto na sessão ordinária desta quinta-feira, dia 2, que começa a partir das 14 horas. Também na quinta-feira, às 10 horas, os líderes partidários farão uma reunião com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, a fim de fechar um acordo que viabilize a votação do projeto no Senado o mais breve possível. Essa votação será necessária, porque o projeto sofreu modificações na Câmara.
Informação: Abert/ Meio & Mensagem
Japoneses se dizem dispostos a pagar mais que europeus para implantar TV digital no Brasil
Nelson Motta
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Os representantes do sistema japonês de TV digital disseram hoje (2) que estão dispostos a pagar mais ao governo brasileiro do que a proposta de 400 milhões de euros, feita nesta quarta (1) pelos europeus, para implantação de seu sistema no Brasil.
"Não posso precisar o montante. O Japão está pronto para pagar mais, mas isso vai depender da demanda brasileira", disse Noryuki Shigeta, representante da Arib (associação que faz especificações de telecomunicações e transmissões no sistema japonês), após reunião, no Palácio do Planalto, com os ministros Hélio Costa, das Comunicações, Dilma Rousseff, da Casa Civil, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Antonio Palocci, da Fazenda.
Hélio Costa disse que ficou satisfeito com a apresentação feita pelos japoneses na reunião com o grupo de trabalho criado para analisar as propostas dos responsáveis pelos três padrões de TV digital - europeu, japonês e americano. Sobre a expectativa de os japoneses pagarem mais do que o proposto pelos europeus, Costa foi taxativo: "Temos certeza de que uma proposta melhor virá".
De acordo com o ministro, o sistema japonês cumpre, "rigorosamente", o que o sistema brasileiro de TV digital exige. "Eles apresentam TV de alta definição, mobilidade e interatividade no mesmo canal, sem precisar de canal extra", argumentou.
Em entrevista coletiva, o ministro rebateu as informações dadas ontem pelos representantes do sistema europeu de TV digital de que já estavam operando em Taiwan, ilha de Formosa, com mobilidade e interatividade no canal de 6 MHZ. Costa disse que mandou fazer uma pesquisa e constatou que não é isso que está acontecendo em Taiwan.
"Você transmite em 6 MHZ, quando você esta em alta definição e não transmite tudo em um canal de 6 MHZ. Então, nem em Taiwan você consegue exatamente aquilo que o governo tecnicamente quer fazer, a tv de alta definição", disse Helio Costa.
O grupo de trabalho que esta analisando as propostas para a implantação da TV Digital no Brasil volta a se reunir na próxima terca-feira(07), com os representantes do padrão americano. O ministro Helio Costa afirmou, que depois da conversa com os americanos, o grupo de trabalho ira fazer um levantamento das três propostas apresentadas, que serao levadas para apreciação do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, que apontara depois, qual o padrão de TV Digital que sera implantado no território brasileiro.
Informação: Agência Brasil
Governo irá ampliar inclusão no Simples
Brasília - O governo deverá apresentar na próxima segunda feira uma contraproposta de Estatuto Nacional para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs), que acomode no Super Simples um grupo mais amplo de empresas do setor de serviços - como as construtoras, as imobiliárias e as agências de publicidade. Conforme os indicativos dados pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, a proposta poderá excluir a contribuição previdenciária da alíquota única cobrada desse subsetor dos serviços, o que contraria parcialmente o discurso do governo de desonerar a folha de pagamento.
Informação: Correio do Povo
Hélio Costa se diz satisfeito com proposta dos japoneses
A novidade da reunião entre os responsáveis pelo padrão japonês de televisão digital, ISDB, e o governo brasileiro na tarde desta sexta, 2, é a indefinição por parte dos japoneses em relação ao valor que poderão oferecer aos brasileiros para financiar a transição para a TV digital. O problema surgiu porque, de acordo com o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, também presente à reunião no Palácio do Planalto, o Japan Bank tem um limite para financiamentos no estrangeiro e em um único país. No caso do Brasil, já há financiamentos de cerca de US$ 1 bilhão. De qualquer forma, o embaixador afirmou que não faltaria dinheiro para financiar as necessidades de investimento em tecnologia digital no Brasil.
Satisfação
Após a reunião com os japoneses, o ministro Hélio Costa se disse satisfeito com os compromissos assumidos pelos responsáveis pelo sistema japonês em relação ao governo brasileiro.
Resumidamente, os compromissos são com financiamento, incorporação no ISDB dos avanços conseguidos pelos pesquisadores brasileiros, inclusive o Mpeg 4-10 desenvolvido pelos pesquisadores da PUC/RJ na compressão de vídeo, não cobrança de royalties e garantia de presença de técnicos brasileiros no comitê de desenvolvimento do sistema ISDB. O ministro das Comunicações afirmou ainda que seus colegas dos outros ministérios que compõe o grupo de trabalho puderam esclarecer todas as dúvidas técnicas e comerciais.
Os japoneses, de forma discreta, como convém, manifestam sua satisfação com a preferência explícita do ministro Hélio Costa pelo seu sistema. "Estamos confiantes na decisão do governo brasileiro", disse o embaixador do Japão.
Divergências
Hélio Costa afirmou que, "de ontem para hoje", o Ministério das Comunicações fez um contato com Taiwan, onde, segundo os responsáveis pelo DVB, está sendo implantado um sistema de televisão digital com base naquele padrão com o desenho idêntico ao que pretende o governo brasileiro. De acordo com o ministro, as informações são divergentes em relação ao que foi dito pelo DVB: "Apenas durante as transmissões de HDTV é possível fazer a transmissão dos outros elementos previstos pelo sistema, vale dizer, da mobilidade, portabilidade e interatividade, dentro da faixa de 6 MHz", afirmou.
Falta clareza
Há pelo menos dois pontos pouco claros na proposta dos japoneses. Em primeiro lugar os representantes do ISDB afirmam que disponibilizariam financiamento e tecnologia para que o Brasil fabricasse de imediato os set top boxes necessários ao início das transmissões. Ao mesmo tempo, as mesmas pessoas afirmam que o Japão poderia ceder peças para a montagem dos set top boxes. De qualquer forma, sem cobrança de royalties. Uma segunda questão se refere à possibilidade de entrada dos televisores produzidos no Brasil no mercado japonês. Os representantes do ISDB não deixam claro, mas aparentemente não há espaço para isso pois o Japão produz todos os televisores digitais que necessita.
O mercado é semelhante ao brasileiro (cerca de 10 milhões de novos aparelhos por ano). Nos dois últimos anos, o Japão produziu e vendeu 8 milhões de aparelhos digitais. Segundo o embaixador Horimura, o grande mercado para os televisores produzidos no Brasil será a América Latina, se os demais países latino americanos acompanharem a decisão brasileira. Este não é um diferencial que deva contar pontos para a escolha do padrão japonês. Ao contrário. Os grandes mercados mundiais estão ocupados pelo DVB e pelo ATSC.
Informação: TELA VIVA News
Câmara convida especialistas para comissão especial
As bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados já estão finalizando a convocação dos convidados que participarão da Comissão Especial da Câmara, a ser realizada na próxima quarta, 8, para discutir a questão da TV digital. Entre os nomes, nota-se a presença de associações setoriais de radiodifusão e telecomunicações, especialistas e pesquisadores.
A sessão acontece das 10h00 às 14h00 e a perspectiva é que cada convidado tenha cerca de cinco minutos para fazer uma breve ponderação sobre a questão da TV digital. As manifestações servirão para balizar os deputados sobre os problemas inerentes e variáveis a serem enfrentadas. Até agora, foram convidados e confirmaram:
*Abert (José Inácio Pizzani, representando os radiodifusores);
*Abra (Johnny Saad, representando os radiodifusores);
*Eletros (Paulo Saab, representante a indústria);
*ABTA (Alexandre Annenberg, representando o setor de TV paga);
*Acel (nome a confirmar, representando empresas de celular);
*Telebrasil (Ronaldo Iabrudi, representando as teles fixas);
*CPqD (Ricardo Benetton);
*LSI/USP (Fernando Zuffo);
*PUC - Rio;
*PUC - Rio Grande do Sul;
*UnB (Murilo Ramos);
*FNDC (Celso Schroeder);
*Indecs (Gustavo Gindre);
*Abraço (representando as rádios comunitárias);
*Fenainfo (representando indústria de informática).
Outros nomes estão sendo convidados, ainda sem confirmação.
Informação: TELA VIVA News
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