Produção de Conteúdo - TV digital e o desastre anunciado

O Estado brasileiro está colocando neste momento 50 milhões de reais no desenvolvimento do chamado Sistema Brasileiro de TV Digital. Os recursos, que por enquanto são muito pequenos, vêm do Funttel – Fundo Para o Desenvolvimento Tecnológico das Comunicações. O objetivo, em resumo, é compor um modelo próprio de TV digital que evite parte dos royalties que seriam pagos aos japoneses e europeus pelo uso do MPEG-2 e, no caso pela opção do sistema americano, os royalties que iriam também para a Dolby. O valor desses royalties oscila entre 5 dólares a 20 dólares por televisor.

O país tem 54 milhões de aparelhos receptores de TV instalados, para os quais se planejam transcodificadores (os set-top boxes) que supostamente lhes dariam capacidade digital. O problema é que não dão. Os transcodificadores permitem apenas que sinais digitais sejam convertidos para os aparelhos existentes, mas não os transformam em aparelhos digitais. A verdade é que, com a chegada das plataformas digitais, o parque instalado de aparelhos de TV será substituído.

Cada brasileiro, hoje, mantém seu aparelho de TV por quatro anos. É até muito tempo se comparado ao celular, que descarta a cada 18 meses. Há algo de profundamente estranho, então, em se investir pesadamente sobre um paliativo de curtíssima duração.

TV pelo celular

Muito mais estranho é observar que, enquanto isso acontece, o país escolhe, por decisão política, não investir 1 centavo em pesquisa de conteúdo para as plataformas digitais. Este conteúdo, que os brasileiros poderiam estar pesquisando, não apenas vai permanecer por muitas décadas como poderia render ao país um volume de royalties perto dos quais os 20 dólares por televisor seriam menos do que a gorjeta.

Em várias esferas há, neste momento, uma grande perplexidade em função do desenvolvimento de meios eletrônicos de distribuição de conteúdo audiovisual. A rapidez desse desenvolvimento superou as melhores previsões. Ela está fazendo com que as preocupações com a incessante chegada de tecnologias se distribuam em três níveis: o da conceituação do que venha a ser toda a mídia que está sendo criada; o da sua exploração (onde se inclui o desenvolvimento de modelos de conteúdo); e o da sua regulação.

Tenta-se identificar, por exemplo, se a internet é um serviço de telecomunicações ou um serviço de valor agregado; se a telefonia móvel é ela mesma (como originalmente) um serviço de telecomunicações ou se, como acontece hoje na prática, um serviço de distribuição eletrônica de conteúdo audiovisual, portanto radiodifusão. E isso não é nem o começo.

Hoje, pouca gente compra um telefone celular pensando apenas em utilizá-lo como telefone. Era o oposto há apenas dois anos. Atualmente, o desenvolvimento das aptidões técnicas da telefonia móvel está se dando harmoniosamente com o de seus conteúdos. Não há qualquer dúvida que, nos próximos dois anos, vai-se assistir televisão pelo celular. Sabe-se, no entanto, que não será o Domingão do Faustão, pelo menos não na forma com que o programa vem empacotado aos domingos pela TV aberta. Para a indústria de conteúdo para telefonia móvel, os protocolos e outras características técnicas são o que deveriam ser: ferramentas que lhes permitam construir o que o consumidor está disposto a comprar.

Mau serviço

A próxima bola da vez será a TV digital. Ao decidir, conscientemente, que não cabe investimento na pesquisa de conteúdo, mas apenas no desenvolvimento de tecnologias de conversão de sinais, o governo brasileiro está fazendo três coisas extraordinárias: 1) colocando o dinheiro do contribuinte na construção de caminhos a serem explorados pela iniciativa privada; 2) deixando nas mãos da televisão brasileira, tal como ela é hoje, a prerrogativa de construir também o cenário da televisão digital; e 3) desestimulando (para não usar o termo impedindo) os pesquisadores de conteúdo, seja na área acadêmica ou na pequena empresa, a criarem modelos originais, autênticos, possivelmente inovadores e seguramente brasileiros de formatos digitais. Pois são justamente esses modelos que poderiam inverter a direção do tráfego de exportação/importação de formatos atualmente vigente na televisão brasileira.

No que tange à regulação, deve-se admitir que o Estado debate-se hoje entre a necessidade de regular o que historicamente carece de regulação, a utopia de regular o que é na sua essência irregulável, e a pressão de setores já estabelecidos do chamado "setor produtivo" para que a regulação do audiovisual continue atendo-se apenas ao cinema, como vem acontecendo desde a metade do século passado.

A regulação do que existe e a construção do que virá a existir pertencem a esferas diferentes, mas deveriam ser faces distintas de um mesmo projeto de governo. Para que este cenário seja entendido, é necessário reconhecer que a televisão aberta brasileira não goza do equilíbrio encontrado em mercados nos quais ela potencialmente se espelhou – como o americano, por exemplo. A começar pelo fato de que, lá, as redes de TV são na verdade grandes corporações, que hoje fazem parte de megaconglomerados, com a pulverização de decisões e a exigência de resultados que tal quadro impõe. Esse cenário acabou por gerar uma divisão relativamente equânime tanto do mercado quanto da receita publicitária – as três maiores redes dos EUA operam cada uma com cerca de 12% do bolo publicitário.

No Brasil, as emissoras de televisão continuam sendo empresas com um perfil bem diferente, nas quais a resposta aos acionistas equivale muitas vezes ao atendimento às vontades do patrão. É relevante o fato de que várias delas não dependem dos seus resultados para subsistir. Por isso, algumas são capazes de operar com menos de 2% do mercado. Não estão prestando um bom serviço à geração de riquezas na sua área. E a julgar pelo produto que entregam ao espectador, estão prestando um serviço pior ainda à sociedade brasileira. Não parece uma sábia decisão do governo tomar dinheiro do contribuinte para deixá-las desenhar o modelo da televisão digital para o país.

Índice de nacionalização

A divisão mais eqüitativa do mercado nos EUA, se comparado ao brasileiro, reflete-se também em ideários distintos da própria televisão. As grandes redes americanas são unidas de maneira mais sólida que as brasileiras. Isso ficou explicitado, aqui, com o surgimento de associações de emissoras de televisão concorrentes da Abert – que, na visão das demais emissoras, representa hegemonicamente os interesses da Rede Globo.

O que essa divisão retrata com clareza, também, é a diferença pouco sutil com que uma e outra vertente olham para a sociedade e para os compromissos que pretendem assumir com ela – sejam obrigadas a fazer tal coisa ou não. Por isso, é irônico que a Globo veja-se premida com freqüência a cair na defesa de emissoras que burlam o que ela própria muitas vezes está cumprindo.

Isso pode se referir em parte ao artigo 221 da Constituição brasileira, mas de forma bem mais ampla diz respeito ao compromisso com o tipo de produto que a televisão julga adequado entregar ao espectador. Se tirarmos o foco da própria Globo – que passou a ser percebida pela população brasileira como sinônimo de televisão, tal como Gillete é sinônimo de lâmina de barbear –, o que a televisão brasileira vem construindo e entregando ao espectador, na grande maioria dos casos, é afrontoso à inteligência do cidadão brasileiro e à auto-estima da sociedade. E é também um mau negócio, porque não se pode acreditar que um empresário sinta-se feliz com menos de 2% do mercado.

No ano passado, o maior comprador de conteúdo estrangeiro entre as emissoras brasileiras foi também a que mais perdeu audiência: o SBT teve perdas de 50 milhões de dólares, mas seria um erro focar a discussão simplesmente na quantidade de produto audiovisual importado. O índice de nacionalização é relativamente alto em todas as emissoras, porque o lixo cultural não tem nacionalidade.

Desastre anunciado

A preocupação com a chegada da Telmex entre os acionistas principais da NET e a tramitação do projeto de lei 175/2001, que admite participação majoritária de capital estrangeiro nas operadoras de TV por assinatura, é um grão de areia no deserto que representa a construção de conteúdo brasileiro de qualidade para os meios de difusão no Brasil – sejam eles serviços de comunicação eletrônica de massa, de telecomunicações ou de valor agregado.

O único denominador comum entre os segmentos que preconizam diversas intensidades do papel do Estado nisso tudo é que cabe ao Estado, no mínimo, incentivar a produção desse conteúdo. Mas se há barreiras a tal incentivo, cabe ao Estado também quebrar essas barreiras. Foi o Estado que, por omissão, permitiu que uma grande parte da televisão brasileira usasse a prerrogativa de deter o monopólio da produção audiovisual (que a sociedade jamais lhe concedeu) e despejasse sobre esta mesma sociedade uma programação emburrecedora, vulgar e ainda por cima ineficiente do ponto de vista comercial.

Foi também o Estado que estimulou um quadro de TV por assinatura por onde transitam mais de 300 canais estrangeiros e não dá fôlego para que a sociedade crie uma só programadora brasileira independente. Isto, além de fazer com que a decorrente estagnação do mercado conseguisse o milagre de colocar em dificuldades comerciais o que há de mais eficiente e lucrativo nas operações de TV aberta do país, como avalista e refém de um modelo desastrado de TV por assinatura.

Ao focar exclusivamente sobre o desenvolvimento de tecnologias de conversão de sinais, o governo corre o sério risco de colocar o Brasil na retaguarda da construção de modelos de conteúdo para a televisão digital. Delega essa tarefa para os agentes de um modelo que deixou a televisão brasileira do jeito que está. Abre mão da possibilidade de criar formatos potencialmente globalizantes, portanto grandes geradores de divisas. Determina que as imagens e a força criadora brasileiras para modelos e formatos audiovisuais sejam restritivos e não inclusivos. Descarta uma oportunidade que está brilhando como néon à sua frente.

A sociedade brasileira levará alguns anos para perceber isso. E muitas décadas para pagar pelo erro.

Informação: Sulrádio/ Observatório da Imprensa

Recuperação Econômica - A mídia vai bem. Já o jornalismo...

São claros os sinais de recuperação da mídia brasileira. Encontrado, afinal, o ponto de equilíbrio no qual o organismo sobrevive com a ração mínima sem demandar muita qualidade de vida, pode-se afirmar que as empresas ditas jornalísticas consolidam, enfim, o modelo que lhes permitirá sobreviver e aproveitar um pouco da estabilidade com crescimento que lhe proporcionam as medidas econômicas do atual governo: redações enxutas e domesticadas, as poucas vagas preenchidas com profissionais qualificados para o trabalho operacional, com a energia suficiente para a multiplicação de pautas e pouco ânimo para contestações.

Nos processos de colher e publicar, praticamente se alcançou a plena uniformidade, graças a um longo trabalho de benchmarking no qual as empresas trocaram informações sobre como buscar eficiência com menores custos. Esse entendimento vem sendo buscado há mais de dez anos, com reuniões periódicas de executivos, gerentes e editores dos grandes jornais e dos jornais regionais mais destacados.

Assim, têm-se por todo o Brasil o mesmo modelo de redação, os mesmos procedimentos na produção de notícias, as mesmas planilhas de transporte e distribuição, tecnologias equivalentes nos sistemas de edição e impressão, as mesmas fontes de notícias, colunistas e articulistas "sindicalizados" distribuídos no atacado pelas mesmas agências.

Não admira que os jornais resultem muito parecidos.

Serviço extra

Hoje, com exceção dos noticiosos regionais mais voltados para suas comunidades, pode-se fazer um jornal com a mesma qualidade média da imprensa brasileira a partir de apenas uma ou duas fontes: a Agência Brasil seria a principal delas. Em São Paulo, um pequeno grupo de jornalistas se prepara para realizar essa experiência na internet, com o objetivo de radicalizar no caminho assumido pela mídia em geral e tentar entender para onde leva esse processo de pasteurização.

A diferença estará nas premissas básicas que formam cada redação. Exemplo: todos poderiam publicar a notícia da inauguração do Parque da Juventude, no antigo Complexo do Carandiru, ocorrida em 19 de setembro. Mas só saberia que se tratava de uma obra inacabada quem mandasse um repórter ao local nos dias seguintes para tomar conhecimento de que não apenas o bosque estava fechado para término da trilha de observação, como também seriam informados de que os visitantes estavam, até este domingo, dia 10 de outubro, proibidos de fazer fotografias sem autorização especial.

Um pouquinho mais de esforço de reportagem e o leitor ficaria sabendo que os guardas foram treinados para entender que "não pode fotografar porque o parque é um reduto eleitoral do governador Geraldo Alckmin e o governo tem medo de notícia negativa". A frase literal poderia ser colhida pelo repórter de qualquer um dos guardas, todos diligentemente treinados segundo as técnicas atuais, que recomendam dar as ordens e explicar suas razões.

Poderia haver esse serviço extra ao leitor, claro, para evitar que fosse interpelado e eventualmente constrangido por julgar que num parque público uma câmara de fotografia não pode ser considerada um objeto de risco. Mesmo em período eleitoral.

Volta ao azul

Detalhes como esse fazem o padrão de qualidade sobre o qual as empresas brasileiras de comunicação preparam sua recuperação econômica e a retomada de sua importância no cenário nacional.

Os números são alentadores: segundo estudo apresentado pela empresa americana de pesquisa Pyramid Research durante o seminário "Satélites 2004", promovido pela Converge Eventos em São Paulo, o mercado de comunicações deverá crescer 4,5% no Brasil nos próximos cinco anos. O maior crescimento está previsto para a internet em banda larga (22,5%) e TV por assinatura (9,4%), o que indica uma diferença ainda maior de investimentos publicitários na mídia eletrônica do que na mídia impressa, mas, tradicionalmente, no Brasil, jornais e revistas acabam se beneficiando marginalmente da maior disponibilidade dos anunciantes.

Os números falam muito sobre o interesse do empresário Carlos Slim Helu, dono de um conglomerado de comunicações que inclui a Telmex (Telefonos de Mexico) e Televisa, no controle da Net Serviços, a empresa de TV por assinatura do Grupo Globo. Se confirmadas as tendências de recuperação, atrás de Slim virão outros investidores estrangeiros.

As empresas de mídia estariam, portanto, no caminho de volta para o azul em seus balanços. O problema é, como tem sido mais do que relatado nesta praça por muitos observadores, o custo que a sobrevivência das empresas estará impondo à essência do seu negócio.

Quando, enfim, os jornais estiverem bem, quem convencerá seus executivos de que a bonança não poderá perdurar se o jornalismo continuar de mal a pior?

Informação: Sulrádio/ Observatório da Imprensa

Sky e DirecTV anunciaram a fusão de seus negócios

As principais empresas de TV paga via satélite no Brasil -Sky e DirecTV- anunciaram ontem a fusão de seus negócios. A nova operadora, que manterá o nome Sky, irá deter 95% do mercado de TV paga via satélite e 32% do mercado total de TV por assinatura no país.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), órgãos do governo federal, terão que aprovar a operação para que o negócio tenha eficácia.

A Sky é controlada no Brasil pela Globopar (Globo Comunicações e Participações) e pela News Corporation Limited (News Corp.), do empresário australiano Rupert Murdoch. A DirecTV também é controlada pelo grupo Murdoch, dono de um império de comunicação que inclui a Fox Entertainment Group.

A diretora de Planejamento da Globopar, Rossana Fontenele, afirmou que, embora a transação não envolva transferência direta de recursos para a Globopar, a empresa ficará livre de garantias que envolvem US$ 220 milhões (cerca de R$ 638 milhões).

"A Globopar garantia uma dívida da Sky Brasil, relacionada ao satélite, e também garantia dívidas da Sky MultiCountry, que possui serviços de satélites de televisão por assinatura na Colômbia e no Chile", disse Fontenele. "Com a fusão, a News Corp. assume essas garantias."

A dívida total da Globopar é estimada em cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 3,77 bilhões). "A fusão ajuda a reduzir o endividamento da Globopar", disse a diretora de Planejamento da empresa. Pelo acordo, a nova empresa manterá o nome de Sky Brasil, mas a DirecTV será a sócia majoritária, com 72% da empresa. A Globopar será sócia minoritária, com 28%. Segundo o comunicado divulgado ontem, "a DirecTV terá o controle e a gestão da empresa, ficando a Globopar com direitos compatíveis com sua posição de sócia estratégica".

Atualmente, a Globopar detém 54% da participação da Sky, a News Corp. tem 36%, e uma terceira empresa, a Liberty Media, 10%. No entanto, segundo Fontenele, mesmo antes de a fusão ocorrer, o total da Globopar deverá cair para 40,3% devido aos aportes de capital que a News Corp. fará na empresa.

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo

Diálogo Brasil debate segundo turno das eleições municipais 2004

O programa Diálogo Brasil de hoje irá debater as eleições municipais de 2004, o papel e a influência das pesquisas eleitorais, a cobertura feita pela imprensa e as coligações para o segundo turno. O programa é exibido em rede pública de televisão a partir das 22h30, com geração pela TV Nacional, em Brasília.

Estarão presentes o cientista político do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), José Luciano Dias, a diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), Márcia Cavalari, a pesquisadora especializada em análise de mídia e opinião pública do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Alessandra Aldé, e o professor da Universidade de Brasília, Paulo José Cunha, que é autor da coluna "Telejornalismo em Close", uma análise crítica da cobertura jornalística televisiva.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram eleitos no primeiro turno 5.074 prefeitos e 404 prefeitas. Haverá segundo turno em 44 municípios e as votações ocorrem no próximo dia 31.

Informação: Sulrádio/ Agênica Brasil

Campanha pede que a população desligue a televisão por uma hora

No próximo dia 17 de outubro será comemorado o Dia de Luta pela Democratização da Comunicação. A data também foi escolhida pelos coordenadores da campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania, para protestar contra os programas apelativos exibidos pela televisão brasileira. Ele pedem que nesse dia, um domingo, todos desliguem os aparelhos de televisão por uma hora, entre 15h e 16h.

Em entrevista à Rádio Nacional AM, da Radiobrás, o coordenador da campanha, Orlando Fantazzini, resumiu como baixaria algumas programações de televisão que estimulam as pessoas a agir contra a lei. "Você não pode degradar a imagem do ser humano, não pode instigar a violência, não pode fazer apologia ao crime, não pode disseminar o preconceito racial, étnico, de gênero e assim por diante".

Ele afirmou que esse tipo de cena não contribui para a formação intelectual de crianças. "Você pode informar a sociedade de eventos, mas não precisa espetacularizar a desgraça ou a violência para conseguir índices de audiência", disse.

Na opinião de Fantazzini, o espectador carece de alternativas na televisão. Ele afirma que apesar de existirem programas de altíssima qualidade, produzidos pelas televisões públicas, as emissoras comerciais ainda conseguem se impor perante o telespectador, porque não têm conhecimento dessas outras emissoras.

Sobre as novelas, Fantazzini afirmou que elas induzem a um comportamento social. "A novela acaba reafirmando alguns conceitos ou preconceitos. O que é totalmente negativo para a sociedade", diz.

O coordenador da campanha lembrou que mesmo as televisões comerciais têm a obrigação constitucional de apresentar programas educativos, informativos e formativos. Ele citou como exemplos de bons programas o infantil Castelo Rá-Tim-Bum, o programa do apresentador Serginho Groisman, para adolescentes, o Vitrine e o Diálogo Brasil. "Lamentavelmente, muitos deles são exibidos em horários muito avançados e isso impossibilita boa parcela da população de assistir".

Como programas "sofríveis", Fantazzini citou os dos apresentadores João Kleber, Ratinho e Márcia Goldsmith. "Não tem nada que preste nesses programas. O exame de DNA se tornou um espetáculo público. E quem leva isso ao ar não tem responsabilidade nenhuma, nenhum senso de respeito pelas crianças", disse.

Informação: Sulrádio/ Agência Brasil

Delegacias regionais: um recomeço nada fácil

No dia 1º de outubro passado foi publicado, no Diário Oficial da União, o DECRETO Nº 5.220, de 30 de setembro de 2004, que Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério das Comunicações, e dá outras providências.

Este DECRETO certamente seria mais um ato rotineiro de acomodação ministerial não fosse o item III do Capítulo II, que trata da Estrutura Organizacional do Ministério. Por prever os Órgãos Regionais nos Estados, ou seja, as Delegacias Regionais, o item III tornou-se o ponto mais importante do DECRETO Nº 5.220, tirando-o do rol dos atos rotineiros que simplesmente tratam de revisões regimentais.

Houve uma época em que o Ministério das Comunicações era uma Pasta do Poder Executivo que, por sua importância e estratégia, ocupava um prédio próprio na Esplanada dos Ministérios em Brasília, com direito a prédio Anexo.

Possuía órgãos representativos, as Delegacias Regionais, em praticamente todos os Estados da Federação, em locações próprias com quadro de pessoal especializado e treinado nas suas funções básicas.

As Delegacias Regionais desempenhavam papel relevante na estrutura ministerial, já que resolviam todos os assuntos afetos a Pasta através da descentralização de competências. E o mais importante é que ficavam próximas dos usuários dos serviços oferecidos.

Eram os tempos áureos do Ministério das Comunicações.

Então veio o Governo Fernando Collor e criou o malfadado super Ministério da Infra-Estrutura, composto por três Ministérios, entre os quais estava o Ministério das Comunicações. Foi o começo da derrocada.

O super Ministério, como já se esperava, “deu com os burros n’água” e foi dissolvido pouco depois de criado. O Ministério das Comunicações retornou ao seu “status”, mas nunca mais voltou a ser como era. Perdeu força e espaço.

Para não nos alongarmos muito vamos resumir lembrando que no final do governo passado as Delegacias Regionais, que já vinham sofrendo em eficiência por falta de atenção e interesse do órgão central em Brasília, foram definitivamente eliminadas.

Hoje o Ministério das Comunicações é uma sombra do que foi no passado. Divide os seus antigos prédios na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com outro Ministério e a maioria dos seus profissionais e funcionários de apoio estão cedidos para a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL que abarcou, também, boa parte de suas atividades e competências.

Os prédios que abrigavam as Delegacias Regionais nos Estados, em sua maioria, estão ocupados pela Anatel e foram incorporados ao patrimônio da Agência. Os profissionais que atuavam nas Delegacias que não foram cedidos para a Agência, transferiram-se para outros órgãos federais.

Nem vamos falar no acúmulo de processos que hoje atola o Ministério das Comunicações, em Brasília, e cuja solução vem se arrastando por anos para desespero dos usuários, por falta do apoio das Delegacias Regionais.

Mas com a publicação do DECRETO Nº 5.220 e com a decisão de serem recriadas as Delegacias Regionais, ainda que seja uma proposta modesta, pois prevê Delegacias em apenas onze Estados da Federação com um único cargo de direção, o de Delegado, vislumbramos um futuro melhor para os usuários de telecomunicações. O item “a” do Anexo II - Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério das Comunicações, do Decreto, não prevê outros cargos de chefia a não ser o de Delegado.

Esperamos que a implantação das Delegacias Regionais não se arraste indefinidamente. Embora o caminho a ser trilhado, até que todos os Estados tenham representações competentes do Ministério, já tenha sido percorrido há muitos anos atrás, torcemos para que não surjam novos “iluminados” com idéias que possam atrasar o processo de implantação.

Entendemos que não será um recomeço fácil. Sem pessoal e sem acomodações talvez o maior trabalho do Delegado Regional será o de receber documentos e encaminhá-los para Brasília, já que hoje o usuário de telecomunicações nos Estados não tem como protocolar seus pedidos, pois a Anatel, desde 28 de maio de 2004, não mais recebe documentos endereçados ao Ministério das Comunicações.

Depois destas considerações não poderíamos deixar de parabenizar o Ministro Eunício Oliviera pela iniciativa de arrumar a casa, ainda que modestamente diante do que foi o Ministério das Comunicações e que seus antecessores mais próximos, com tanta incompetência, desarrumaram.

Informação: Sulrádio/ Eng.Sergio Nascimento

Rádios Comunitárias transmitem 60 horas ao vivo

Nos próximos dias 16, 17 e 18, diversos movimentos e entidades articulam 60 horas de programação radiofônica, ao vivo, envolvendo mais de 10 estados nas cinco regiões do País. A idéia é da Abraço Nacional, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e seus comitês regionais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, da Rádio FAE da Faculdade de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), da Casa Macunaíma, da Central de Notícias em Brasília, da Associação dos Funcionários da Fiocruz e do Jornal Brasil de Fato.

A programação especial poderá ser sintonizada em várias rádios comunitárias do Brasil e também pela internet. A Abraço e as entidades que compõem os comitês regionais do FNDC estão articulando programas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí e Pará. A grade geral de programação será fechada hoje e ainda existem horários livres. Quem tiver interesse em propor alguma atividade ou programa pode entrar com o plantão técnico da Abraço, através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou pelos telefones (31) 3082-3755, 9129-2249 e 9681-8250.

Informação: Coletiva.net

Sindicato cria comitê em defesa do CFJ

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Rio Grande do Sul lança, na próxima sexta-feira, o Comitê Gaúcho em Defesa do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). O evento será realizado às 19h, na sala João Neves da Fontoura, o Plenarinho, da Assembléia Legislativa. A entidade solicita a participação do movimento social, entidades sindicais, parlamentares, partidos políticos, outras categorias profissionais que contem com conselhos regionais, jornalistas e setores da sociedade que apóiam o projeto de lei. “Contamos com o apoio de todos e aceitamos todas as contribuições no sentido de melhorar o projeto. O tema é democrático e está aberto para a discussão”, diz o presidente do sindicato, José Carlos Torves.

Informação: Coletiva.net

ADI promove II prêmio de excelência editorial

Os diários filiados à Associação dos Diários do Interior (ADI) têm até o próximo dia 15 de outubro para participarem do II Prêmio ADI/Sebrae de Excelência Editorial. Com o tema “Empreendimentos Coletivos”, o concurso de reportagem é destinado somente aos 16 diários associados da entidade e terá premiação de R$ 5.000,00. Os vencedores serão conhecidos no jantar de encerramento do 6º Encontro Anual de Diários do Interior, a ser realizado dia 7 de novembro, em Canela.

Informação: Coletiva.net

Debates e manifestações marcarão Dia de Luta pela Democratização da Comunicação

O Dia de Luta pela Democratização da Comunicação a ser comemorado no próximo dia 17 será marcado por uma série de eventos e manifestações em todo o país promovidos por várias entidades. Entre elas estão a Comissão de Direitos Humanos da Câmara - que organizou a campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania -, o Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) e a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos).

Uma das atividades programadas é a transmissão de um debate ao vivo sobre ética e qualidade da programação das televisões brasileiras, que será retransmitido por TVs educativas, culturais, universitárias, legislativas e comunitárias de todo o país, assim como rádio comunitárias.

O debate ocorrerá uma hora antes do protesto simbólico, convocado pela campanha para o mesmo dia, de desligamento dos televisores durante uma hora, entre 15 horas e 16 horas. Entre os eixos principais desse protesto estão o respeito aos direitos humanos na programação da TV, a democratização do acesso aos meios de comunicação e a defesa dos sistemas público e comunitário de televisão.

As entidades associadas ao FNDC também foram mobilizadas para promover atividades não apenas no dia 17, mas também durante a segunda semana de outubro, quando se comemora, em todo o mundo, o Dia pela Democracia da Mídia, marcado este ano para 18 de outubro. "É interessante que isso venha de uma decisão internacional porque foge um pouco do debate maniqueísta e, às vezes, polarizado de atribuir qualquer movimento que a sociedade faça em relação à exigência da democracia no segmento de mídia, a um movimento de censura, autoritário", observa o coordenador-geral do FNDC, Celso Augusto Schröder.

Segundo Schröder, os eventos relacionados ao Dia de Luta pela Democratização da Comunicação terão como foco o debate sobre a falta de democracia na comunicação brasileira, as implicações na sociedade e formas de supri-la. "A data é importante porque é um momento internacional de reflexão sobre um espaço público que, normalmente, não tem discussão e que se pressupõe que seja democrático por natureza, que é a mídia", destaca.

Para colocar o assunto em debate, a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos) está organizando, em faculdades de Comunicação do país, a 2ª Semana pela Democratização da Comunicação. "Essa semana tem atividades como mostras de filmes nas ruas, debates nas escolas, oficinas de capacitação, oficinas de jornal comunitário, enfim, uma série de eventos que procuram chamar a atenção do maior número de estudantes para o tema que, absolutamente, não é discutido nas universidades brasileiras, com algumas exceções", critica um dos coordenadores-gerais da Enecos, Bráulio Ribeiro.

Em Brasília, por exemplo, estudantes de Comunicação montarão um estúdio de rádio na Torre de Televisão, um dos principais pontos turísticos da capital. Com a participação popular, eles transmitirão um debate ao vivo, com duas horas de duração, para emissoras filiadas à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço).

Informação: Sulrádio/ Agência Brasil